Jornal dos Desportos

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Reportagens

O feiticeiro do Sporting da Maianga

Augusto Fernandes - 11 de Setembro, 2009

Tchito surgiu no mundo do futebol aos 12 anos de idade, em 1965, em companhia de Lito Joni, Adelino, Mário Martini, Filomeno Vieira Dias, Manecas Vieira Dias, Nelo Van-Dunem, Beto Miau, entre outros.
Começou a jogar futebol a sério no Sporting Clube da Maianga, em 1967. No mesmo ano e depois de um treino no seu clube, Tchito foi abordado por amigos que eram do Benfica de Luanda e o convidaram para ir treinar no Benfica. “Sem querer, aceitei o convite. No treino, dei um grande show e marquei um golo”, conta.
O treinador, acrescenta, (ficou tão impressionado com a minha exibição que me inscreveu automaticamente no clube, mesmo não tendo o BI, factor que me impedia de estar inscrito no Benfica, mas eles ajudaram-me a tratar do mesmo).
Tchito afirma que, para seu espanto, o seu primeiro jogo no campeonato provincial de juvenis foi contra o Sporting. (Todos do meu antigo clube chamaram-me de traidor. Foi um dia terrível), lembra-se Tchito.
Naquela época, as equipas mais fortes eram o Benfica, Asa, Atlético Clube de Luanda, Ferroviário, Bairros Unidos e Sporting de Luanda. Os jogadores mais sonantes eram o Nando Tramagal (do ASA), Inglês e Zezé (do Sporting), Catete e André Costa (do Atlético), Rábida (do União do São Paulo), Lulu (do Terra Nova, e Charumbo.
Em 1970, e porque o Maianga Futebol Clube era filial do Sporting de Braga, foi seleccionado para representar o emblema português em companhia de Adelino Star, Furtado, e Malunga (que era polivalente), mas o clube não permitiu a sua partida para terras de Camões, o que o deixou muito desapontado.
Médio ofensivo, Tchito era dos jogadores que empurravam a sua equipa para a vitória. (Eu dava a marcar e marcava muitos golos. Dificilmente, perdíamos duas vezes com a mesma equipa. Eu era decisivo para as vitórias do meu clube e por isso ganhei a fama de feiticeiro do Maianga), afirma.
Os grandes papões da praça eram então o ASA e o Ferrovia. O Maianga era das equipas que lutavam para o meio da tabela. Em 1971 e porque não se ganhava nada com o futebol, fez uma breve paragem na sua carreira e optou pela música como cantor individual em companhia de David Zé, Urbano de Castro e outros.
Em 1974, retornou ao mundo do futebol no célebre torneio Cuca, a jogar pelos santistas. Com o fim do torneio Cuca, em companhia de Beto Miau, Augusto e Chico Negrita organizaram um torneio de futebol para ocuparem os tempos livres. (Na quarta jornada, o Chico Negrita, jogando pelo ASER do Rangel, morre, em pleno campo, sem que ninguém lhe tocasse. Foi um choque terrível para todos nós), diz Tchito.
Contudo, em companhia de Beto Miau, Tchito ajudou muitos jogadores a aparecerem na cena desportiva, entre os quais Vieira Dias, Milungo e Gaudalio. Ainda em 1974, em resultado da fusão entre os Falcões do São Paulo e o São Paulo, nasceu o Nelito Soares Futebol Clube, do qual foi dirigente e jogador.
Com Nato do Terra Nova, Pacavira, Nicolau, Mascarenhas e Chico Ventura, foi um dos grandes impulsionadores do futebol feminino, não só a nível do Nelito Soares, como também na província e, consequentemente, a nível nacional.
Segundo Tchito, o futebol feminino está a morrer porque os clubes não têm capacidade para pagar os avultados preços que lhes são cobrados para efectuar os jogos.
Quando deixou de jogar futebol oficialmente, Tchito abraçou a carreira de dirigente desportivo que viria a abandonar em 1998 porque não havia clima para continuar. Actualmente, Tchito vive na rua C8 casa nº 41 e é músico (vocalista) da Banda saudade e da Mosafro.