Jornal dos Desportos

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Reportagens

O defesa da Escola do Zangado que impunha respeito aos adversários

*Augusto Fernandes - 14 de Julho, 2013

Zé Augusto foi contemporâneo de Orlog- antigo dirigente do 1º de Agosto

Fotografia: Jornal dos Desportos

O antigo jogador do Escola do Zangado, José Augusto da Silva, 66 anos, ou simplesmente Zé Augusto como era conhecido nos meios futebolísticos começou a jogar no Bairro Moreira, hoje Rangel.

Antigo defesa central, Zé Augusto foi contemporâneo de Orlog- antigo dirigente do 1º de Agosto, já falecido-, Olim, Lourenço Bento, André do Puerto, Vai à Lua, João Pequeno, Malange, Maló e tantos outros. Mais tarde teve também a companhia de Olim, Santana, Almeida, Quental, Próspero, Jesus Caetano, no campo da escola Emídio Navarro (actual Ngola Mbandy).

“Depois das aulas era muito comum fazermos alguns desafios entre jogadores de várias turmas nos chamados trumunos entre salas.

Mesmo sem treinar em equipas de renome como um ASA, Sporting de Luanda ou Benfica, nós os rapazes do Muceque tínhamos uma habilidade de fazer inveja a muitos jogadores”, começou por explicar como se entrosavam no antigamente. Entre 15 e 16 anos de idade, isto em 1962, Zé Augusto, ingressou no Sporting Clube do Rangel, da 2ª Divisão Distrital de Luanda, com jogadores muito mais velhos, como o Mascarenhas, Zé Maria, Ambrósio, que eram uma espécie de fundadores do clube.  “A sede do clube era onde hoje é o

Centro Recreativo Ngongo, onde fiquei até 1965”, sublinhou. 
Com o Sporting do Rangel, disputou o campeonato distrital da segunda divisão, teve como classificação o terceiro lugar.

Ingresso na Escola do Zangado

 Depois da demonstração dos dotes e, porque era muito normal jogar-se pelas melhores equipas em função do potencial de cada um, Zé Augusto foi para o Escala do Zangado, já na companhia de grandes figuras do futebol Luandense, como o Lourenço Bento, Vai à Lua, Malange, João Pequeno, Sidráz e muitos outros.

“Naquela época o Cazenga era das melhores equipas de Luanda, com jogadores fabulosos. Um jogo entre a Escola do Zangado e o Cazenga- podia ser comparado a um 1º de Agosto- Petro de Luanda de hoje-, nos dois lados haviam jogadores tecnicistas, velozes e com pé canhão. Havia jogadores para todos os gostos. Os campos pelados dos muceques ficavam abarrotados de gente”, comparou.               *Com JF.



CONTRARIEDADES
Serviço militar não o impediu de jogar


Em finais de 1965, Zé Augusto, interrompe temporariamente a sua carreira desportiva para cumprir o serviço militar obrigatório em Sá da Bandeira- actual Lubango-. Mas, mesmo como militar o kota continuou a fazer gosto ao pé em jogos entre companhias no R-22.
Na vida militar teve como camaradas e companheiros das peladas os já falecidos “Geovety- que se notabilizou na Taag- e o Artur Adriano (o músico), Santos Júnior e muitos outros.

Zé Augusto contou que três meses depois da sua entrada para cumprimento do serviço militar, foi transferido de Sá da Bandeira para Luanda. Na capital do país, passou a pertencer ao Agrupamento de Engenharia de Angola (AEA) onde fez uma especialidade daquele ramo.

“Normalmente, todos os fins-de-semana havia os chamados “trumunos” entre unidades. O interessante é que até mesmo nestes jogos havia jogadores de grande valia técnica. Uns vinham já craques das suas casas e outros aprendiam ali mesmo nas unidades e muitos deles depois da vida militar brilhavam em grandes equipas distritais”, reconheceu.

Ainda na vida militar, Zé Augusto, regressou à sua Escola do Zangado, e disputou o torneio popular Cuca em 1968, 1970 e de 1972.
“ O torneio Cuca, organizado, patrocinado por aquela empresa Cervejeira, contribuiu muito para a evolução do futebol Angolano, pois era disputado pelas melhores equipas de Luanda, Benguela, Huambo, e outras Províncias que tinham os melhores jogadores do país. O campo do São Paulo, era a arena principal, onde brilharam grandes nomes do futebol daquele tempo”, confirmou.


