Jornal dos Desportos

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Reportagens

O fim perto do título

Francisco Carvalho - 12 de Abril, 2010

Mark Webber pode abandonar Fórmula-1 no dia 31 de Julho

Fotografia: Reuters

Quando se aproxima a data de realização do Grande Prémio da China, no circuito de Xangai, no próximo fim-de-semana, dia 18, a Fórmula-1 ganha novas controvérsias nos contratos dos pilotos. E para melhor "pintar a nódoa" da competição, os rumores sobre a saída de Webber da Red Bull ganham força nos últimos dias. O australiano foi somente o segundo classificado do Grande Prémio da Malásia que lhe confere o oitavo lugar com 24 pontos na tabela de classificação de pilotos.

O jovem de 34 anos de idade nasceu na cidade de Queanbeyan, na Austrália, no dia 27 de Agosto de 1976. Tem 74 Kg de peso e 1,83 metros de altura. Actualmente é o piloto número seis e corre com o modelo de carro RB6 na equipa Red Bull. Estreou-se na Fórmula-1 em 2002 no Grande Prémio da Austrália pela extinta equipa Minardi e nos anos subsequentes, 2003 e 2004, representou as cores da equipa Jaguar e, em 2005 e 2006, pilotou a Williams. Desde o ano de 2007, Robert Webber eleva a imagem da Red Bull a cada ano. Em 2009, conquistou o 4º lugar da tabela de classificação, numa acérrima competição que colocou Jenson Button, campeão nas duas últimas provas da época.

Webber participou em 141 Grandes Prémios que lhe valeu 11 pódios, duas vitórias (Grande Prémio da Austrália de 2009 e Grande Prémio do Brasil de 2009) duas pole position, 193,5 pontos, quatro voltas mais rápidas e nenhum título de campeão. Quando tudo aponta para lutar por um título na carreira, a direcção da Red Bull não parece interessado em renovar o contrato com o piloto australiano, cuja data expira a 31 de Julho próximo. Por outro lado, em causa está também o pronunciamento feito recentemente, no qual anunciou a aposentação num futuro próximo.

Para preservar a qualidade e a imagem da equipa, a troca por outro piloto no cockpit da Red Bull torna-se numa especulação que agita a Fórmula-1. Essas especulações ganham contornos alarmantes que podem afectar psicologicamente o piloto na prova de Xangai, onde se augura a repetição do feito alcaçado na Malásia. Entre os nomes sonantes que pintam a imprensa internacional para substituir o australiano Mark Webber da Red Bull constam o do finlandês Kimi Raikkoni e do alemão Nick Heidfeld.

São dois pilotos que estão fora da lista dos principais pilotos na presente época. Kimi Raikonen corre actualmente no Mundial de Ralis numa equipa vinculada à marca de energéticos e Kick Heidfeld é piloto de testes da Mercedes. Se a pretensão dos principais patrões da equipa se concretizar, o australiano Mark Webber vai assistir às restantes corridas da época pela televisão, longe dos palcos habituais. A situação é "danosa" para quem pode ser campeão.

RED BULL
NA COLÔMBIA

No outro extremo da terra, David Coulthard lembrou os tempos de piloto profissional no último sábado na Colômbia num evento de exibição da marca. O escocês dirigiu um carro de Fórmula 1 da Red Bull pelas ruas de Bogotá. A aceleração do monolugar começou às 06 horas da manhã, no horário local, pelas ruas da capital colombiana, num percurso entre a Praça Bolívar até à Avenida Carrera.

Em entrevista à comunicação social, Coulthard disse que reconhece a hospitalidade e ambiente amigável dos sul-americanos, mas tem certeza de que "têm uma cultura própria e estilo de vida único".Apesar de ter conduzido várias vezes carros como o que pilotou em Bogotá, Coulthard estranhou a altitude de cidade, de dois mil e seiscentos e quarenta metros. "Nunca dirigi numa altitude dessas. Apesar de o motor ter menos potência, pela escassez de oxigénio, tenho a certeza de que consegui dar um grande espetáculo", disse.

Uma carreira construída
nas pistas da Inglaterra

Mark Webber deixou a Austrália após competir no kart e no campeonato australiano de Fórmula Ford no final de 1995. No mesmo ano, fez a estreia internacional na Fórmula Ford Festival em Brands Hatch, Inglaterra, onde obteve o terceiro lugar pela equipa Van Diemen.
No ano seguinte, conquistou quatro vitórias no Campeonato Britânico de Fórmula Ford, que lhe mereceu o segundo lugar na tabela de classificação final. No mesmo ano, venceu a Fórmula Ford Festival e a corrida de Spa-Francorchamps pela Fórmula Ford Euro Cup (terminou o campeonato em terceiro, apesar de competir em apenas duas das três provas). Em 1997, mudou de categoria e passou a correr pela Fórmula 3 Inglesa.

