Jornal dos Desportos

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Reportagens

O bloqueador de Pinar del Rio que quer vir trabalhar a Angola

Augusto Fernandes - 17 de Abril, 2013

Yosenky Garcia Diaz Bicampeao de voleibol

Fotografia: Augusto Fernandes

O voleibolista cubano Yosenky Garcia Diaz, 36 anos, que foi um dos melhores atletas daquela ilha caribenha nos anos 90, assegurou ao Jornal dos Desportos que aceitaria com muita satisfação trabalhar em Angola no âmbito dos protocolos de cooperação existentes entre os dois países.

“Aceitaria com muito prazer dar o meu contributo para o desenvolvimento do desporto angolano, particularmente na modalidade em que me notabilizei”, confirmou o exímio desportista cubano antes de começar a contar a sua história na modalidade em que mais se notabilizou.

Segundo Yosenky Diaz, as poucas informações que tem de Angola remontam ao ano de 1997 quando a selecção nacional de voleibol de Cuba defrontou a sua congénere de Angola no quadro de preparação do torneio Centro-Americano.

“A partir daquela data fiquei com muito boa impressão da vossa equipa e do próprio povo angolano. Seria muito gratificante para mim trabalhar em Angola (…)”, fez questão de sublinhar ainda.

TRAJECTÓRIA DE DIAZ
Pela selecção cubana, Yosenky Diaz, como “bloqueador /atacador”, foi duas vezes campeão mundial, três vezes campeão Panamericano, duas vezes campeão Centro-Americano e ganhou uma Copa América.

Na Europa, Yosenky sagrou-se campeão da Itália pelo Acise Milão. Entre outros voleibolistas, teve como companheiros de quadra, Pablo Madeiro, Alain Rocka, Jeovani Hernandez, Jean Luca Musso e Osvaldo Hernandez.

Yosenky Diaz começou a praticar o Voleibol aos quatro anos de idade na escola infantil em Pinar del Rio (Cuba). De tenra idade já se destacava dos demais, até porque, além da sua elevada altura e estatura era também muito habilidoso e despertava a atenção de muitos.

 Além do voleibol, Yosenky Diaz também praticou natação e basquetebol. Aos 16 anos, em 1993, ascendeu à categoria de juvenis e fez parte da pré-selecção de Cuba de Voleibol que se preparava para o campeonato Mundial que se realizaria na Malásia em 1994.
* COM JOÃO FRANCISCO


MARCO
Conquista do Mundial de Itália


Em 1998, a Itália organizou o Campeonato do Mundo e, quando a selecção cubana de voleibol despertava a atenção de muitos, pois vinha de muitas vitórias no seu continente, estava na boca de todo o mundo.

“Quando chegámos à Itália, a imprensa local estava muito atenta a nós. Além disso, os nossos jogadores eram muito cobiçados por clubes da Europa. Não foi fácil gerir a situação. Sabíamos que estávamos ali para representar o nosso País e tudo fazer para levar a taça Mundial”, lembra-se.

Na primeira fase daquele Campeonato Mundial, um dos mais disputados dos anos 90, os cubanos não tiveram muitas dificuldades e foram impondo o seu jogo.

“Temíamos cruzar com a Itália e Rússia nas primeiras fases e felizmente tal não aconteceu. Assim, quando atingimos a meia-final vimos que poderíamos chegar à final e ganhar o torneio, independentemente de quem fosse o adversário. E assim aconteceu. Vencemos na final os “donos” da casa e mais uma vez erguemos a taça Mundial”, recorda-se Yosenky.

Com a conquista do Mundial da Itália, o interesse pelos jogadores cubanos aumentou. Assim, Yosenky foi contratado pelo Acise Milão, onde actuou uma época e se sagrou campeão de Itália em 1999. No segundo ano, jogou pelo Brechia Montgliar. Ainda na Itália, foi considerado o melhor bloqueador/atacador da liga A2.

Na Itália jogou com Andria Satored, que era considerado o melhor sacador do Mundo, Jean Luca Musso, considerado o passador mais baixo do Mundo, com 1,70m e muitos outros.

Em 2002, com apenas 25 anos de idade, teve de pôr fim à sua brilhante carreira por motivos de força maior. “Sinto que poderia fazer muito mais pelo meu País e por mim mesmo. Mas mesmo assim vejo nos olhos dos meus compatriotas um sentimento de gratidão por tudo aquilo que fiz na selecção cubana e isto anima-me muito”, concluiu.

Actualmente, Yosenky Garcia Diaz é treinador das selecções nacionais das camadas de formação de Cuba e vive no prédio “dos famosos” em Havana.

MOMENTOS
Final com a selecção russa para o mundial


Ainda em 1993, Yosenky Garcia conquistou o seu primeiro título Mundial ao vencer na final a forte selecção da ex-União Soviética.

“Dificilmente nos esqueceremos da final contra a Rússia. Eles eram os favoritos à conquista do troféu, pois tinham grandes executantes de renome Mundial na sua equipa e qualquer selecção que a defrontasse entrava tremida. Mas nós fomos pacientes e quando demos conta estávamos a erguer o cobiçado troféu Mundial. Houve muita festa e lágrimas de alegria”, recorda-se ainda.

Com a conquista deste troféu, a selecção estava destinada a repetir a proeza. Assim em 1996, Yosenky Garcia ascendeu à categoria de sénior e sempre a fazer parte da selecção cubana que na altura contava com jogadores como Alain Rocka, Geovani Hernandez, Pablo Medeiros e outros. Disputaram e ganharam o seu primeiro campeonato Panamericano, realizado na Venezuela. Voltariam a conquistá-lo em 1997. Em 1998 voltaram a conquistar o mesmo campeonato, no Canadá.

Visto que no mesmo ano às vezes disputavam-se dois campeonatos, em 1996, também ganhou o seu primeiro campeonato Centro-Americano e viria a reconquistá-lo em 97. Ainda em 1997, foi campeão da copa América realizada no Brasil.

Não temos dúvidas em afirmar que Yosenky Garcia passeou toda a sua classe no continente americano. Com o seu contributo, a selecção cubana passou a ser uma das mais fortes não só do continente americano como do Mundo, ao lado de selecções como a da Itália, Rússia, Estados Unidos e outras.


PING PONG
Jornal dos Desportos: Considera-se um homem realizado?

Yosenky: Não. Sou muito jovem e ainda tenho muito que fazer para me sentir realizado.

Qual foi o momento mais alegre da sua vida como desportista?
Creio que foi quando ganhei o Mundial de Itália e ter sido campeão no mesmo país. E o mais triste foi quando tive de abandonar a selecção cubana prematuramente.

POR DENTRO
Nome completo:
Yosenky Garcia Diaz
Filiação: Rolando Garcia e Olimpia Dias Miranda
Data e local de nascimento: Pinar del Rio - Cuba, aos 17 de Janeiro de 1977
Estado Civil: Solteiro
Filhos: Nenhum
Altura: Dois metros
Cor preferida: Branca
Prato: Mandioca com torresmo
Bebida: Rum
Clube do coração: Barcelona
Religião: Ioruba
Calçado: 46
Perfume: Desde que cheire bem
Treinadores que mais admira: Orlando Sanches, Juan Diaz e Andreias (actual treinador da selecção nacional de Itália)