Jornal dos Desportos

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Reportagens

O feiticeiro branco

16 de Janeiro, 2012

Lionel Andrés Messi tornou-se no quarto futebolista a ganhar por três vezes

Fotografia: AFP

Ao vencer de novo a Bola de Ouro da FIFA de 2012, Lionel Andrés Messi tornou-se no quarto futebolista a ganhar por três vezes a Bola de Ouro, depois de Johan Cruyff, Michel Platini e Marco Van Basten e no segundo futebolista a ganhar por três vezes consecutivas a Bola de Ouro, depois de Michel Platini.Filho de Jorge Messi e Celia Cuccittini, desde criança demonstrava grande apego à bola, a ponto de negar-se a ir às compras com a família quando não lhe deixavam levar uma bola.

Daria os seus primeiros passos nas categorias menores do Abanderado Grandoli, um pequeno clube onde os outros membros da família já haviam jogado. Entrou para a equipa após ser chamado pelo velho treinador para completar o plantel para uma partida. Tinha apenas quatro anos. Depois, seu pai, Jorge, seria seu treinador na categoria “baby” do Grandoli. Lionel conseguia sobressair com garotos de até sete anos. No entanto, Leo não duraria muito tempo na equipa: os pais tiraram-no do clube, após não lhes terem deixado acompanhar um jogo do filho por falta de dinheiro para pagar os ingressos.

Quando completou sete anos, ingressou nas divisões menores do clube do coração, o Newell’s Old Boys. Ainda assim, não se contentava em jogar na “Lepra”, jogando com regularidade futebol na rua da casa, com os irmãos mais velhos Matías e Rodrigo e dos primos maternos Emanuel e Maxi Biancucchi. Àquela altura, Lionel conseguia jogar contra adversários de 18 anos.

Porém, com 11 anos, foi-lhe detectado um problema hormonal, que retardava o desenvolvimento ósseo de Messi e, em consequência, o seu crescimento. Por um ano e meio, o tratamento de 900 dólares mensais, que consistia em injecções alternadas em cada perna todas as noite,s foi custeado pela fundação onde o seu pai trabalhava, até que a fonte secou. Como o Newell's não quis custear a continuação do tratamento, o pai ofereceu o filho ao River Plate. O interesse do clube da capital fez com que o Newell's voltasse atrás, mas de forma insuficiente, oferecendo 200 pesos por mês.

A descoberta
O pai, então, resolveu apostar a sorte no exterior, também para poupar a família dos efeitos da crise económica que ocorria na Argentina. Uma prima da mãe de Jorge Messi vivia em Lérida, na Catalunha, e acolheu os Messi. Lionel passou a ser observado por um olheiro do Barcelona, que o recomendou para testes no clube. Com 13 anos e 1,40 de altura, conseguiu sair-se bem contra garotos dois anos mais velhos.

Recebeu o apoio de Josep María Minguella, o mesmo homem que trouxera Diego Maradona para o Barça, mas o presidente Joan Gaspart e o director desportivo Carles Rexach hesitavam em adquirir o jovem, uma vez que o clube teria de custear as despesas não só do tratamento, mas também da mudança familiar. O Barcelona só se convenceu após Rexach observar Messi, que estava no Infantil B, jogar pelo Infantil A contra uma equipa de jogadores bem mais velhos. Além de pagar pelo tratamento e pela mudança da família de Messi, o Barcelona também contrataria Jorge para seu olheiro.

Ainda assim, o começo foi difícil. Um tratamento mais intensivo (e caro) precisou de ser feito. O Newell’s negou-se a enviar a documentação necessária para o Barcelona, precisando-se de intervenção da FIFA em favor da permanência do garoto de 14 anos no clube catalão, uma vez que um jovem da sua idade necessitava de estar ao lado do pai, que, em termos oficiais, era funcionário do Barcelona. Com a família radicada em Espanha, cresceu 30 centímetros em 30 meses.

No novo país, seria “rebaptizado” de Leonel Messi, daí surgindo o apelido “Leo”. Na temporada juvenil de 2002/03, marcou 37 vezes em 30 partidas e passou a ser conhecido pelos jogadores da equipa principal, criando boa relação com os brasileiros Fábio Rochemback, Thiago Motta e, sobretudo, Ronaldinho Gaúcho, que o apresentaria como “seu irmão mais novo”, e com os seus compatriotas Juan Román Riquelme e Javier Saviola.

Ainda sem ter estreado entre os profissionais, já era disputado pelas selecções juniores de Argentina e Espanha. Arsène Wenger, técnico do Arsenal, conhecido por garimpar jovens e desconhecidos jogadores, chegou a convidá-lo para jogar na equipa inglesa, que na mesma época tirara Cesc Fàbregas das mesmas categorias do Barcelona que, de imediato, prorrogou o contrato de Messi até 2012.

Temporada
em alta


Aos 24 anos de idade, Messi começou a nova temporada em alta. Disputou a Supertaça da Espanha de 2011 contra o arqui-rival do Barcelona, o Real Madrid de Cristiano Ronaldo. Nessa competição, marcou um dos dois golos no jogo de ida e dois no jogo de volta, tornando-se no artilheiro da competição com três golos marcados e o título nacional. Semanas mais tarde, por conquistar a Liga dos Campeões da UEFA, teve o direito de disputar a Supertaça da UEFA contra o Porto.

Nesse jogo, marcou o primeiro golo da partida e deu o passe para o segundo, marcado por Cesc Fàbregas, levando o Barcelona ao seu segundo título nos primeiros meses da temporada. Em 28 de Setembro de 2011, Messi que vinha apagado na Liga dos Campeões, marcou dois golos contra o Borisov, entrando entre os artilheiros da competição e defendendo o título de artilheiro do torneio continental.

Ao marcar o segundo golo, empatou com o ex-atacante catalão, Kubala, tornando-se no segundo maior goleador da história do Barcelona em competições oficiais, com 194 golos marcados. Com o título da Liga dos Campeões da UEFA conquistado na última temporada, Messi e o Barcelona ganharam o mérito de disputar o Mundial de Clubes da FIFA, representando a Europa. Entrando como favorito ao título, fez a sua estreia apenas a 15 de Dezembro, no Estádio de Yokohama, no Japão, enfrentando o Al-Sadd do Qatar. Nesse jogo, Messi não fez golos, mas participou dos feitos e ainda organizou o clube, saindo de campo com uma actuação elogiada.