Jornal dos Desportos

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Reportagens

O carrasco de Santinho

26 de Julho, 2010

Mamede destacou-se no Independente do Rangel

Fotografia: Jornal dos Desportos

Aos oito anos de idade, driblava num campo pelado de Maquela do Zombo, localidade que pertence administrativamente à província do Uíje. Aos 13 anos de idade, em 1975, em companhia da família, instala residência em Calomboloca (Icolo Bengo), em consequência da guerra. Dois anos depois, Mamede chega à 5ª Avenida, no bairro Cazenga, na cidade de Luanda. O novo ambiente não lhe era estranho. Mamede sabia correr atrás de uma bola ao lado de novos amigos. O jeito como tratava a bola valeu-lhe o convite para integrar na equipa de Dondinhos do Cazenga. O lado direito da defesa foi o seu forte. Em 1979, num torneio em representação da equipa do Cazenga, Mamede expeliu o seu forte, que lhe valeu o convite para colmatar a vaga no Independente do Rangel, que carecia de atletas com qualidades elevadas. Em companhia de outros amigos e colegas, fez o gosto do técnico Rochete, do Independente do Rangel, uma agremiação constituída por atletas provindos da equipa NZinga FC, do bairro Hoji Ya Henda, que havia sido extinta.No ano da estreia, em 1980, o Independente do Rangel foi considerada a melhor equipa júnior do Campeonato de Luanda, embora tenha perdido o título para o Petro de Luanda, por 3-2 com golos de Abel Campos e Gaspar. O brilharete de Nando, Quimbe, Guigui, Gaspar, Abel Campos, Tino, Novato, Pladine e outros encantou os adeptos e os dirigentes desportivos. Em 1981, ascendeu à categoria sénior ao lado de Nascimento, Mingo, Zimbene, Cristo, Abel Campos, Tino, Victe, Tino e demais. Na nova categoria, Mamede teve de trocar o extremo direito por esquerdo face à concorrência, após um treino na praia com uma bola de borracha. Quando se apresentou ao conjunto, deparou-se com a surpresa. São Paulo, Nhoto, Mano Adão e outros eram jogadores talentosos que disputavam o lugar. A troca de posição não alterou a “fúria” que evidencia nos campos. "Consegui a titularidade numa equipa recheada de bons jogadores, naquela época, devido ao esforço, dedicação nos treinos", revela. O jogo maismarcanteRevestido de orgulho, o antigo futebolista descreve que o jogo Progresso do Sambizanga versus Independente do Rangel, realizado no campo 4 de Fevereiro, em Luanda, foi o que lhe marcou na sua carreira. E justifica: "Naquele jogo, Santinho estava em grande forma desportiva, mas fui capaz de travar todos os seus dribles; não conseguiu jogar, porque fiz-lhe uma marcação `homem a homem´. Não foi fácil! Tive o apoio dos meus colegas que me deram muita força". O esforço empreendido coroou de êxito no final com a vitória de 2-1.No limiar dos anos 80, Mamede ingressa nas Forças Armadas Popular de Libertação de Angola (FAPLA) e é encaminhado para a Academia Militar Nicolau Gomes Spenser, na província do Huambo, onde se especializa em comunicações durante dois anos e seis meses. Durante a formação militar, Mamede jogou pelo Electro Futebol Clube no campeonato provincial local. "É uma equipa que nos facilitou para a prática de futebol, porque éramos cadetes e não podíamos deslocar para outras províncias para jogar".O `amor´ pelo futebol levou-o a integrar na selecção militar da 4ª Região Militar, na qual pontificavam nomes como Belchior e Manuel, sob orientação de Horácio Cangato.No final da década de 80 do século XX, Mamede retira-se das lides futebolísticas, porque "cada coisa ao seu tempo". Um jogador amador que durante mais de 20 anos correu atrás de uma bola por amor à camisola. Tempos diferentesHoje, aos 48 anos de idade, Mamede ainda faz gosto ao pé aos fins-de-semana em companhia de amigos para manter a forma física. Sem ressentimentos, diz que se sentiam bem com o pouco que recebiam dos clubes. Em causa estava a apresentação do bom futebol que levou Abel Campos, Vata e Lufemba a Portugal. "Actualmente, os jogadores são mais bem pagos pelos clubes, mas não conseguem apresenta  bom futebol”, disse, acrescentando que "a observação de campos vazios resulta de o futebol actual angolano não oferecer espectáculo. As pessoas, mesmo a viver próximo dos estádios, não vão aos campos".O antídoto de Mamede é: "até ao último município do país devem ser construídos campos de futebol para descoberta de talentos. E os antigos praticantes devem estar à frente desses projectos". E justifica-se: "Existem muitos praticantes feitos pedintes e devíamos aproveitá-los para ensinar os garotos na prática do futebol".Actualmente, Fernando Mamede é oficial da Polícia Nacional, com a patente de Intendente, exercendo as funções de representante da CUPIP-PN junto do Cofre da Providência do Pessoal da Polícia Nacional.   PerfilNome - Fernando Mamede de OliveiraNaturalidade - Icolo Bengo (Calomboloca)Altura - 1,70 m      Data de Nascimento - 11 de Março 1962Nacionalidade - AngolanaPeso - 104kgModalidade - FutebolClube - 1º de AgostoTabaco - NãoBebida - VinhoPrato preferido - MufeteNúmero de calçado - 43Hobby - LeituraCor preferida - PretaLivros - CientíficosFilme - AcçãoMúsica - SembaEsplanada ou discoteca - EsplanadaDroga - ContraPaís - FrançaCidade - Paris