Jornal dos Desportos

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Reportagens

O Capito do Golfe

Avelino Umba - 27 de Abril, 2010

Manuel Barros Pedro, capito do Clube de Golfe de Luanda

Fotografia: Paulo Mulaza

O que diz sobre o Clube do Golfe de Luanda?
O Clube de Golfe de Luanda existe desde 1935. Mas o primeiro campo da modalidade foi construído em Benguela, no mesmo ano, mais concretamente no Alto Catumbela. Um ano depois, foi construído o Campo do Golfe de Luanda e outros que apareceram depois, como o do Futungo de Belas (no espaço onde actualmente se encontra o complexo com o mesmo nome, construído em 1972). Naquele campo, jogou-se até 1977, tendo no mesmo sido disputado o primeiro torneio da modalidade denominado "Taça 1º Congresso do MPLA". Em 1993, iniciamos a construção do Campo do Morro dos Veados, inaugurado em 1996 pelo Presidente da Republica, José Eduardo dos Santos.

Quantos campos existem nesta fase?
Havia o Campo da Catumbela, do Huambo, do Dundo e o de Luanda, num total de quatro. Actualmente, temos o Campo do Morro dos Veados, o do Malongo (em Cabinda) e um outro já relvado na Barra do Kwanza, que deve ver inaugurados os primeiros novos buracos em Julho ou Agosto do ano em curso.

Porque até agora a modalidade não tem federação? 
Pelo facto da lei prever pelo menos cinco clubes, número que ainda não temos em Angola.
Estamos a tratar disso, no sentido das entidades orientadoras do desporto do país permitirem a constituição de uma federação de golfe.

Sem uma federação, como tem sido possível a participação em eventos internacionais?
Os jogadores mais conceituados, que participam em competições internacionais, estão filiados na Federação Portuguesa de Golfe, da qual dependemos.

Modalidade pode estender-se a todo o país

Pouco se fala do golfe...
Qualquer modalidade desportiva atinge grandes patamares por intermédio dos media. Precisamos que a comunicação social esteja junto de nós para a sociedade em geral saber da nossa existência. Não obstante isso, temos um projecto que visa expandir o golfe a todas as províncias do país. Precisamos de um carro para ir a uma faculdade fazer uma demonstração, para levar os tacos e jornalistas de diferentes órgãos da comunicação social. A falta de recursos financeiros é o grande empecilho a esse trabalho.

Fale do projecto que visa levar a modalidade a todo o país?
Temos um programa que vai começar a funcionar possivelmente este ano. A expansão do golfe necessita de outros elementos que talvez não estejam ligados ao desporto. Vamos precisar de falar com os governadores provinciais para indicar um local onde possamos construir um campo e formar alguns jogadores. Vamos precisar também de alguns empresários e da sociedade civil, no sentido de patrocinar a estadia do professor e dos seus adjuntos, assim como patrocínios para comprar tacos e bolas.

Quanto tempo precisa para concretizar esse objectivo?
Teríamos, no mínimo, um mês para a formação de jogadores e a futura direcção do clube que se vai formar. Durante esse período, estaria a construir-se o campo, solicitando tractores para fazer a terraplanagem e dentro de 40 dias, teríamos um campo igual do Morro dos Veados. O nosso objectivo é que, ao nível das províncias, haja um campo igual ao do Morro dos Veados. 

Quantos sócios existem de momento?
O nosso clube é um pouco diferente dos outros, na medida em que contamos com vários associados em vários países do Mundo. Não temos uma organização coesa para cobrar a quotização de todos os sócios espalhados pelo mundo. Temos apelado à sensibilidade das pessoas, no sentido de regularizarem a sua situação. Actualmente, o número de sócios ronda os 300.

Considera a modalidade cara?
Há alguns anos, a modalidade varia de país para país. Em Angola, o golfe não é caro, pois não temos custos de manutenção. Se tivéssemos um campo relvado, talvez pudéssemos dizer que a modalidade era cara.

