Jornal dos Desportos

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Reportagens

O craque italiano que levantou estádios

26 de Setembro, 2011

Aposentou-se em 1997 ,numa festa com mil adeptos

Fotografia: AFP

Franco Baresi fez toda a sua carreira de futebolista num só clube, o Milan, onde ingressou ainda adolescente, em 1977. Chegou às categorias de base do Milan em 1974, com apenas 14 anos de idade. Apesar de adepto do Milan, tentou primeiro jogar na arqui-rival Internazionale, por intermédio do seu irmão Giuseppe Baresi (que o levou para os testes na Inter) que já lá estava. Franco acabaria reprovado nos nerazzurri, decidindo finalmente tentar o clube do coração.

O craque italiano estreou-se na equipa quatro anos depois, em jogo contra o Hellas Verona, posto a jogar pelo técnico Nils Liedholm, a duas semanas de completar 18 anos. No início, o seu desejo era jogar no ataque, com o sonho de marcar vários golos. No entanto, ao ser constantemente colocado como defesa, acabou por aceitar a posição. A sua liderança natural fê-lo tornar-se capitão da equipa aos 22 anos de idade.

Sempre calmo, mesmo sob pressão, a sua brilhante leitura de jogo, a inteligência e a precisão no tempo de entrada sobre os adversários foram as bases sobre as quais o Milan pôde construir uma equipa de ataque, onde pontificavam os holandeses Ruud Gullit e Marco van Basten.

Mas ele sempre foi mais do que um defesa central. Lançando companheiros no ataque ou ainda lançando-se ele próprio para a frente, foi proporcionando ao Milan uma opção atacante adicional. No final dos anos 80, Baresi tornou-se capitão da equipa e conduziu o Milan a duas vitórias na Taça dos Campeões e a quatro títulos da Séria A (por estar castigado não pôde capitanear a equipa num terceiro sucesso numa final europeia, frente ao Barcelona, em 1994).

A carreira internacional de Baresi começou em 1982 e culminou na final do Campeonato do Mundo de 1994, em que foi o capitão da selecção italiana. Verdadeira referência da equipa, foi operado a um joelho durante esse Mundial, mas regressou a tempo de capitanear a equipa na final, frente ao Brasil. Apesar de ter feito apenas um jogo, a participação de Baresi ficou marcada pela derrota diante do Brasil na final, mais propriamente por ter falhado o primeiro pontapé do desempate através das grandes penalidades, enviando a bola por cima da barra. Aposentou-se em 1997, numa festa com 70 mil adeptos. pela sua história e dedicação dentro do clube, o Milan recolheu a camisola número 6.

Sergei Bubka

Impôs hegemonia ao desporto

Sergei Bubka, com uma vara na mão, impôs hegemonia ao desporto passando a competir contra si mesmo. Aos 11 anos, a sua primeira marca de 2,7 metros foi uma surpresa. As subsequentes foram a confirmação do poderio do ucraniano, que em 31 de Julho de 1984 alcançou 6,14 metros, estabelecendo o último dos seus 35 recordes mundiais (17 ao ar livre e 18 em locais fechados).

Sergei nasceu no 4 de Dezembro de 1963 em Voroshilovgrad, na Ucrânia soviética. Nas mãos do treinador Vitaly Petrov, começou a destacar-se nas competições locais, primeiro com o mencionado salto de 2,70 metros, aos 11 anos, e depois superando os cinco metros, aos 16 anos.

Em 1981, o seu nome saiu do anonimato internacional quando foi o sétimo do Campeonato Europeu Júnior. Nessa altura, o seu potencial causava admiração. De facto, apesar de ter sido classificado como oitavo no campeonato nacional, o treinador da equipa soviética, Igor Ter-Ovanessian, incluiu-o na selecção que participaria no primeiro Campeonato Mundial de Atletismo, em Helsinkia, em 1983.

Lá saltou para a fama. Com uma altura de 5,70, conseguiu o campeonato mundial na primeira edição dessas competições. A partir daí, empenhou-se em mostrar que o seu título não tinha sido conseguido por acaso. Melhorou ano após ano. E, em 1984, conseguiu os seus primeiros recordes mundiais.

