Jornal dos Desportos

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Reportagens

O descobridor de talentos de Karaté e artes marciais nas terras da chela

Gaudêncio Hamelay, no Lubango - 15 de Maio, 2013

António Domingos Pena, 44 anos, conhecido nas lides desportivas por Mestre Yang Hu.

Fotografia: Arimatéia Baptista

A descoberta de talentos com habilidades necessárias para a prática dos desportos de combate no Clube do Benfica Petróleo do Lubango, tem uma “mão mágica” de um artífice chamado António Domingos Pena, 44 anos, conhecido nas lides desportivas por Mestre Yang Hu.
Graduado com o cinturão negro 2º dan,  António Pena ou mestre Yan Hu,  começou a pratica das artes marciais em 1992 tendo,  passando primeiro pelo karaté shotokan em Luanda,  na academia Kalifa,  que na altura localizava-se junto ao Clube Induve.
 “Na altura foi quando o batalhão dos coreanos veio para Angola. Então, enquadrei-me naquele grupo. Fiz o primeiro e o segundo cursos de Taekwon -Dó com os coreanos. Depois de feitos esses cursos, cheguei a conclusão que o taekwon-dó para mim era uma modalidade predilecta. Daí já não consegui voltar mais a praticar o karatéshotokan”, explicou.

Em 1996, Yang Hu, ficou na província do Huambo a praticar e a dinamizar a modalidade de Taekwon-dó juntamente com alguns técnicos já encontrados na escola provincial de Taekwon-dó do Huambo.
Em 1997, Yang Hu,  pediu transferência para a província da Huíla. Posto na cidade do Lubango encontrou o mister Flash que considerou e considera ser um grande pai para ele.
“O mister Salomão Lumbo “Flash” foi e é um grande camarada e pai. É meu técnico, amigo que recebeu-me quando vim ao Lubango. Depois apresentou-me aos demais praticantes da arte no pavilhão do Benfica do Lubango.

“Daí em diante, começamos a treinar juntos. Com o andar do tempo fui ganhando confiança com o técnico Flash, porque viu em mim boas qualidades técnicas. Com o decorrer dos anos fui aumentando as minhas graduações até que em 2011 passei para o cinturão negro 2º dan”, frisou.

RECONHECIMENTO

O reconhecimento do técnico aconteceu aquando da conquista dos primeiros títulos de campeão nacional por equipas em 1998, 2005, 2007 e 2012, alturas em que se notabilizou como um dos técnicos de referência, a nível da cidade Lubango, apostado no desenvolvimento do Taekwon-dó na província.
 “Confesso isso, porque já pratiquei o Kong Fú, shotokan e agora o Taekwon-Dó. Eis a razão por que acho ser para mim a melhor arte. Desde aquela altura à presente estou mergulhado nesta modalidade com muita paixão. Sinto-me bem”, revelou.
 O Mestre Yang Hu, aponta como sendo uma das suas metas no desenvolvimento do Taekwon-Dó nas terras altas da Chela e particularmente no clube encarnado do Lubango, e ver um dia a Selecção Nacional de Angola na modalidade integrada por atletas huilanos para dignificar o país alcançando títulos internacionais.

Apontou ainda os atletas Manuel Uyango (-54 kg), Vandamme (62kgs) João Malamba (85kgs), José Maria, (68kg), Simão Sumbelelo (75kg), Augusto Hamuyela Domingos (-63kg),  Teles Cassule (-58kg), Bizara (-68kg),  Rosalina Cláudia Canduco (-49kg), Suzaneth Rosalina (-52kg), Maria Adelaide (-48kg) e Imaculada Catombela (-55kg), como as principais referências no clube do Benfica Petróleos do Lubango, que possuem vasta experiência fruto de participações regulares em provas internacionais e regionais onde têm conquistado medalhas.
Alguns destes atletas ficaram aprovados na prova na avaliação de taekwon-dó, realizada há dias, na cidade de Benguela visando o mundial que vai decorrer no México.

