Jornal dos Desportos

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Reportagens

Nunca houve assdio sexual na Seleco

Valdia kambata - 11 de Maio, 2010

Alberto Matos, director tcnico da Federeao Angolana de Judo

Fotografia: Jornal dos Desportos

Como foi a preparação da Selecção Nacional de Judo para o Campeonato Africanodos Camarões?
Não foi como pretendíamos, pois tivemos pouco tempo. A data da realização do "Africano" foi alterada de Maio para Abril e por isso não tevemos alternativa senão primeiro realizarmos o campeonato nacional e através deste convocar os atletas.

Não foi possível fazer mais...
O reduzido valor pecuniários que a federação recebe do Orçamento Geral do Estado, não nos possibilita fazer muita coisa, razão pela qual, e como é lógico, não proporcionamos as melhores condições. Apesar disso, acreditamos melhorar dentro em breve.

Que critérios usou para a escolha dos atletas?
Como em qualquer outra modalidade, e o judo não foge à regra, independentemente de serem ou não campeões nacionais, os atletas para fazerem parte da selecção nacional devem obedecer os seguintes requisitos: respeitar, em primeiro lugar, o ritual do judo, serem disciplinados, humildes, trabalhadores, corajosos e, acima de tudo, terem ambição. Caso contrário não podem fazer parte da selecção.
 
O resultado obtido enquadra-se naquilo que esperavam?
Esta selecção foi renovada a cinquenta por cento para o campeonato africano. Foram três atletas, nomeadamente Antónia de Fátima, Ângelo António e Elma Bartolomeu, todos com experiência internacional. É lógico que esperávamos mais, mas estou satisfeito pelas duas medalhas e o quinto lugar da Elma nos +78 quilogramas até porque nunca trossemos mais do que isso. Em relação a atletas como Nair Garcia, Eduardo Salgueiro e Leonel Ferreira, são caloiros nestas lides, mas estiveram bem. Continuaremos a apostar neles e noutros que queiram trabalhar connosco.

Ainda assim esta foi uma das melhores participações de sempre...
Em termos de resultados em campeonatos africanos, sem ter medo de errar, desde 2002 até 2010, este ano, nos Camarões, foi o campeonato em que pela primeira vez Angola conquista duas medalhas de bronze, uma por Antónia de Fátima e outra através de Ângelo António. Em todas as outras competições, só trazíamos uma medalha, tal como aconteceu em 2006 por Antónia de Fátima e outra foi  os Pan-Africannos da Argélia, por intermédio de Denis Silva, competição em que Antónia de Fátima não participou.

Que selecções nos deram mais trabalho?
Os países árabes, até porque investem muito no desporto e são muito sérios a fazê-lo.

Selecção em processo de renovação

Em que aspectos acha que devemos melhorar nas  próximas competições?
A nossa equipa tem de melhorar muito em quase tudo, desde a cultura de treinamento de alta competição à mentalidade.  

No geral, como caracteriza a nossa selecção?
É lamentável que os atletas convocados condicionem a sua participação nos treinos ao facto de serem indicados para viajar. Isto herdaram do passado das selecções masculinas, tanto mais que os treinadores só divulgavam a lista dos atletas um ou dois dias antes da viajam para o palco da competição.

Deste modo torna-se dificil fazer um bom trabalho…
Neste momento, está a ser muito difícil convencer os atletas a mudarem de mentalidade.

Esta é já uma selecção renovada?
Estamos a renova-la.

"Estamos a impor disciplina
e mudança de mentalidades"


Muitas vozes se levantamo contra si, desde que foi nomeado técnico da selecção nacional...
Após o término da minha Licenciatura, em 1997, e chegada a Angola, em 1998, fiz parte dos quadros técnicos da Federação Angolana de Judo. Fui Seleccionador Nacional Feminino durante muitos anos. As primeiras medalhas na classe feminina na história do judo angolano, isto é em 2002, no Torneio Internacional Kioshi Kobahashi, em Portugal, e no Campeonato Africano no mesmo ano, no Egipto, por intermédio de Antónia de Fátima (medalha de bronze), foi sob meu comendo. A partir daí, começou uma nova era no judo feminino. Jamais ficamos sem medalhas em todas as competições em que participaram atletas femininas formadas e preparadas por mim.

