Jornal dos Desportos

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Reportagens

"O Estado angolano deve ajudar nos custos"

Avelino Umba e Álvaro Alexandre - 10 de Maio, 2010

Clube Naval prima por organização de aproximação a empresas

Fotografia: Avelino Umba

Como avalia o estado do Clube Naval de Luanda no segundo mandato?
É um grémio, basicamente, centralizado nas actividades náuticas, desportivas e recreativas. É um clube com sócios e procura proporcioná-los as melhores condições de recreação e de lazer. Outrossim, está integrado no sistema desportivo nacional e tem como actividades principais a prática de canoagem, vela, remo, natação e a pesca desportiva.  

O clube era o mais emblemático do desporto náutico no país. Há alguma intenção de recuperar a mística perdida?
Ao nível da canoagem e da vela, o clube mostra o potencial. Os desportos náuticos são relativamente poucos no país. Em Luanda, existem apenas dois clubes mais significativos, que são: o Clube Naval de Luanda e o Clube Náutico da Ilha de Luanda (CNIL). Os outros clubes têm secções de velas, mas com pouca expressão. Esperamos que as actividades de género aumentem em todo o país, a fim de os desportos náuticos tenham mais competitividade. A par disso, o Clube Naval não é forte na natação, comparativamente, ao CNIL, em virtude de estarmos parados há muitos anos, por falta de piscina e de outras condições indispensáveis à prática desse desporto.

Que explicações se lhe oferecem verbalizar sobre a disciplina de remo que sempre deu cartas nesse clube?
O remo foi uma das actividades muito importante no clube há trinta, quarenta anos. É uma modalidade que está em fase de relançamento. Vamos trabalhar e fazer esforços no sentido de direccionarmos os recursos para o seu desenvolvimento; vamos criar as condições para que os atletas se sintam bem e estejam motivados para treinar e fazer competição; para que os treinadores e os monitores possam dedicar-se ao desenvolvimento desportivo mais salutar e investir em meios para fazer vela, remo e canoagem.

Sem uma Federação Angolana como vão atingir os objectivos?
A criação da Federação dos Desportos Náuticos é urgente. Acreditamos que nos vai dar uma outra lufada de ar fresco em termos de estruturas de Estado para o desenvolvimento dos desportos náuticos. Desde a independência do país, sem medo de errar, a prática dos desportos náuticos é feito com esforços privados; não há apoio do Estado e mesmo assim granjeiam o país com medalhas de ouro, prata e bronze nas competições internacionais.

É possível dirigir o clube nessas  condições?
É possível. Embora não seja fácil visto que uns dos componentes mais importantes para o desenvolvimento são os meios financeiros. O clube deve ter apoios dos sócios para a criação de receitas complementares; construir infra-estruturas que sirvam de arrendamento; deve criar instrumentos para gerar receitas que suportem as despesas inerentes às actividades desportivas. O Estado angolano deve ajudar os clubes para complementar os custos financeiros e evitar a desproporção no desenvolvimento desportivo; criar mecanismos para a obtenção de visibilidade no país e no exterior, principalmente, a nível de participações internacionais. 
 
Não há clube sem atletas e infra-estruturas. Como estão nesses campos?
Ainda estamos mal servidos, pois o Clube Naval de Luanda está muito aquém daquilo que é o nosso desejo em termos de desenvolvimento de infra-estruturas, seja na componente social, recreativa, desportiva e apoios aos sócios. Refiro-me à natação, que a breve trecho, esta direcção vai construir uma piscina. É um elemento fundamental, não só na componente desportiva, mas também na social e recreativa. 
      
Para quando a concretização do sonho?
O sonho da piscina já é uma realidade, nesse mandato de três anos. Caso não deixemos a piscina construída, pelo menos deixaremos o buraco aberto (risos). É nesse mandato que queremos concluir alguns projectos em carteira. 