 “São miúdos que têm representado a província e o país demonstrando as suas potencialidades nesta arte que estão em condições de competir com qualquer atleta nacional ou internacional”, admitiu.
Técnico do clube encarnado do Lubango há 13 anos, Yang Hu, tem feito um trabalho digno de realce com o despontar de valores para o taekwon-do huilano e nacional no geral.
* COM JOÃO FRANCISCO


CARREIRA
“O meu primeiro instrutor foi uma mulher”


O primeiro treinador de António Domingos Pena quando começou as actividades marciais em Luanda no lógico ano de 1992 , foi uma mulher. De nome Marisa da qual já não se recorda o nome de família, a sua  primeira instrutora de karaté -shotokan naquela época,  foi igualmente quem a alcunhou com o nome de Yang Hu.
“Em1992, foi a treinadora Marisa que me incentivou muito. Mesmo o nome de Yang Hu, quem me atribui foi ela.
“É por esse nome desportivo que sou até hoje chamado por todos os homens ligados a artes marciais a nível nacional e internacional. Os coreanos também me encontraram com essa alcunha e incentivaram-me a manter com a mesma”, contou.

António Pena reconhece possuir dificuldades em  combater com um indivíduo ou praticante utente dos membros inferiores completos,  atendendo o tempo que está nas artes marciais.“São 22 anos de prática de artes marciais. Para tal, não tenho dificuldades devido o tempo que me adaptei. Já combati com vários instrutores e atletas craques. Por isso, não tenho dificuldades mesmo que fosse nessa época que a minha idade está avançada. Os meus atletas são craques. Se eles são craques, eu as vezes é que tenho que dar os jogos (combates) durante os treinos”, frisou.


PERPECTIVAS
Estar na máxima
força no mundial


O treinador de Taekwon-dó da academia do Benfica Petróleos do Lubango, apontou ser seu objectivo um dia competir num campeonato do mundo para atletas portadores de deficiência física em artes marciais, que um dia esteve para se concretizar, mas ainda não perdeu a esperança.
 “Houve uma altura em que o técnico Salomão Lumbo “Flash” esteve em Luanda a tratar da viagem para a Rússia para o campeonato internacional de portadores de deficiência física, mas faltou dinheiro.
De uma segunda vez e mais tarde no ano passado em 2012 para o mesmo evento não se concretizou também pelo mesmo impasse por falta de recursos financeiros. O seleccionador nacional Flash, tudo tem feito para ver-me a competir a nível internacional. Por isso, a esperança é a última coisa a morrer”, ressaltou.



MOMENTOS
História triste


Uma das histórias mais tristes de António Domingos foi o surgimento da sua deficiência no membro inferior esquerdo adquirida quando tinha ainda 15 anos de idade.
Com semblante entristecido lembrou que foi em 1984, quando vivia em Cacuaco, Luanda num bairro próximo da estrada brincava em companhia de outras crianças “empoleirei numa viatura que transportava areia.
Depois de percorrer uma boa distância, fiquei cansado e escorreguei do camião, bati com o peito projectando-me por baixo das rodas do camião que passou por cima do meu braço.
Fui transportado para o hospital Américo Boavida, onde fiquei internato durante seis meses. Foi assim que perdi o membro inferior esquerdo”, contou.


POR DENTRO


Nome: António Domingos Pena
Filiação: Constantino Joaquim e Margarida Jamba
Data e local de nascimento:19/ Janeiro/1969, no município do Bailundo, província do Huambo.
Estado Civil: Solteiro
Esposa: Maria Fernanda
Altura: 1 metro e 80 centímetros
Peso: 66kg
Calçado: 41
Cor preferida: Azul-escuro e camisas axadrezadas
Prato preferido: Carne seca acompanha de um bom lombi
Bebidas: Sumos e água
Clube do coração: Benfica do Lubango (Angola) e Real Madrid (exterior)
Sonho: Ter maior clube de Taekwon-dó a nível nacional com todas as condições