Jornal dos Desportos

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Reportagens

Malanjinos desolados com a saida de Renard

Sérgio Veira Dias, em Malanje - 04 de Outubro, 2010

Abandono de Hervè Renard aos Palancas é visto em Malanje como um desrespeito à Nação

Fotografia: Jornal dos DEsportos

Em consequência da rescisão contratual com treinador gaulês, os malanjinos consideram ser oportuno repensar-se no futuro da selecção angolana, não descartando a possibilidade de se apostar num técnico da praça nacional ou de um estrangeiro que já tenha demonstrado capacidade no país. O regresso de Oliveira Gonçalves e uma eventual aposta em Bernardino Pedroto, actual técnico do Petro de Luanda, são duas das hipóteses cogitadas.

Francisco Curihingana, jornalista, sublinha que a decisão do técnico Hervé Renard acontece num momento particularmente difícil por se aproximar à realização do segundo jogo do Grupo J das eliminatórias do Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2011. "A atitude do técnico Hervè Renard traduz um desrespeito a toda a Nação, porque abandonou a equipa num momento muito crucial, já que a Selecção Nacional se encontra a disputar a fase de apuramento ao CAN 2012", disse.

À semelhança de Francisco Curihingana, Josina Cândida Malacriz, funcionária pública, diz ser lamentável a atitude do técnico Hervè Renard, "sobretudo, pelo facto de se aproximar mais um jogo desta corrida ao CAN de 2012”, que a Guiné-Equatorial e o Gabão vão albergar. Para a jovem malanjina, não se justifica a atitude do ex-seleccionador nacional, porquanto “afirmou publicamente e várias vezes que encontrou em Angola as melhores condições de trabalho no universo africano".

Face à rescisão contratual com o francês Hervè Renard, quer Francisco Curihingana como Josina Malacriz, são apologistas de que esse é o momento certo para o órgão reitor do futebol nacional rever, com ponderação, a aposta nos futuros técnicos para os Palancas Negras. Ambos não se opõem à contratação de estrangeiros, mas sustentam que já é altura de se dar também oportunidade a técnico nacionais. Francisco Curihingana sustenta a esse respeito que "os técnicos nacionais já demonstraram competência suficiente para conduzir os destinos da selecção nacional".

Oliveira e Pedroto são nomes cogitados

Francisco Curihingana e Josina Malacriz avançaram alguns pressupostos que podem servir para justificar as futuras apostas para os cargos de seleccionador nacional. Ambos são de opinião que a Direcção da Federação Angolana de Futebol (FAF) deve ponderar a decisão em relação ao futuro técnico dos Palancas Negras, apontando um nome que se justifica aos pergaminhos do conjunto, "seja estrangeiro ou angolano". No meio das cogitações, o jornalista Francisco Curhignana justifica que se a FAF mantivesse fiel ao nome de um técnico estrangeiro, "este poderia ser Bernardino Pedroto", actual técnico do Petro de Luanda, por ser um conhecedor profundo do futebol nacional.

No entanto, o jornalista malanjino não descarta também o nome de um angolano, porque, na sua óptica, "muitos destes já demonstraram competência". Josina Malacriz, por seu turno, afirmou que chegou a hora de se dar oportunidade aos técnicos nacionais. A funcionária pública justifica o seu pensamento no facto de "os maiores feitos do futebol nacional terem sido alcançados sob a alçada de um técnico angolano, no caso Luís de Oliveira Gonçalves. Por essa razão, a jovem funcionária pública da província de Malange e admiradora confessa dos Palancas Negras diz-se favorável ao eventual regresso do ex-pastor do conjunto. "Oliveira Gonçalves coleccionou os maiores feitos de um técnico ao serviço da Selecção Nacional”, disse Josina Malacriz.