Como está o clube em termo de infra-estruturas?O que foi feito no anterior mandato?
Fizemos alguma coisa a nível de conservação, manutenção e melhorias pontuais das infra-estruturas existentes, mormente as placas de parqueamentos de embarcações, ponte-cais de atracagem de embarcações e visivelmente a marina foi feita a primeira base durante o ultimo mandato. A segunda marina vai ser construída durante este ano, para permitir melhores condições e acolher mais embarcações. Esses são os resultados do mandato anterior e vão continuar a ser desenvolvidos no presente. A questão da piscina passa a ter uma prioridade especial. O alargamento da área do clube está a ser tratado com as pessoas competentes do Governo da Província de Luanda e de outras.

Sector empresarial é a tábua de salvação


Quais são as fontes de receitas do clube?
Contamos com as receitas provenientes dos sócios, através de pagamentos de quotas e de taxas e de alguns patrocínios de pessoa singulares. Felizmente, nos últimos anos, conseguimos patrocínios do sector empresarial para apoiar algumas actividades, quer a nível de aquisição de meios e de equipamentos, quer a nível de despesas relacionadas com participações internacionais, tanto na vela como na canoagem. O Clube Naval de Luanda esteve presente no Campeonato Africano Optimist em 2008/2009 e no Campeonato do Mundo, no Brasil, em 2009, com apoios de determinadas empresas que patrocinaram.
  
Quais são os patrocinadores oficiais do clube?
Ainda não temos empresas na condição de patrocinadoras oficiais. É um trabalho que temos vindo a fazer. Há três anos, a Unitel é a empresa que nos apoia com regularidade e normalmente dá algum apoio substancial; dificilmente não deixa cair o clube. Não temos um patrocinador exclusivo. Temos dois projectos de desenvolvimento a médio prazo para a canoagem e a vela. Nas demais, estamos a engajar-nos e envolver patrocinadores.
 
Que estratégias estão a ser montadas para inverter o quadro?
O clube é perfeitamente tradicional em termos de organização; tem uma política de aproximação a empresas e a algumas instituições privadas, as quais mostramos que pode fazer mais coisas, se as mesmas disponibilizarem os apoios. Em contrapartida, o clube oferece a mobilidade das actividades desportivas, como por exemplo, a pesca desportiva.

Investimentos são feitos
com apoios dos sócios


Quais os próximos investimentos a serem aplicados?
Alguma parte dos investimentos é colectada através dos apoios dos próprios sócios interessados em ajudar o clube. A ampliação da área do clube vai constituir num investimento importante nos próximos tempos, ainda nesse mandato, para que as outras coisas boas possam surgir, procurando desta feita captar investidores interessados.

Como está o clube no sector financeiro?
O clube teve sempre uma saúde financeiramente razoável para suportar as necessidades imediatas. Não tem saúde financeira para grandes coisas, mas tem para suportar as necessidades internas, tais como manutenção, pagamentos de pessoal e permitir fazer alguns investimentos mínimos, iniciativa própria, no sentido de melhorar as condições da área desportiva. A título de exemplo, o Clube Naval de Luanda em conjunto com o Clube Náutico da Ilha de Luanda, numa iniciativa das duas colectividades, investiram cento e cinquenta mil dólares norte-americanos (cerca de 15 milhões de kwanzas), no final do ano passado, para lançamento de duas classes internacionais olímpicas femininas e masculinas: 420 e 470 para vela ligeira.

O saldo que transitou para o mandato que começou no presente mês é confortável para assegurar a gestão nos primeiros meses da nova gestão?
Independentemente dos investimentos substanciais, como as que me referi, não sei se o fundo de maneio é suficiente para não ter preocupação de pagamento de salários e de resto.

Existem um plano estratégico de inovações?
Não diria muitas inovações, mas dar continuidade dos projectos do mandato anterior que passa pela melhoria das condições das marinas, assim como as infra-estruturas, o fornecimento de água e de energia eléctrica.

Bolsa de estudo é grande valia

Número de sócios que controlam...
Estamos acima de trezentos sócios. A procura continua a ser maior nos últimos três anos, mas não podemos crescer desordenadamente, pois não temos grandes condições em termos de infra-estruturas. Assim sendo, com o desenvolvimento das infra-estruturas, das marinas e de criação de melhores condições, podemos aumentar o número de sócios

Existem algumas exigências para se associar ao Clube?
Tirando a honradez dos compromissos para com o clube, relativamente, aos pagamentos e procurar conviver de modo a respeitar a instituição, são os dois deveres fundamentais dos sócios. O desenvolvimento do desporto precisa de recursos humanos e financeiros, no qual a organização é factor fundamental para que os recursos surtam efeitos. Relativamente aos recursos humanos tem muito a ver com o desenvolvimento e apoio aos atletas no sentido amplo.

