Jornal dos Desportos

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Reportagens

"Novos ventos para a vela"

24 de Junho, 2015

Os jovens desportistas presentes durante a reunião, cerca de duas dezenas e meia, demonstraram que a vela precisa de uma “aragem fresca”, notou-se a ausência dos mais “velhos”.

Fotografia: Jornal dos Desportos

No longínquo ano de 1976 ( um ano após a independência nacional), estiveram reunidos os verdadeiros amigos da vela com o propósito de ressurgir e massificar a modalidade, nas instalações do então, Posto (hoje, Clube) Náutico da Ilha de Luanda. Tendo em conta a tamanha preocupação de voltar a ver o país na sendo do desporto em grande, quer a nível do continente como no mundo, esteve presente nesta mesma reunião, o camarada, Pedro Augusto, antigo Director - Geral da Juventude e Desportos com o propósito de ouvir duas dezenas e meia de jovens desportistas, voltados para a prática da vela.

Os jovens desportistas presentes durante a reunião,  cerca de duas dezenas e meia, demonstraram que a vela precisa de uma “aragem fresca”, notou-se a ausência dos mais “velhos”. Na ocasião,  foi durante a reunião dos verdadeiros amigos da vela, vários presentes aproveitaram a oportunidade para falar dos problemas da vela de ontem e de hoje,  o que levou de certa forma à unanimidade de opiniões de que no passado a vela angolana sempre navegou por “águas turvas”.

O Camarada Joaquim de Almeida, um dos jovens que após o “25 de Abril” tomou a iniciativa da reestruturação da vela, focou a boicotagem exercida então por grupos fantoches da UPA/ - FNLA/ UNITA ao aperceberem-se que era intenção transformar a vela numa modalidade ao serviço do povo.
Outro dos “novos” presentes na reunião, camarada Costa, focou a possibilidade de serem construidas no nosso país barcos de classe “optimist” pelos próprios velejadores, os quais podem servir para a iniciação da massificação da modalidade.

O assunto da vela, inserida no contexto político do país, foi amplamente debatido pelos presentes, tendo o camarada Director Geral da Juventude e Desportos salientado que "é necessário caracterizar politicamente a vela angolana, sobre quem a pratica e o que vai ser a vela no futuro”.  Frisou ainda o camarada Pedro Augusto, que “não podia conceber que na Angola de hoje existam clubes que pratiquem o desporto ‘privado’”e lembrou que o “desporto terá de ser democrático e sem arbitrariedades de espécie alguma, sob a orientação política do M.P.L.A”

Depois de recordar “a necessidade do surgimento do desporto da vela” pediu uma análise concreta sobre a vela em todos os sectores, quer privado quer estatal, e a definição de fórmulas de actuação em conjunto. Foi depois apresentada a seguinte proposta, que mereceu a aprovação de todos os presentes: Que se forme um Grupo dinamizador da Vela, criado a partir da Comissão de Salvação da Vela. Que este grupo se denomine: Comissão de Dinamização da Vela.

O grupo dinamizador pode dividir-se em dois subgrupos: Um de inventário e contacto com os clubes. Outro para planificar o contacto com a D.G.J.D. o Plano de Acção Imediato. O primeiro sub-grupo vai entregar o trabalho no prazo de dez dias. O segundo sub-grupo vai concluir o trabalho no prazo de 30 dias. A Comissão vai reunir periodicamente, com todos os interessados na massificação da Vela.

Na Comissão vão ser incluídos elementos  das C.P.B., O.P.A e J.M.P.L.A da zonas ribeirinhas principalmente. Começa agora uma nova vida para a vela angolana, livre de elitismo do passado e voltada para o povo. “Firmeza no leme" para não haver desvios da linha traçada pela Vanguarda do Povo Angolano, o glorioso M.P.L.A - E.P

FIGURA
EX-PRATICANTE DE ANDEBOL
JULIETA LEMOS " CAMI"


O eterno título de pioneira do andebol angolano, depois da proclamação da independência, faz de Julieta Lemos Ferreira ou simplesmente “Cami” uma figura incontornável na historia da modalidade. As lembranças vividas no Clube Ferroviário de Angola e na Selecção, ao lado das andebolistas, Milú, Carocha e tantos outros nomes consagrados que contribuíram para que Angola atingisse o patamar que hoje exibe, quer no continente como no ranking mundial, não impedem que se soltem teimosas as lágrimas desta figura do andebol nacional.

