Jornal dos Desportos

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Reportagens

Mercedes ameaça deixar Fórmula 1

19 de Abril, 2012

O actual cenário nebuloso pode complicar os planos da F1 de fazer o IPO

Fotografia: AFP

A presença da Mercedes na Fórmula 1 em 2013 ainda não está assegurada e a montadora pode até deixar a categoria. Segundo o canal de televisão norte-americano “Bloomberg”, a marca alemã rejeitou os termos iniciais de uma oferta feita pela CVC Capital Partners, dona de 63,4 por cento da empresa F1, por considerar que ia receber menos dinheiro do que as rivais Ferrari e Red Bull.

A “Bloomberg”, que dá como fonte “uma pessoa com conhecimento directo da situação”, refere que a Daimler, companhia proprietária da Mercedes, está a considerar as suas opções, incluindo uma acção legal. A montadora alemã regressou à F1 com uma equipa própria em 2010, após 55 anos de ausência. Desde a década de 1990, é accionista da McLaren. A polémica vem ao de cimo porque em 2012 expira o Pacto de Concórdia, acordo firmado para viabilizar a disputa do Mundial entre equipa, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e a Formule One Management (FOM, empresa do britânico Bernie Ecclestone detentora dos direitos comerciais da categoria).

Em 19 de Março, o site da “Sky News” publicou que a CVC ofereceu milhões de euros à Ferrari e à Red Bull para renovarem o acordo até 2020. A companhia italiana pode ter direito ainda a parte das acções da F1, caso se confirme a oferta pública inicial de acções (IPO) da empresa. Especula-se que Ecclestone e a CVC pretendem abrir mão de 15 por cento do controlo, lançando-o no mercado. No fim do mês, Ecclestone afirmou ao site oficial da categoria que a maioria das escuderias (incluindo Ferrari, Red Bull e McLaren) já se comprometeram em assinar um novo pacto, mas não entrou em pormenores quanto ao assunto.

Segundo a “Bloomberg”, o chefe executivo da Mercedes, Nick Fry, recusou-se a comentar as negociações com a CVC, assim como Ecclestone. Para saber mais sobre o caso, a emissora consultou Xander Heijnen, parceiro da empresa alemã de consultoria Munich-based CNC Communications & Network Consulting. Ele disse que a CVC quer um acordo com a Mercedes “o mais depressa possível para satisfazer o mercado financeiro”. O actual cenário nebuloso pode complicar os planos da F1 de fazer o IPO. Ecclestone anunciou que era possível captar até 1,5 mil milhões de euros com a oferta pública de acções que pode ser realizada em Singapura.


LIGA ITALIANA
Clubes acumulam défice


O défice acumulado dos clubes italianos das primeiras quatro divisões sofreu na última época um agravamento de 23 por cento e é agora de 428 milhões de euros, de acordo com um relatório entregue à federação. As contas do campeonato continuam no vermelho, a uma temporada da concretização do fair-play financeiro, defendido pelo presidente da UEFA, Michel Platini, e os sinais de alarme começaram já a soar na Federação Italiana de Futebol (FIGC). O défice aumentou 80 milhões de euros em comparação à temporada anterior (23 por cento), segundo os dados da empresa de auditoria Arel e PricewaterhouseCoopers (PwC) entregues à FIGC.

“Noutras actividades económicas, com tais números, podia falar-se de empresas à beira da falência”, reagiu o ministro italiano dos Desportos, Piero Gnudi. Um estudo anual publicado pela “Gazzetta Dello Sport” a 9 de Março estima que só as perdas dos clubes da Série A, na época de 2010/11, rondam os cerca de 285 milhões de euros. Apenas 19 dos 107 clubes analisados nas primeiras quatro divisões do futebol italiano têm um saldo positivo e os três grandes – Juventus, Inter de Milão e AC Milan – agravaram as suas contas negativas. De acordo com os números apresentados pelo jornal desportivo italiano, o défice da Juventus ronda os 94,4 milhões de euros, o do Inter 86,8 e o do AC Milan 69,8. Entre os clubes italianos que apresentam uma gestão positiva encontram-se o Nápoles (4,2 milhões de euros), Udinese (2,9) e Catania (6,4), cujos resultados são positivos pela quinta época consecutiva.



LIGA INGLESA
Gaitán no United por 25 milhões

Nico Gaitán vai ser jogador do Manchester United a partir da próxima temporada. De acordo com o jornal português “O jogo” a transferência do internacional argentino para Old Trafford está praticamente fechada e envolve o pagamento de 25 milhões de euros em dinheiro, aos quais os red devils ainda devem acrescentar mais dois jogadores, de forma a aproximar a avaliação do negócio dos 45 milhões de euros estipulados na cláusula de rescisão do camisola 20.

Mas se o acordo verbal quanto ao montante em numerário é total, falta ainda limar arestas quanto ao nome dos jogadores do United que vão rumar em sentido inverso, o que não inviabiliza a conclusão do entendimento. Ainda assim, este processo é sempre mais complexo, uma vez que envolve o necessário entendimento entre vários atletas e os seus respectivos empresários. Inicialmente, a SAD do Benfica de Lisboa remeteu o interesse de Alex Ferguson para o pagamento dos 45 milhões de euros estipulados na cláusula de rescisão, mas os responsáveis do emblema britânico mostraram-se inflexíveis em não ultrapassar a fasquia dos 25 milhões.

BENFICA
SAD com lucros em nove anos


Desde que assumiu a presidência do Benfica, Luís Filipe Vieira tem um imponente registo de cerca de 175 milhões de euros de lucro entre aquilo que gastou em compra e venda de jogadores. Se há montantes mais residuais, é fácil constatar que é desde a chegada de Jorge Jesus ao comando técnico da equipa que os números disparam, principalmente com a saída de jogadores como Ramires, David Luiz, Di María ou Fábio Coentrão. Agora é a vez de Gaitán, e só o internacional argentino vai permitir encaixar um lucro na casa dos 16,6 milhões de euros.

No verão de 2010, a SAD tinha desembolsado 8,4 milhões pelo ex-Boca Juniors, que dentro em breve ruma para o Manchester United... por 25 milhões de euros. A ideia de Luís Filipe Vieira, de acordo com informação divulgada pelo “O Jogo”, para o final desta época é realizar vendas num volume de 50 milhões de euros, de forma a equilibrar as contas. O plano passa por atingir esta verba com a venda de apenas dois jogadores. Se Gaitán rende metade, há ainda outros na montra. Ao longo da sua administração, Vieira tem outras transferências deveras lucrativas, casos de Miguel (Valência), Simão (Atlético de Madrid) ou ainda Tiago (Chelsea), que custou cerca de 2,5 milhões de euros e deixou a Luz a troco de 12.