DESPIQUE
Cazenga, Zangado, Kalumbunze,
Juba e Bangú  dominavam


Segundo José Augusto, a nível de Luanda, o Cazenga, Escola do Zangado, Kalumbumze, Juba e o Bangú, eram das equipas mais fortes que disputavam entre si os lugares cimeiros do torneio Cuca na altura, o grande papão era o Cazenga.

Em termos de jogadores, na visão de Zé Augusto, o destaque recaía para o Maventa, Zargateiro, Lourenço Bento, João Pequeno, Vai à Lua, Eduardo André, Beto Gimy, Firmino Dias, Xarico, Augusto Pedro, e muitos outros.

Para Zé Augusto o jogo que mais o marcou em toda à sua vida de  futebolista, foi contra o Andorinhas da Kalomanga de Benguela.

“Nos cinco minutos finais do jogo contra o Andorinhas da Kalomanga de Benguela estávamos empatados a zero (0-0). Mas como estava a  chover formou-se um pequeno charco na nossa grande área e, num contra ataque adversário a bola bate no charco e trai o Zé Domingos. Eu tentei corrigir a situação mas foi em vão, porque a bola ficou presa na água. O adversário foi mais rápido e marcou o golo  ( 0-1) que  nos afastou  do titulo”, recorda-se.

Zé Augusto ficou no Escola até 1978. Mas antes em 1977, em companhia de Neto, General Mucongo, Nelinho e outros fundaram o Clube Desportivo 13 de Setembro, afecto à extinta ODP, onde foi jogador e depois treinador das camadas jovens e finalmente como dirigente do clube e representante do mesmo junto do CODENM. Manteve-se ainda ligado ao clube até à sua extinção em 1992.

Em 1978, houve a realização do torneio da Agricultura que englobou todas as  equipas de Luanda do pós independência, com destaque para o ASA, Benfica de Luanda, Sporting, 1º de Agosto e Progresso do Sambizanga.

O torneio Agricultura apurou os dois representantes de Luanda que disputaram o primeiro Girabola- denominação do Campeonato Nacional de Futebol de Angola da I divisão- em 1979. As equipas que representaram Luanda, na maior competição do País que agora se disputa com dezasseis equipas, foram o 1º de Agosto e a TAAG (ASA).

 “O Maventa e o Zargateiro do Cazenga eram os jogadores que me davam mais trabalho. Eles eram jogadores completos. Fisicamente bem dotados, com grande poder de dribles, força, remate e muito agressivos.


PERGUNTAS E RESPOSTAS
Futebol e Mundial de Hóquei em Patins 


Em termos de qualidade como compara o nível do Girabola com o do vosso tempo?
Não há comparação possível. Com todo o respeito que devo aos nossos jogadores, não podemos comparar os níveis dos jogadores do meu tempo em que quase todos eram completos tanto física como tecnicamente e por isso a qualidade era outra.

Em função do que viu na taça das confederações acha que o Brasil acabou com o reinado da Espanha?

Creio que não, porque a Espanha veio de um jogo muito desgastante nas meias-finais contra a Itália com o jogo a ser decidido aos penaltes depois de 120 minutos e um dia a menos de descanso que o Brasil que foi um justo vencedor da copa.

Angola vai organizar o primeiro Mundial de Hóquei em África. O que espera do cinco nacional?
Espero que os nossos rapazes nos representem com dignidade. Que justifiquem os gastos que o pais está a fazer e tenham uma boa participação  com uma classificação entre as seis melhores equipas do torneio.


POR DENTRO

Nome completo:
José Augusto da Silva
Filiação: Antero Ramos Augusto da Silva e de Maria José da Silva
Nascimento: Luanda,a 15 de Junho de 1947
Estado civil: Viúvo
Filhos: cinco
Altura: 1,70m
Peso: 80 kgs
Calçado: 42
Camisola que habitualmente usava: nº 5
Tempos livres: Ler
Musica: Semba
Filmes: Romance
Prato:  Um bom Calulú
Bebida: Água e sumos
O que mais teme na vida: Ser acusado falsamente
É ciumento: Não
Alguma vez mentiu: Não
Virtude: acho que sou uma pessoa aberta
Defeito: Outros que o digam
Religião: Católico
Clube do coração: Sporting de Portugal
Sonho: Ser empresário


ERRATA
Jornalista da Rádio 5
é António Alves da Silva


Por razões alheias a nossa vontade, o nome do radialista Desportivo, António José Alves da Silva, que foi o perfil da nossa anterior edição, saiu truncado como Alves da Silva Augusto. Pela omissão despropositada pedimos as nossas sinceras desculpas.