Quer se explicar melhor?
Não estamos preocupados apenas com o desenvolvimento desportivo do atleta, mas também com o lado humano. Não faz sentido o clube ter um atleta que o utiliza apenas para defender as cores e entregá-lo à sua sorte, quando passar à \"reforma\" desportiva, sem apoio da agremiação que serviu durante muito tempo.

Nesse sentido,o que o vosso clube faz?
Já avançamos com uma iniciativa de apoios aos atletas com atribuição de bolsas de estudos. Vamos desenvolver e procurar envolver uma organização que capte apoios no sector empresarial para alimentar o Fundo do Desenvolvimento do Atleta, visando salvaguardar o futuro após a carreira desportiva do atleta. Criamos as condições indispensáveis para estudarem e atinjam níveis académicos superiores que os torne em cidadãos com oportunidades na vida paralela ao desporto.
     
É visível a degradação numa parte da infra-estrutura. Para quando o restauro?
Não creio que as instalações estejam degradadas nesses últimos anos, embora exista uma parte das instalações, no edifício principal, que precisa de uma intervenção de restauro. Havia um projecto de restauração geral, mas foi interrompido há quase trinta anos e nunca foi retomado. Isso entra numa componente das novas infra-estruturas do clube; tem a ver com a criação de condições para atrair investidores interessados em parceria com o clube e criarmos aqui algumas infra-estruturas. Esse é um processo que foi iniciado nas direcções anteriores ao nosso mandato e que estamos a dar continuidade. Há um plano directório para o desenvolvimento da área do clube em fase de finalização. Este plano directório vai precisar de apoio e autorização para ampliação da área, onde vai ficar a piscina, as embarcações, o parqueamento, as secções desportivas e dos investimentos e rendimentos.

O que falta e para quando a materialização do projecto?
Falta apenas terminar o estudo aprofundado previsto para dentro de dois ou três meses

Londres\"2012\"é o destino

Quais as perspectivas para o mandato de 2010 a 2012?
Tem a ver com apoios na área desportiva e obter bons resultados. O clube tem um atleta na modalidade de canoagem que conseguiu bons resultados nos Jogos Olímpicos de Beijing’2008. É evidente que continua a ser a nossa aposta em retomar a presença nos próximos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, e tê-lo nas olimpíadas de canoagem.

Que modalidades movimentam?
Congregamos a vela, a canoagem, o remo, a natação e a pesca desportiva. A vela e a canoagem são as modalidades que constituem a bandeira e o símbolo emblemático do clube. As outras como o remo, que já foi uma modalidade muito importante para o Naval, nesse mandato, queremos fazer um investimento em embarcações para o colocar no devido lugar. O desenvolvimento da natação também passa por esse investimento, sobretudo, na construção de uma piscina.
 
Está no segundomandato. Vai concorrer para o terceiro?
(Risos). Não; é muito trabalho sem remuneração.Diz que não vai concorrer a terceiro mandato.

Vai deixar todas as modalidades recuperadas em termos de resultados?
É nosso objectivo, pois faz parte do nosso programa eleitoral que difundimos entre os sócios. Vamos continuar a trabalhar para deixar o clube mudado para o positivo, organização saudável e boas qualidades das infra-estruturas.

De acordo com Estatuto do clube, quantos mandatos são permitidos a cada candidato?
Não tem limitações. O candidato pode concorrer quantas vezes quiser. O importante é que forme uma lista aceitável por todos os sócios. Quando disse que não iria candidatar-me pela terceira vez é pelo facto de estar no segundo. É uma das grandes responsabilidades que requer seriedade, dado ao trabalho exigente; consome muito tempo, engole todo o tempo livre de cada um dos membros. É uma actividade que não se deve exercer eternamente.