Jornal dos Desportos

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Reportagens

Niki Lauda correu pela primeira vez em 1968

04 de Abril, 2011

Nas páginas de ouro da Fórmula 1 há um piloto austríaco que conquistou merecidamente o respeito e hoje ao escutarmos o nome de Niki Lauda lembramo-nos dos três títulos.

Fotografia: AFP

O piloto austríaco não era o mais veloz na pista, mas sua inteligência e talento levaram-no a conseguir três títulos mundiais na Fórmula 1. Nas páginas de ouro da Fórmula 1 há um piloto austríaco que conquistou merecidamente o respeito e hoje ao escutarmos o nome de Niki Lauda lembramo-nos dos três títulos que ele ganhou: dois com a Ferrarri e um com a McLaren. Lauda nasceu em 22 de Fevereiro de 1949 no seio de uma abastada família de Viena, cujo estado social foi problemático e proveitoso ao mesmo tempo. Ficou claro, desde o começo, que rótulos familiares convencionais não cabiam nos Lauda, mas as conexões familiares facilitaram na hora de obter empréstimos para custear os gastos com a carreira de piloto.

Foi um interesse nato que fez com que Lauda se sentisse atraído pelos automóveis e pela carreira desportiva. Disputou a primeira corrida em 1968. Apesar da desaprovação do pai, correu primeiro na Fórmula 3 antes de, em 1971, se aventurar na Fórmula 2, comprando uma vaga na escuderia March, onde formou equipa com Ronnie Peterson e logo na BRM. As suas habilidades como piloto chamaram a atenção de Luca di Montezemolo, da Ferrari, que o levou, com a equipa do "cavalinho empinado", para dois campeonatos mundiais.

A carreira

O primeiro ano de Lauda na Ferrarri, 1974, trouxe também a primeira de 26 vitórias na Fórmula 1, mas foi em 1975, que ele considerou "um ano inacreditável", que ganhou o primeiro campeonato mundial, conseguindo cinco vitórias durante a temporada graças a um carro muito superior aos dos adversários. Mas o ano pelo qual o austríaco é mais lembrado não o viu triunfar. Durante o Grande Prémio da Alemanha, em 1976, em Nürburgring, ficou gravemente ferido. O seu carro saiu da pista, chocou com um muro, voltou à pista, bateu noutro automóvel e incendiou-se. Foi retirado do meio das chamas, com lesões pulmonares e queimaduras no rosto.

Entrou em coma

De volta ao circuito seis semanas depois do acidente, Lauda confessou que naquele dia estava petrificado de medo. Foi para o campeonato mundial em 1977, apesar de ganhar somente três corridas nesse ano. Abandonou a Ferrari e fez duras críticas a equipa, mas acabou por se retratar, o que lhe permitiu ser embaixador extra-oficial da fabricante. Em 1978 assinou com Bernie Ecclestone e Gordon Murray da escuderia Brabham, mas o êxito não foi o esperado pelo trio, especialmente devido ao fraco funcionamento do motor Alfa de 12 cilindros que equipava o automóvel, e no Grande Prémio do Canadá de 1979, dois anos depois de saída da Ferrari, decidiu que já não queria competir e retirou-se da F-1.

Dedicou-se nos anos seguintes à sua companhia aérea e a ser comentador de televisão. Lauda não era mais rápido do que os rivais. Não gostava de arriscar além do necessário. Foi bem sucedido porque tinha o mesmo tipo de confiança dos megalomaníacos, sem ter as suas psicoses. Apesar de ter sido mau aluno na juventude, manifestava muita inteligência num ramo desportivo onde esse factor é determinante. Pode ter havido pilotos melhores do que ele, mas nunca outro igual.