O primeiro em competições em cobertos, estabelecendo uma marca de 5,81 metros, que quebrou posteriormente em três ocasiões.Depois, ao ar livre, marcou outro com 5,85, que ele mesmo superou quatro vezes. Nesse ano, bateu nove recordes mundiais, no total. Tudo teria sido perfeito se o bloco comunista não tivesse boicotado os Jogos Olímpicos de Los Angeles.

Certamente essa teria sido a sua primeira medalha olímpica. Mas ele soube esperar e, quatro anos depois, em Seul, ganhou. Sucederam-se os campeonatos mundiais. Até ao mais recente em Sevilla, ganhou todos: Roma 87, Stuttgart 93, Gotemburgo 95 e Atenas 97. A hegemonia de Bubka parecia inabalável. Teve os seus altos e baixos, mas recuperava quase de imediato. Em competições cobertas, o seu recorde foi batido pelo francês Thierry Vigneron (5,85, em 1984) e pelo americano Billy Olson (5,86 em 1985). Vigneron superou ao ar livre a marca de seu arqui-rival, impondo a sua própria de 5,91, superior em um centímetro.

Mas dez minutos depois Serguei mostrou sua garra ao chegar aos três centímetros mais alto e deixar em segundo o francês. Bubka tem sido incansável, até para o próprio Bubka. Nem ele mesmo conseguiu bater o seu recorde de 6,15 em local fechado, conquistado em 21 de Fevereiro de 1993. Aproximou-se, com outro recorde mundial, num salto de 6,14 ao ar livre, em 31 de Julho de 1994. Ambos continuam a valer e parecem difíceis de ser batidos.

Jim Thorpe

O atleta mais completo
do mundo

Campeão olímpico no atletismo, Jim Thorpe perdeu as suas medalhas de ouro porque recebeu dinheiro para jogar futebol americano. Muito antes de Bo Jackson e Delon Sanders, Thorpe foi um atleta que jogou basebol e futebol americano profissional ao mesmo tempo. Thorpe nasceu a 22 de Maio de 1887, perto de Prague, estado norte-americano do Oklahoma.

Durante os verões de 1909 e 1910, Thorpe ganhou aproximadamente 25 dólares a jogar basebol semi-profissional, usando o seu nome verdadeiro, ao contrário de outros que usavam pseudónimos para se esquivar do regulamento amador. Mais tarde, o treinador Pop Warner convencer Thorpe a voltar a Carlisle para jogar futebol americano, em 1911.

O treinador promoveu Thorpe como “o atleta mais completo do mundo”. Thorpe destacou-se com uma vitória 18-15 sobre Harvard, com quatro golos e uma surpreendente corrida frente a 30 mil fãs em Cambridge, Massachusetts. Em 11 de Julho de 1912, ganhou o pentatlo olímpico. Depois, bateu o recorde mundial de decatlo, com 8.412 pontos. Após deixar Carlisle, Thorpe assinou um contrato de cinco mil dólares para jogar basebol e ser a grande atracção dos New York Giants.

Em 1915, concordou em jogar uma partida de futebol americano pelos Canton Bulldogs por 250 dólares. Decidiu permanecer na equipa que seria reconhecida como “campeão mundial” em 1916, 1917 e 1919. Enquanto jogava para os Bulldogs, em 1920, Thorpe foi eleito o primeiro presidente da Associação de Profissionais de Futebol Americano dos Estados Unidos.

Depois de passar por várias equipas, a sua última aparição foi com os Chicago Cardinals, a 30 de Novembro de 1928. Em 1950 foi nomeado “O maior atleta da primeira metade do século” pela agência Associated Press. Thorpe faleceu com 65 anos de idade de ataque cardíaco, no dia 2 de Março de 1953, numa roulotte onde morava, em Lomita, Califórnia.

>> Por dentro

Nome: Franco Baresi

Nacionalidade: Italiana

Nascimento: 05/08/1960

Naturalidade:Travagliato (Itália)

Parentescos: Irmão de Giuseppe Baresi

Posição: Defesa

Pé preferencial: Direito

Altura: 1,76 m

Peso: 70 kg

Internacionalizações: 81 Clube Milan, Prémios Bola de Ouro France Football 1989  (2º)