Jornal dos Desportos

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Reportagens

Namibe prepara condies para o CAN

Manuel de Sousa - 24 de Novembro, 2009

O Namibe encontra-se no litoral de Angola

Fotografia: Afonso Costa

Na vertente cultural, os visitantes e estudiosos que virem a província por altura da Taça de África Orange Angola’2010, vão desfrutar da beleza ímpar, dos principais sítios históricos e monumentos, como são os casos do Boainene, em direcção ao Caraculo, da Fortaleza de São Fernandes, as pinturas dos Iai, etc. Vão ainda apreciar a arte funerária banli, feitas pelos angolanos para diferenciar aquilo que os europeus faziam. As inscrições do Torre do Tombo (estão a degradar-se devido à erosão), que são as primeiras deixadas por navegadores europeus.
Voltando às pinturas rupestres, por se encontrarem ao ar livre e a mercê da acção da natureza, vão acelerando o processo de degradação, acrescendo a isso a acção do homem. O governo provincial e central mostram-se preocupados em salvaguardar os exemplares que ainda restam.
No que concerne aos acessos, o recado para visitantes e turistas que escalarem a província na altura da competição e que queiram visitar as pinturas rupestres do Tchitundu hulu, é no sentido de atravessarem rios secos. O acesso é difícil e este aspecto deve ser tido em conta.
Em algumas artérias da cidade há atractivos como a welwitchia mirabilis e as dunas do deserto.
A média de visitantes estrangeiros é de 60 por mês, que além de visitarem os sítios históricos e as figuras rupestres, apreciam a exposição dos hábitos e costumes dos Cuvales no museu provincial. Falando em museu, este recebeu, este ano, mais de quatro mil 390 visitantes, de acordo com o director provincial da cultura, Martinho Jamba.
Martinho Jamba, disse que este número, surpreendente, é o resultado de um investimento realizado pela Direcção Provincial da Educação, Ciência e Tecnologia, que se consubstanciou na inauguração de uma sala antropológica que trouxe uma mais-valia no interesse das pessoas em frequentá-lo.
O homem forte da cultura na província justificou que o museu não pode ser algo estático, mas sim beneficiar sempre de renovações, passando pela pesquisa, recolha de material e artefactos ligados às comunidades locais.
Ainda este ano foi registado mais de três mil e 500 leitores que afluíram às bibliotecas províncias e móveis, exceptuando a do município do Tômbwa, que por falta de material bibliográfico e de pessoal, se encontra inoperante. A mesma entra apenas em funcionamento a partir do próximo ano.
As bibliotecas móveis ajudam os alunos, principalmente no gosto pela leitura. Hoje, muitos jovens frequentam com regularidade o museu provincial.

Unidades hoteleiras em número insuficiente

Quanto às unidades hoteleiras, existe alguma carência. Algum trabalho está a ser feito, com reabilitação e erguer de novos estabelecimentos que podem servir para apoiar a província da Huíla.
O povo do Namibe é acolhedor, pelo que os hóspedes que vierem a província serão bem tratados. À população compete a tarefa de proporcionar uma recepção condigna.
Falando sobre o intercâmbio com a vizinha cidade do Lubango, palco (D) do CAN, que o país organiza, Armando Valente, administrador municipal do Namibe, afirmou que Angola é um país único, que se rege por uma única política. Logo, o problema de acolhimento da vizinha cidade do Lubango é também do Namibe. O que quer disser que qualquer erro que houver é do país todo. As orientações são emanadas pelo Governo Central e, apesar de estarem escalonadas por níveis, natureza e especificidades de cada assunto, não há como não manter uma relação positiva entre as duas cidades.
“O Namibe encontra-se no litoral e tem outro tipo de condições. Os hóspedes estarão num ambiente um pouco afastado da grande pressão ligada a prova”, disse Armando Valente.

A simbiose entre desporto
e as artes plásticas

A preparação de uma exposição de artes culturais típicas da região, direccionada aos visitantes do CAN é um trabalho que está a ser feito por artistas plásticos locais.
A direcção da cultura está a trabalhar, em parceria com a do comércio, hotelaria e turismo, no sentido de coordenarem actividades para que todos aqueles que se deslocarem à cidade, durante o evento tenham contacto com aquilo que a província tem de melhor.
Abel Domingos, citadino e amantes das artes, apela aos actores culturais a preparem-se para oferecer um bom trabalho aos visitantes e, consequentemente, levaram daqui recordações como peças de artesanato que retratam a vida da população local, a assistir a dança, música, teatro, etc.
“É importante que a direcção da cultura e todos aqueles que trabalham nesta área se preparem condignamente para mostrarem aos visitantes o modo de vida das populações locais, os pontos turísticos, monumentos e sítios históricos”, explica.
Falando do Museu Provincial, o mesmo possui uma sala colonial, na qual encontramos bustos e documentos, sala de caça e da antropologia, com alguns utensílios domésticos. Na mesma encontram-se peças de artesanato de diferentes localidades do país e, do outro lado, a fauna marinha.
Sobre o grupo etnolinguístico da região, sobretudo os Hereros, Martinho Jamba avança que está subdividido em pequenos subgrupos como os cuvales, mundimbas, chavicua, muacaonas.
Os hábitos e costumes da população Cuvale, dominante na região, resumem-se na maneira de vestir, nos utensílios domésticos e em alguns rituais típicos.
Existem dois grupos folclóricos, os Valuanjas e os Veiocutala, que representam as danças locais. A direcção da cultura local pensa organizar, na devida altura, espectáculos pontuais.
Situada no Litoral Sul de Angola, o Namibe possui um clima temperado, com temperaturas que variam entre 17 e 26 graus. A província apresenta uma vasta região desértica e outra semidesértica.

Actividades culturais
estão a ser preparadas

Os visitantes que se hospedarem na província na altura da Taça Orange 2010, principalmente os estrangeiros, poderão levar como lembranças peças como estátuas, máscaras, que representam a população da província. O pensador, que os artesões desta região têm estado a fazer com esmero, destaca-se entre estas.
No que toca ao teatro, a Direcção Provincial da Cultura promove espectáculos todos os domingos.
Nesta altura, o sector controla sete grupos e existe um programa de actividades, em parceria com a direcção do Comércio, Hotelaria e Turismo. Estas artes serão salvaguardadas, segundo Martinho Jamba, ele que garante que, no que concerne à música, a província tem bons valores. “Pensamos que os visitantes vão deleitar-se com música, teatro e dança”, crê.
Para Martinho, os munícipes e todos os actores culturais devem dar o seu contributo para que os visitantes se sintam bem.
O homem forte da cultura local acredita no sucesso de Angola na competição, pois, ao que cogita, apesar de faltarem poucos dias para a prova “o novo treinador está a fazer um bom trabalho e quase a encontrar os vinte e três futebolistas que vão estar em campo”.
“Apesar do cepticismo que paira na mente dos angolanos, acredito na nossa selecção”, diz.