Quer dar um exemplo?
Noutros países, a construção de um campo de golfe fica à volta de dois milhões de dólares. Com estes valores, pode-se fazer um campo com 18 buracos e a respectiva infra-estrutura, algo que no nosso país não acontece e não é possível. O campo do Morro dos Veados, por ser pelado, a quotização que se paga é de 400 dólares no início do ano e mais 200 dólares ao meio ou no fim, totalizando 600 dólares. No ano a seguir, paga apenas 200 dólares. A modalidade não é cara, comparativamente ao que muita gente gasta aos fins-de-semana em discotecas e salões de beleza.

Está a dizer que o material é barato.
Se formos à Namíbia ou à Africa do Sul, um saco de golfe custa entre 280 e 480 dólares e pode ser utilizado num período de 40 a 50 anos. Podemos comprar também os sapatos a 40 ou 70 dólares. As calças são as normais, desde que não sejam jeans. Nada fica caro. As pessoas é que não têm conhecimento. Em Portugal, por exemplo, uma aula ou um pacote de aprendizagem, até chegar a federação, fica em cerca de 200 euros.

Fraca adesão de jovens

Existem jovens a praticar o golfe?
Estamos preocupados com essa situação, pois não podíamos fazer um projecto que não tivesse fim. Para isso precisamos de um patrocinador forte que nos garanta apoios, uma vez que as crianças precisam de auxílio e cuidado especial. Precisamos de meios para os levar das suas áreas de residência para o campo, de um meio de transporte, lanches, condições que o clube não dispõe.
Os únicos jovens com que contamos são os nossos filhos e os seus amigos, assim como os "apanhadores de bolas".  
 
É verdade que o golfe não precisa de árbitro ou fiscal?
O golfe é uma modalidade que prima por três vertentes. Para ser golfista, precisa-se primeiro de ser honesto, respeitoso e ter boa educação. Cada um de nós é árbitro de outro, isso em torneios amadores, apesar de darmos formação para árbitros. Em grandes torneios, quando acharmos necessário, podemos constituir equipas técnicas, árbitros que velem por problemas que venham a acontecer no campo durante o jogo.

O jogo tem muito a ver com a honestidade de cada um...
Há uma regra que diz que quando o jogador tiver alguma dúvida sobre os seus direitos ou aquilo que vai fazer, deve jogar com duas bolas e, no fim do jogo, aclarar esta situação junto da comissão técnica para esta resolver. Esta é uma das regras e tem a ver, acima de tudo, com a honestidade.

Todos os jogadores devem comportar-se de modo disciplinado, ter cortesia e espírito de camaradagem, independentemente do lado competitivo...
Há sempre alguém com a intenção de violar, consciente ou inconscientemente, isso porque alguns jogadores não sabem contar. Falham determinado buraco, dão muitas pancadas e ficam sem saber ao certo se é oito, nove ou dez. O golfe é a única modalidade em que o adversário se regozija com o sucesso do outro e bate palmas, ao contrário, por exemplo, no futebol, em que um dá cotoveladas aos outros e estes saem lesionados.

Os jogadores devem assegurar-se de que ninguém está tão perto ou numa posição susceptível de ser atingido pelo taco, pela bola, pedras, areia, ramos ou algo semelhante, enquanto executam uma pancada ou um "swing". É verdade?
Esse é movimento que acontece normalmente em tiros de saída, onde há uma grande concentração de jogadores. Durante esse processo, no tiro de saída, há um movimento de exercício de aquecimento com movimentos de taco e outros. Nessa altura, algumas pessoas também fazem swing. Recomenda-se que é preciso ter em conta as outras pessoas de lado para se evitar situações nada abonatórias durante o jogo.

Perfil

Nome: Manuel Barros Pedro
Naturalidade: Rangel (Luanda)
Nacionalidade: Angolana
Data de Nascimento: 25.11.1951
Estado civil: Casado
Filhos: 18
Peso: 84 Quilogramas
Altura: 1,84m
Desporto ideal: Golfe, natação e atletismo
Prato preferido: Funji de calulu
Bebidas: Vinho
Princesa: A esposa
Religião: Católica
Segue à moda? Não 
Calor ou cacimbo? Cacimbo
Esplanada ou discoteca? Esplanada
Boleia ou volante: Volante
Droga: É contra.