Fala-se em mau relacionamento com os atletas...
Estamos a renovar a selecção, a impor disciplina e mudança de mentalidades. Exigimos aos atletas que tenham uma cultura profissional, que cumpram rigorosamente com os regulamentos das selecções nacionais, algo que não está a ser bem visto e nem entendido por muitos atletas e até mesmo técnicos, acostumados a trabalhar na base da amizade e do negócio entre ambos. É por esta razão que vozes se levantam contra o neu trabalho. Não estou preocupado com isso; continuarei a fazer o meu trabalho. Quem quiser acompanhar as mudanças vai continuar connosco; quem não quiser, terá de ser afastado.

É verdade que afastou propositadamente alguns atletas como, por exmplo, o Denis Silva?
A nossa missão na selecção nacional é trabalhar em benefício dos próprios atletas. Todos os que não estiverem satisfeitos, é lógico que têm de se retirar. O atleta Denis Silva foi aos Jogos da Lusofonia por insistência minha, na medida em que já não fazia parte do nosso projecto por ser  indisciplinado, covarde, sem humildade e agitador de grupo. Foi ele quem se afastou da selecção nacional, apesar de justificar o seu fracasso questionando o tipo de preparação.

Como director técnico, mantem contacto com outros treinadores?
Neste momento não sou técnico da selecção nacional. Sou director técnico e coordenador das selecções nacionais. Criamos comissões técnicas para cada selecção e, na altura de alguma viagem, indicamos um deles para acompanhar o grupo.

Como caracteriza o relacionamento com outros treinadores?
Fala-se em animozidade com o treinador do Sagrada Esperança, mestre Sousa…
Como não sou falso, acho que tenho boas relações de trabalho e amizade com os atletas e técnicos com o Sensei André de Sousa. Sempre fomos bons amigos e companheiros de trabalho. Isto vem desde 1999, como seleccionador feminino e ele como seleccionador masculino. 
          
Porque lavar a roupa suja em casao, ao invés de levar Denis Silva a tribulnal?
A nível interno não existe problema nenhum. Se o atleta Denis Silvaa falou em assédio sexual, é porque tem provas. Já que as tem, então vai responder perante a justiça.

Judoca poderá responder em tribunal

Foi acusado de assedio sexual a atletas.É verdade?
Quando Denis Silva se refere de assédio sexual, tenho a certeza que não conhece a sua definição. Ele está frustrado, inconformado. As declarações que faz são infundadas. Ele terá que responder em tribunal. O caso está a ser tratado com o meu advogado. Brevemente teremos os resultados.O que posso garantir é que nunca houve assédio sexual na selecção.

O presidente da federação está ao corrente deste caso?
Quando divulgamos a lista definitiva dos atletas que iriam aos Jogos da Lusofonia, ouvimos rumores e comentários menos bons, no seio de alguns atletas e treinadores não seleccionados. Para acabarmos com as dúvidas, no jantar de despedida, antes de embarcarem à Portugal, a direcção da federação chamou uma das atletas envolvida neste assunto, a Sandra, para esclarecer a situação e tudo não passou de mera especulação.

Foi por este motivo que não convocou a respectiva atleta?
Para os Jogos da Lusofonia, dos sete lugares a que o judo teria direito, reduziu-se para três. Por essa razão, a escolha recaiu para os judocas com mais experiência e habituados a competições do género, até porque nos foi exigido resultados. Aconselho aos atletas a continuarem a trabalhar, a serem humildes, pois, no momento certo, terão oportunidade.

O facto de ser preparador físico do Santos Futebol Clube, director técnico da Federação Angolana de Judo e treinador da modalidade não lhe causa didificuldades?
Como Licenciado e profissional, sempre que for chamado a dar o meu contributo ao desporto nacional, em qualquer área, estarei disponível desde que o meu tempo permita.