Angolano radicado na Namíbia
destaca renovação na Selecção

Arlindo Mateus, jovem angolano radicado em Windhoek, Namíbia, há um ano, destacou o processo de renovação que se faz na Selecção Nacional de futebol em honras, em conversa com o "Jornal dos Desportos", via telefónica. O também gerente do "Maroela Guest House", unidade hospedeira localizada nos arredores da capital namibiana, que acolhe muitos angolanos, sublinhou que "é um processo que tem sido bem sucedido há algum tempo".

 "O processo de renovação da nossa selecção de futebol de honras continua a ser bem feita. Com alguma felicidade, vimos surgir na Selecção Nacional muitos talentos que militam no Girabola, a maior prova do futebol em Angola", argumenta Arlindo Mateus. Arlindo sugere que o processo de renovação da Selecção Nacional deve ser feito faseadamente e da melhor maneira possível para permitir o melhor entrosamento da ‘veterania’ de alguns jogadores e do talento dos novos.

Quanto à qualificação de Angola para o CAN’2012, Arlindo Mateus mostra-se confiante, pese a derrota de 0-3, em Kampala, Uganda, diante da sua similar local, no desafio inaugural do Grupo J, com palco na Guiné-Equatorial e Gabão. O jovem angolano responsável da pensão de Windhoek coloca o Uganda como principal concorrente de Angola na disputa da primeira posição do grupo que garante automaticamente a qualificação para o CAN. Arlindo realça o facto de que "se deve aprender com erros para não as repetir”.

Por isso mesmo, Arlindo Mateus assume que o percalço que os Palancas tiveram em Kampala diante dos "Cranes", em Setembro último, "deve mais uma vez servir de lição” para os jogos das eliminatórias, particularmente, no que lhes oporá no próximo fim-de-semana à Guiné-Bissau.

Duas novidades de eleição

Apesar da rescisão contratual com o Hervè Renard, a convocatória para o jogo da 2ª jornada do Grupo J, que vai opor a Selecção Nacional à sua similar da Guiné-Bissau, em Luanda, foi feita normalmente. A princípio o conjunto vai ser orientado por Zeca Amaral, então adjunto do francês, que convocou sexta-feira última, 1 de Outubro, 27 jogadores, com destaque para os centrais Chiwe, do Desportivo da Huíla, e Fabrício, do Interclube.

Além dos centrais das fomações militares da 5ª Região e da Polícia Nacional, integram ainda a lista de convocados os seguintes jogadores: Lamá, Chara e Job (Petro de Luanda), Wilson, Kaly, Mingo Bille e Dany (1º de Agosto), Minguito (Interclube), Adawa e Vado (Benfica de Luanda), Pataca e Hugo (Kabuscorp do Palanca), Rasca e Nandinho (Recreativo do Libolo), Celson e Osório (Recreativo da Caála), Miguel (Académica do Soyo) Dedé (Olympiakos Nikosias do Chipre), Gilberto (Lierse da Bélgica), Manucho (Bucaspor da

Turquia), Dominiqui (CFR 1907 Cluj da Roménia), Geraldo (Curitiba do Brasil), Zuela (Paok Mikras da Grécia) e Titi Buengo (Tours da França), respectivamente. Saliente-se que no desafio inaugural do Grupo J da corrida ao CAN do Gabão e da Guiné-Equatorail, Angola perdeu 0-3 com a sua similar do Uganda, em Kampala, enquanto no outro duelo a Guiné-Bissau impôs-se sobre o Quénia com vitória de 1-0.

Classificação do Grupo J

À entrada da 2ª jornada do Grupo J das eliminatórias da corrida ao CAN de 2012, a realizar-se na Guiné-Equatorial e Gabão, o Uganda está na liderança com três pontos, depois de vencer Angola na estreia por 3-0, em Kampala, "ex-aquo" com a Guiné-Bissau que venceu no seu reduto o Quénia por 1-0. Por arrasto da derrota na estreia, quenianos e angolanos ocupam o terceiro e quarto (último) postos do agrupamento sem qualquer ponto.