Na famosa corrida das 24 horas de Le Mans, Mark Webber pilotou a Mercedes CLR, na corrida pela classe LMGTP. Porém, devido a falhas aerodinâmicas no carro, Webber teve dois acidentes espectaculares: um durante o treino e outro durante a corrida. No segundo acidente durante a corrida, Webber foi lançado para fora da curva Mulsanne Straight. Após a disputa no Le Mans, Mark Webber foi convidado por Paul Stoddart para participar de uma equipa da Fórmula 3000, a qual lhe ajudou a ingressar directamente à Fórmula-1.

Em 2000, Webber foi piloto de testes da equipa Arrows, pela qual também competia no campeonato europeu de Fórmula 3000.
Em 2001 foi piloto de testes da Benetton e havia sido substituído no ano seguinte por Fernando Alonso. Nessa mesma época, passou a ser agenciado por Flavio Briatori, que lhe assegurou junto a Paul Stoddart um contrato para estrear na equipa Minardi em 2003.
Mark Webber fez a estreia na Fórmula-1 no Grande Prémio da Austrália de 2002 pela equipa Minardi.

O contrato inicial era para apenas três corridas, mas foi prorrogado até ao final da época após conseguir o quinto lugar na primeira corrida. Com o fraco desempenho do modelo PS02, constituiu no melhor resultado do australiano e da equipa durante toda a época.
Em Novembro de 2002, foi anunciado que Mark Webber iria para a equipa Jaguar na época seguinte, ao lado do brasileiro António Pizzonia. Em 2003, em representação da equipa inglesa, com um carro bastante limitado, conseguiu pontuar em sete corridas, terminou o campeonato em 10º lugar e havia sido eleito pela revista Autosport com o título de "Piloto do ano".

Em 2005, já com as cores da Williams, Mark Webber subiu pela primeira vez ao pódio, em terceiro lugar, no Grande Prémio de Monaco e pontuou na maioria dos GPs disputados, 10 dos 18 possíveis. Em 2006, com a saída dos motores BMW da Williams e sem conseguir manter o mesmo rendimento do ano anterior, abandonou a maioria das corridas e pontuou em apenas três etapas durante todo o campeonato. Em 2007, pela equipa Red Bull, voltou a subir ao pódio com o terceiro lugar no Grande Prémio da Europa. Em 2009, conquistou a primeira polé position no Grande Prémio da Alemanha.

Em seguida, a primeira vitória, vinte e oito anos após a última vitória de um australiano: o campeão mundial Alan Jones. A segunda vitória foi conquistada na penúltima prova do ano, no Grande Prémio do Brasil. Em 2010, no Grande Prémio da Malásia, o piloto australiano conseguiu a segunda polé position da carreira e segundo lugar da classificação final.

Consternação
de Kubica

Consternado pela morte do presidente Lech Kaczynski e mais outras 96 pessoas, dos quais membros do governo polaco, no desastre aéreo do último sábado, o piloto da Renault, Robert Kubica, expôs a sua tristeza aos concidadãos. Em entrevista ao site especializado em automobilismo Autosport, o piloto polaco afirmou estar “profundamente chocado e triste pela notícia desta tragédia, sem precedentes na história do país".

Emocionado, Kubica enviou sentimentos de pesar a todas as famílias das vítimas. "O dia de respeito pelas vítimas de Katyn (cerimónia realizada anualmente em memória dos soldados polacos mortos nas florestas de Katyn durante a Segunda Guerra Mundial), foi transformado num dos lutos mais dolorosos da Polónia. Dirijo as minhas mais sinceras condolências às famílias das vítimas", afirmou.

O acidente ocorreu, quando a aeronave que decolou de Varsóvia estava próxima de destino, o aeroporto de Smolensk, na Rússia. Ainda não há informações sobre as circunstâncias da queda. Além do chefe de Estado, muitos dos tripulantes eram autoridades do governo e pertenciam à comitiva de Kaczynski. Devido à tragédia, as partidas do "Final Four" da Liga dos Campeões de voleibol, que seriam realizadas em Belchatow, foram canceladas, assim como todas as competições desportivas.