Com passagem também pelo Sport Luanda e Benfica, nem a ida para a província do Namibe, em 1980 na companhia da mãe, não o separou da convivência e prática do andebol. “Cami” é a convidada do Jornal dos Desportos desta edição, por isso acompanhe.

Já era desportista antes de 1975?
Antes da proclamação da independência nacional era apenas desportista amadora e praticava as modalidades de ginástica e mini - basquetebol, no Sport Luanda e Benfica, onde hoje é a sede das instalações do Atlético Petróleos de Luanda. Seguidamente em 1975 com Angola independente, registou-se de forma considerável  um grande vazio no desporto, devido à situação que o país enfrentava  e um ano mais tarde fui para a antiga Escola Industrial Oliveira Salazar, que no ano  seguinte mudou de nome para Escola Industrial de Luanda e hoje, é conhecida por Liceu Técnico Bula Matadi. Até que, a convite  do nosso colega e professor “Spínola”,  um grupo de estudantes foi para o Sporting Clube de Luanda de onde a Branca Campos funcionária da R.N.A praticou andebol e o outro grupo para o Clube Ferroviário de Angola, inclusive eu, a Milú, a Carocha e tantas outras atletas.

Com a independência sentiu-se realizada enquanto desportista?
Sentíamos realizadas sim!, pois éramos jovens, colegas de Escola e do andebol e acima de tudo, cheias de energias para praticarmos o desporto.
Sentíamos essa vivência a cada dia, éramos apenas uma família , tanto no Ferrovia como na nossa Escola. Essa intimidade prevaleceu até hoje, desde a  altura que ainda eramos as pioneiras do andebol.

Mas prevaleceu a paixão pelo desporto?

Apesar das adversidades da vida, devo apenas dizer que prevaleceu a paixão pelo desporto. Recordo que tive de interromper a prática do andebol, isso em 1980, devido a mudança de província. Fomos para o Namibe e curiosamente neste mesmo ano, naquela província iniciava a inserção do programa de prática desportivas quer nas escolas e no clubes. Quanto a mim, apenas pratiquei o andebol na escola onde estava a estudar, no Namibe.  Esta mesma paixão pelo desporto tem influenciado a minha vida, pois até hoje, a maioria das pessoas que me conhecem no andebol, desde o Sporting de Luanda até ao Clube Ferroviário de Angola, tratam-me como a pioneira do andebol no pós independência

É tempo considerável, como é vista nessa modalidade?
Volto a dizer que na história do andebol nacional, isso é, depois da proclamação da independência, quer eu, a Milu, Carocha, a Palmira Barbosa e muitas outras colegas dessa altura cujos nomes não me vêm à mente, tenho a dizer que somos vistas e tratadas como as pioneiras do andebol.

O que mais a marcou ao longo destes anos de independência nacional?
São tantas as marcas que ao longo destes 40 anos de independência  tenho guardado, por exemplo recordo-me que na altura ainda como atleta da nossa Selecção de Andebol, apesar das dificuldades conseguimos conquistar muitas taças, durante os campeonatos em que participávamos, como  também o primeiro Campeonato Africano de Basquetebol realizado em Luanda, de onde erguemos a Taça em nossa casa.

O andebol tem um momento especial na sua actividade?
O andebol é uma das modalidades mais regulares, praticada pelas camadas jovens no país e a nível feminino, continua a ser uma das melhores em África. Reconhecemos também que nos últimos anos, o masculino tem-se registado de forma crescente e aceitável.