Jornal dos Desportos

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Reportagens

Mauro Ricardo é o campeão nacional juvenil de ciclismo

João Francisco, On-line - 21 de Julho, 2013

Mauro Ricardo ganhou este ano a concorrência diante Bruno Araújo

Fotografia: Jornal dos Desportos

Mauro Ricardo ganhou este ano a concorrência diante Bruno Araújo – filho de Justiniano Araújo, outro excelente antigo ciclista que até agora detém o recorde de títulos ganhos em Campeonatos Nacionais – sagrando-se campeão nacional de cadetes/ juvenis na prova de estrada disputada na última semana de Julho, com outras categorias (contra-relógio) na província do Kwanza-Norte, deixando o seu rival apenas com o título na perseguição individual (contra-relógio). Os outros filhos de David Ricardo não fogem à regra. Em 2008, o vice-campeão nacional júnior foi o seu segundo rebento, Ladilson Ricardo. Seguiu-se Hélder Ricardo, campeão nacional de Estrada de cadetes em 2009, que interrompeu a carreira por força de compromissos escolares. Em 2010, Hedinilson Ricardo sagrou-se também em cadetes campeão nacional. Motivação familiar Para o actual campeão nacional de cadetes/juvenis, a maior motivação no ciclismo parte do seio familiar visto que o seu pai é um nome que dispensa apresentações pela sua trajectória como ciclista, formador e dirigente. “Os meus irmãos mais velhos, Ladilson Ricardo, Hélder Ricardo, Hedinilson Ricardo e o meu tio Benvindo Rodrigues, que já fizeram parte do leque dos melhores ciclistas nas fases por onde estou a passar até às camadas juniores, complementam esta parte”, disse. “De resto, a minha paixão pela bicicleta desde os meus primeiros anos de idade, o convívio e a intimidade com aquele ‘brinquedo’ foi tão grande, que aos 11 anos entrei para o mundo da alta competição, onde quero com humildade e respeito beber toda a experiência e conhecimento que me são dados pelo meu pai e por todos aqueles que partilham os sucessos que tenho alcançado no ciclismo”, frisou. MOMENTOS “Disseram que tinha futuro para o ciclismo” Para Mauro Ricardo um dos momentos mais importantes da sua carreira foi na altura em que pela primeira vez alguém lhe disse que tinha futuro no ciclismo. “Também me recordo dos momentos que se seguiram à minha primeira vitória e à minha queda a 200 metros da meta, por maldade de um adversário, no sprint final do campeonato nacional do ano passado, quando tinha os meus 12 anos”, referiu. “Por saber que era um forte candidato ao título, fiquei muito triste, acabando por chorar bastante até que o meu pai me consolou e assegurou que o futuro podia ser meu”, acrescentou. O jovem ciclista sente-se muito feliz porque tem o privilégio da sua trajectória estar a ser construída e seguida pelo pai que é uma referência no ciclismo em Angola e não só. “Nesta fase prematura da minha carreira ainda estou a receber a formação de base que é o suporte de todos os desafios que tenho pela frente”, reconheceu. Como praticante de ciclismo, Mauro Ricardo tem aproveitado os bons momentos ao lado dos pais, que o apoiam bastante em todos os aspectos da sua carreira desportiva e estudantil. “Ainda é cedo para dizer muita coisa porque a sua história começou a ser escrita agora e ainda vai nas primeiras frases”, disse. Mauro Ricardo referiu que os pontos fracos da modalidade de ciclismo vão desde a falta de sensibilidade por parte das pessoas que podem ajudar até à falta de vontade dos que nada querem fazer. A concluir, Mauro Ricardo disse que o seu maior desejo no futuro passa em colocar em prática tudo o que está a aprender e continuar a obra do pai A PALAVRA DO PAI/TREINADOR Escalões de formação estão melhor servidos David Ricardo, pai/treinador de Mauro Ricardo, diz que a sua motivação no ciclismo “é resultante do facto de Angola ter grandes valores na modalidade e existirem poucos técnicos a trabalhar para se limar esta mesma matéria-prima em abundância no país”. Na sua opinião, “o potencial humano que nós temos e que foi demonstrado a nível do continente africano, ou a evolução que podemos ter com um apoio verdadeiro, fazem o resto”. O treinador e praticante de ciclismo, à semelhança do filho, contesta a falta de sensibilidade de muitos empresários que podem ajudar a modalidade e não o fazem. David Ricardo considera que neste momento a Selecção Nacional dos escalões de formação está melhor servida que os seniores, com um grupo de estrelas que começaram a dar brilho. “Estou a referir-me a atletas como Bruno Araújo, 15 anos (antes do Benfica passou pela Escola DR), Mauro Ricardo, 13 anos, Aguinaldo de Carvalho, 15 anos e Adilson Zacarias, todos da Escola David Ricardo, entre outros que despontam nos núcleos do Rangel, Cazenga, Kilamba Kiaxe, sem esquecer o grande trabalho que tem sido feito por Osvaldo Jacinto e Carlos Araújo em prol da modalidade”, disse “Era injusto da minha parte se não mencionasse o grande trabalho que está a ser feito pelos rapazes da terra que me viu crescer, que é Benguela, como Alberto Silva ‘Pepino’, Igor Silva, Walter Silva, Olegário Correia, entre outros”, assinalou. OUTROS DESAFIOS Relançamento do ciclismo no Huambo Para o patrono da Escola David Ricardo, além de treinar os filhos, o primeiro desafio enfrentado pela instituição que dirige aconteceu quando contribuiu para a formação dos ciclistas na província do Huambo em 2008/2009 até ao seu lançamento, numa mega actividade realizada naquela província com o apoio da FACI, no dia 11 de Novembro de 2010. “Outro desafio foi trabalhar o ‘viveiro FACI’, de 2008 a 2010. A seguir, a FACI lançou-me o repto em 2010, para preparar o ciclista veterano Domingos de Sousa, 50 anos, vulgo ‘Capitão Certeza’, que prendia realizar uma maratona ciclista de 420 quilómetros (Uíge-Luanda), sem nunca ter andado numa bicicleta de competição. Em dois meses, aquele atleta aprendeu o ABC do ciclismo, cumprindo com êxito e tranquilidade a sua “pedalada” entre as duas províncias. O treinador não deixou de ressaltar o resultado positivo do “viveiro” - Escola de formação - da FACI, cujos êxitos originaram a escolha por parte do órgão reitor da modalidade para que em 2011 fosse representar a Selecção júnior na Volta ao Cacau (São Tomé e Príncipe), acabando por arrebatar a camisola branca, de melhor corredor sub-23, através de Dário António. POR DENTRO Nome completo: Mauro Rivaldo Rodrigues Ricardo Data e Local de Nascimento: 20 de Abril de 2000 em Luanda Nacionalidade: Angolana Filiação: David Adriano Ricardo e Sandra Maria Rodrigues Estado Civil: Solteiro Peso: 60 kg Altura: 1.60cm Prato: Feijoada Bebida: Água Tempos livres: Treino, estudo e brincadeira Calçado: 40 Clube: Barcelona Cidade: Madrid País: Madagáscar Perfume: Givenchy Religião: Católica Ídolo: Mark Cavendish Alguma vez mentiu: Sim Sonho: Ver o ciclismo angolano evoluir mais em todos os aspectos