Jornal dos Desportos

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Reportagens

O defesa polivalente do Nacional

Augusto Fernandes - 28 de Janeiro, 2012

Luís Armando Fragoso é funcionário do Ministério das Pescas em Benguela

Fotografia: Jornal dos Desportos

Aos 23 anos, Luis Armando Fragoso “Moyo” disputou  a célebre final do primeiro Girabola contra o 1º de Agosto, em 1979, no Estádio Nacional da Cidadela, tendo se sagrado vice-campeão nacional. Com o seu Nacional de Benguela, foi um dos primeiros jogadores angolanos a jogar a Taça CAF. Pela selecção de Benguela,  teve o privilégio de defrontar jogadores como Fidalgo, Manuel Fernandes, Alinho e outros do Sporting clube de Portugal, no amistoso realizado na Vila da Catumbela, em 1981. É contemporâneo de Pinto Leite, Lino, Quim, Benchimol, Luvambo (seu irmão mais velho), Samuel, Rasgado, Silva, Leandro, João de Deus, Naifa, Eurípides e outros.

Moio, como era carinhosamente tratado pelos colegas, começou a jogar futebol como federado nos juvenis do Portugal de Benguela, com Salvador do Carmo e outros. Em 1972, com 16 anos, passou a júnior, tendo conquistado o segundo lugar no campeonato distrital da categoria. Ainda em 1972, por indicação de Pedro Garcia, passou a sénior. “Daí em diante, fui trabalhando no duro para merecer a confiança do treinador, pois não era fácil conseguir um lugar nos 16 do Portugal naquele tempo”, recorda Moyo, acrescentando que a equipa era uma das melhores de Angola.

Após o 25 de Abril, retornou ao  Portugal de Benguela, numa altura em que os clubes portugueses como, Benfica, Portugal, Sporting, e outros estavam a mudar de denominação. Assim é que, o Portugal de Benguela passou, primeiro, para  14 de Abril e, depois, a Nacional de Benguela, denominação que mantém até hoje. Com o tempo, foi ganhando a confiança do técnico e acabou por conquistar o seu espaço. Em 1979, Moyo fez parte da equipa do Nacional que veio à capital do país disputar a célebre final do primeiro Campeonato Nacional depois da independência, diante do 1º de Agosto, com Ângelo da Silva, Ndomgala, Lourenço, Manico, Mateus César, Sabino, Ndunguidi, Chimalanga, Mascarenhas, Zeca, Amândio, e companhia.

Moyo recorda que “quando anunciaram o onze inicial do D’Agosto, nós tremíamos só de ouvir os nomes deles. O nome que mais temor causava era o de Ndunguidi. Alguns de nós, os mais novos, de tanto medo, até fingíamos lesão para não sermos alinhados. E, nesse jogo, o Ndunguidi deu-me muito trabalho. Até hoje algumas pessoas, quando querem zombar de mim, só dizem: olha o Ndunguidi! O Benchimol é o que mais se aproveita disso. Quando quer gozar comigo, só diz: ‘se não fosse eu, o Ndunguidi matava-te’”. No jogo da final, segundo Moyo, aos 15 minutos da primeira parte, o Nacional já perdia por uma bola a zero e a equipa já estava “rebentada”, porque os homens do 1º de Agosto impunham muita força e velocidade.

Eles tinham um treino muito diferente das demais equipas do país. Em geral, os “militares” ganhavam os jogos no último quarto de hora, quando o desgaste físico do adversário vinha ao de cima. “Era muito difícil jogar contra o 1º de Agosto. Ao longo das épocas tivemos muitos dérbis e só vencemos uma vez, por duas bola a uma, em Malange, com golos de Arlindo e Samuel. Além do 1º de Agosto, haviam outras equipas fortes, como a TAAG, com Chinguito, Rola, Zola, Geovete e outros, bem treinados pelo falecido Chico Ventura. Havia também o Mambroa do Huambo, com Manecas, Arlindo Leitão, Lutucuta, Carnaval e outros. O Progresso do Sambizanga, com jogadores como Praia, Santo António, Salviano, Santinho e companhia. Os Diabos Verdes, com João Machado, Varela e outros.

Moyo, foi um defesa polivalente. No Nacional de Benguela, jogou com Quim Camponês, Barros, Júnior, Minguinho, Kanducho, Armindo, Nelson, Orlando, Cabinda, Mikey Rubem, Beto Carmelino, Gonça e muitos outros. Diz que o momento mais triste da sua vida, como jogador, foi quando perdeu por cinco bolas a zero diante do então Inter de Luanda. O mais alegre foi a vitória sobre os Palancas do Huambo (hoje Petro) por seis bolas a uma. Moyo pendurou as chuteiras aos 30 anos de idade. Agora, é funcionário do Ministério da Pescas, em Benguela.

»Perfil
Nome: Luís Armando Fragoso
Filiação: Armando Miguel Samba e de Adelaide da Conceição
Filhos: 11
Data de nascimento: 15 de Julho de 1956
Tempos livres: Jogar futebol
Prato preferido: Calulú
Bebida: Vinho
Musica: Semba
Cor: branca
Poligamia: Contra
Acredita em Deus? Sim, porque sem Ele não existiríamos. Ele é o criador de tudo o que existe.