Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Reportagens

NEGÒCIOS - Manuel Fernandes sai do Leiria sem o prémio de 300 mil euros

22 de Outubro, 2009

Manuel Fernandes rescindiu o contrato que o ligava à União de Leiria

Fotografia: AFP

O treinador Manuel Fernandes rescindiu o contrato que o ligava à União de Leiria para ir orientar o Vitória de Setúbal, perdendo o direito a 300 mil euros de prémio pela subida dos leirienses à Liga Sagres.
A rescisão do contrato, que tinha vigência até ao fim da presente época, foi confirmada pela SAD da União de Leiria, que se manifestou surpreendida pela atitude do treinador e a capacidade financeira do Vitória de Setúbal.
“Manuel Fernandes desistiu do prémio de 300 mil euros a que tinha direito se ficasse até Maio. Para grande surpresa nossa, ele desistiu da União de Leiria e do prémio a que tinha direito pela subida de divisão, caso cumprisse o contrato até final”, disse à Agência Lusa o administrador da SAD e presidente do clube, Mário Cruz, sem adiantar o nome do técnico sucessor.
O dirigente acredita que o Vitória de Setúbal “fez um contrato milionário com Manuel Fernandes”, porque “só isso explica a decisão de saída” e a consequente perda de 300 mil euros.
“É estranho que o Vitória de Setúbal ainda há pouco tempo assumisse problemas financeiros e agora tenha capacidade para fazer a um treinador uma proposta que cobre centenas de milhares de euros. Passaram do oito para o 80. É uma grande capacidade de gestão por parte do Setúbal”, ironiza Mário Cruz.
O administrador da SAD sublinha que a União de Leiria “não deve um euro a Manuel Fernandes” e que este, por sua vez, “fica a dever dinheiro” ao clube.
“A SAD adiantou-lhe 10 mil euros do prémio de subida, convencida de que ele cumpria o contrato. Agora esperamos que Manuel Fernandes devolva esse dinheiro. Com o contrato que fez com o Setúbal terá bem possibilidade disso...”, afirmou.
Mário Cruz garante também que “não existia qualquer incompatibilidade entre Manuel Fernandes e o presidente João Bartolomeu”.
“Já ouvi notícias que apontavam para isso, mas não havia qualquer incompatibilidade. A verdade é que foram questões financeiras que motivaram a saída de Manuel Fernandes. Faltou-lhe coragem para assumir isso”, sublinha o administrador.

iSport quer entrar na F1
com Bruno Senna em 2010

Se o mercado de pilotos ficou praticamente estagnado entre 2008 e 2009, com apenas uma alteração na composição da grelha, a saída de David Coulthard da Red Bull, substituído por Sebastian Vettel, e a entrada de Sébastien Buemi na Toro Rosso, a situação deve ser bem diferente na próxima época.
Ao menos se as intenções demonstradas por várias equipas de entrar na F1, no próximo ano, se concretizarem. A revista electrónica alemã “Motorsports-Magazine.com” revelou que a iSport pretende ingressar na categoria, em 2010. E com o brasileiro Bruno Senna num dos seus carros.
O chefe da equipa da GP2, Paul Jackson, afirmou que pensou na ideia após Max Mosley apresentar a proposta de um limite orçamentário de 30 milhões de libras (cerca de 4.200 milhões de kwanzas) por época para cada clube. “A minha meta é mostrar a algumas pessoas na F1 que eles estão a atirar dinheiro pela janela”, disse o dirigente.
Sobre o porquê de não investir numa equipa que já esteja na grelha, Jackson disparou contra a estrutura das dez escuderias que participam do Mundial. “As equipas que existem hoje não estão preparadas para uma operação limitada a 30 milhões de libras por ano. Por isso, será melhor começar do zero. Estamos acostumados a fazer um grande trabalho com recursos limitados”.
Além do tecto orçamentário, Jackson declarou que pretende impor um tecto salarial de  100 mil de libras (14 mil milhões de AKz) na equipa, e se inclui no pacote. “O que deveria levar as pessoas à F1 é o desejo pelo sucesso. Se alguém está atrás de muito dinheiro, deveria procurar em outro lugar”, explicou.
Por fim, o dirigente falou sobre qual piloto gostaria de ver sentado no cockpit de um dos seus carros no próximo ano. “Queria ter Bruno Senna conosco. Isso seria fantástico; estou convencido de que ele pertence à F1”, concluiu.

Crise afecta grandes construtoras

As grandes marcas, que investem milhões de dólares no desporto motorizado, estão a abandonar as competições diante da crise internacional. Neste contexto, encontram-se a F-1-Honda, ALMS-Audi, Rally-Suzuki, Rally-Subaru e MotoGP Kawasaki.
Diante de uma grave crise económica, essas empresas diminuíram muito as suas vendas de veículos, directores que decidem o futuro estratégico das organizações, cortam gastos que não são prioritários ou que não trazem muitos resultados.
Pode-se ainda destacar uma gestão muito fraca em relação aos resultados conquistados das equipas que estão a deixar esses mundiais, a não ser a Audi e a Subaru, que venceram com alguma regularidade.
O desporto motorizado depende muito dos investimentos das fábricas de automóveis, mas esse radicalismo de querer comandar uma equipa está a demonstrar que não apresenta resultados eficientes aos comparados com equipas particulares, que apresentam anos de experiência no automobilismo, que não desistem mesmo diante das crises, porque a maior motivação não é apenas apresentar relatórios empresariais para os patrocinadores e sim a paixão de colocar uma máquina e um piloto em busca do limite.