Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Reportagens

"O balano da poca positivo"

26 de Novembro, 2009

Como caracteriza a modalidade em Luanda?
Encontra-se em boa fase. Os campeonatos provinciais decorrem de forma regular. A prova em seniores masculinos terminou de forma positiva e agradável. Fizemos uma finalíssima entre Kabuscorp e 1º de Agosto. Em feminino, sabemos que o Petro de Luanda continua a ser a equipa que vence tudo e todos. 

Em gesto de balanço, fale sobre a época que terminou?
O balanço é positivo, porquanto em dois campeonatos nacionais conseguimos vencer dois títulos e temos boas perspectivas para com os juniores. Acredito que em juvenis também vamos aparecer muito bem e, no cômputo geral, a nossa associação conquistou o maior número de títulos.   

Que perspectivas tem para o próximo ano?
Estamos a preparar um encontro com os treinadores, primeiro em seniores, no sentido de preparar a época em termos de campeonatos provinciais e diferenciar como, por exemplo, as finais dos campeonatos que vamos fazer, de formas a que os jogos sejam mais regulares, com menos tempo de paragens e as equipas tenham uma boa rodagem. Também ambicionamos reunir com os treinadores das equipas mais jovens para programarmos competições diferentes. Vamos começar o próximo ano com um refrescamento das equipas mais jovens. Vai ser uma imposição da associação de modo a que todos os treinadores façam este curso, sob pena de não poderem orientar durante a época.

Falou de técnicos, e quanto à arbitragem?
Do mesmo modo, vamos preparar refrescamento para árbitros, pois só assim estaremos em condições de abrir a época. Sendo assim, acreditamos que podemos fazer uma temporada melhor, em termos desportivos, em relação a que vai terminar. 

O que de concreto pretendem com a formação de árbitros?
Este ano, fizemos um seminário, por altura de 20 de Maio, no qual foram prelectores os professores Paulo Pereira, Cirilo e José Nóbrega. Ao nível da arbitragem, fizemos uma formação para estagiários em que participaram 38 pessoas, das quais ficaram 28. Como disse, os mesmos já estão a desempenhar as suas funções.

"Luanda é a força do andebol angolano"

O que diz sobre o regresso das equipas seniores (masculino e feminino) do Ferroviário e do Interclube em masculino?
Para nós, as equipas vieram dar outro perfume à modalidade. Isso leva-nos a dizer que as pessoas acreditam no andebol. As instituições que regulam a modalidades devem ficar felizes com isso e pedir a equipas como o Petro de Luanda, o Benfica de Luanda, entre outras, no sentido de aparecerem para que tenhamos, no mínimo, dez equipas, tanto em masculinos quanto em femininos, o que seria muito bom.  

Em termos de desenvolvimento, que diferença existe entre o andebol praticado em Luanda e no resto do país?
Acho que isso tem muito a ver com as apostas feitas pelos respectivos clubes. Nesse sentido, Luanda é a maior praça, onde há maior disponibilidade financeira, com clubes e não equipas. É só para ver como as coisas funcionam, porque quando se fala de clubes é porque existem outras modalidades. Em Luanda, as equipas procuram diversificar ao máximo e existe mais disponibilidade e possibilidade de patrocínios.   

De concreto, que papel a associação desempenha para o desenvolvimento do andebol em Luanda?
A Associação Provincial de Luanda é a mais titulada em África. É assim que carregamos as selecções tanto masculinas quanto femininas. Se não houver andebol em Luanda, não há em Angola. Luanda é a força motriz do andebol no país.

Treinadores e árbitros beneficiam de formação

O que está na agenda para os próximos anos à frente da associação?
Fomos eleitos por via de um programa, no qual estavam plasmadas algumas acções, como sendo a formação de treinadores, em que nos comprometemos que até 2011, só técnicos com alguma formação é que podem orientar as equipas em Luanda. Estamos a trabalhar para o efeito. O mesmo acontece com a arbitragem, em que neste último ano nos comprometemos em ter um certo número, isto até 2012, altura em que cessa o nosso mandato.

Que área será prioridade?
Começamos este ano a formar árbitros. Temos nesta altura 28 estagiários formados e que já estão em pleno exercício das suas funções e que estão a fazer jogos regulares. Também nos comprometemos a ajudar equipas e núcleos com material desportivo. Para o próximo ano, já temos o material connosco e pretendemos fazer a entrega no mês de Janeiro ou Fevereiro, por altura dos campeonatos dos nacionais em juniores. Assim, como a inserção da nossa página da Internet, que já está no ar mas a precisar dos últimos acertos de maneiras a continuarmos a trabalhar na melhoria da nossa área administrativa e financeira assim como as nossas acções. 
 
Qual é o orçamento necessário para a execução do vosso programa?
Quando não se tem patrocinadores fixos, fica difícil dizer que se precisa de um orçamento (Y). Mas temos apoios quando realizamos actividades pontuais. A título de exemplo, podemos dizer que temos uma média de cinco patrocinadores que são o BIC, na condição de permanente. Há mais de oito anos, a Angloer, a Rádio Vial, Américan Cola são sponsors pontuais, virados para algumas situações do género. Neste sentido, não é possível dar números fixos em termos pecuniários, porquanto o patrocinador hoje dá e amanhã não. Preferimos não falar de orçamentos.

Quais são as maiores dificuldades que a associação enfrenta?
Os problemas financeiros têm sido o nosso calcanhar de Aquiles. Há menos de um ano, começamos a fazer um torneio infanto-juvenil. É um torneio em que, no fim do ano, convidávamos algumas províncias. Este ano, por dificuldades financeiras, não o vamos fazer na data prevista, porque nesta altura teremos o campeonato nacional de juvenis a decorrer. Se a associação tivesse disponibilidade financeira, poderia fazer agora, dia 5 de Dezembro, o infanto-juvenil e depois lançaríamos o Campeonato Nacional de Juvenil, mas que não vai acontecer por razões financeiras. Saiba que, projectos existem, mas para serem executados são necessários valores monetários.

Em termos de projectos, o que têm para a próxima época?
Estamos a discutir com a federação assuntos relacionados com a transferência de atletas. Pretendemos ter um regulamento que diga que o jogador por ano só pode estar numa equipa, ao contrário de em anos passados em que o atleta, no meio da época, terminava o contrato por qualquer situação e desvinculava-se da sua equipa, o que, a nosso ver, está errado. Estamos a propor, junto da federação, fazer duas épocas de inscrições, o que quer dizer que um jogador, durante o ano, pode representar uma segunda equipa em carácter definitivo.

Explique-se melhor…
É norma, noutras federações, que tanto a associação que transfere o atleta quanto a federação, devem ter compensação financeira pela transferência, que é dividida entre a associação e a federação. Em termos de regulamentação, é esta novidade que junto da federação estamos a envidar todos esforços para que, no próximo ano, possamos começar a contar.

Por dentro

Nome: Francisco
Paulo Lourenço
Naturalidade: Luanda
Nacionalidade: Angolana
Data de Nascimento: 22/04/1971
Estado civil: Casado
Filhos: Duas meninas
Desporto ideal: Andebol
Tabaco: Contra
Música: Kizomba
Prato preferido:
Funge com Calulú
Perfume: Hugo Boss 
Cor preferida: Azul
Religião: Católica
Segue moda?: Não
Calor ou cacimbo?: Cacimbo
Livros: Literatura angolana
Esplanada ou discoteca?:
Esplanada 
Boleia ou volante?: Volante
Droga: Contra
Província: Huambo
Quem levaria para uma Ilha
desabitada?: A esposa