Jornal dos Desportos

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Reportagens

O furacão do Mundial de 70

12 de Março, 2012

Em 2006 foi homenageado pelo Botafogo

Fotografia: AFP

Jair Ventura Filho é um dos heróis do Mundial de 1970, em que o Brasil conquistou em definitivo a Taça Jules Rimet ao sagrar-se tricampeão. Peça fundamental desta conquista, ganhou a alcunha de Furacão do Mundial, tendo marcado golos em todas as partidas. Até agora mais ninguém igualou esta marca.

Ponta-de-lança no Botafogo, usava a camisola sete quando defendia a selecção brasileira, pela qual jogou 107 partidas (87 oficiais) e marcou 44 golos. Também participou nos mundiais de 1966 e 1974.Considerado por ex-companheiros de profissão e pela parte mais categorizada da crónica desportiva brasileira e estrangeira como um dos maiores avançados de todos os tempos, unia em doses excepcionais técnica, velocidade, força, preparação física e valentia, características que o imortalizaram como um dos maiores ídolos do Botafogo, além de outros clubes pelos quais passou, caso do Cruzeiro de Belo Horizonte e do Olimpique de Marselha.

Carreira
Jair começou a praticar futebol em 1958, no General Severiano. Em 1961, foi campeão pela primeira vez, jogando no juvenil do Botafogo. Foi tricampeão na categoria em 61, 62 e 63. Assumiu a posição de titular em 63, no Campeonato Carioca, e três anos depois disputava o seu primeiro Mundial.Chegou ao Botafogo na era de ouro do clube, que reunia naquele momento a maior classe de craques do futebol brasileiro e mundial, com um elenco com o qual apenas o brilhante Santos daquela mesma época rivalizava.

Os craques que o então menino Jairzinho via treinar em General Severiano eram Didi, Nilton Santos, Amarildo, Quarentinha e principalmente o genial Garrincha, maior responsável pelo bicampeonato mundial brasileiro de 58 e 62.Num ambiente tão propício ao talento, não é de surpreender que o promissor Jairzinho tanto aprendesse e logo despontasse como craque-prodígio, no momento em que teve a oportunidade de ingressar nas categorias de base do Botafogo.

A primeira passagem pela selecção brasileira foi na conquista do Pan-Americano de 1963, disputado em São Paulo. A partir daí, substituindo Garrincha no Botafogo, que formou uma outra grande equipa depois da geração de Garrincha, Didi e Nilton Santos, agora com o próprio Jairzinho, Gérson, Arlindo, Roberto Miranda, depois com a revelação de craques como Rogério, Paulo César, Afonsinho, Nei Conceição e Zequinha, era questão de tempo que se afirmasse como craque e titular absoluto da selecção canarinha, o que de facto ocorreu após o Mundial de 1966.

Muitos afirmam que Jairzinho foi, entre os mundiais de 66 e 74, o melhor avançado do futebol mundial. As conquistas consecutivas no Brasil e as vitoriosas excursões ao exterior do Botafogo confirmam tal avaliação. Mesmo no Mundial de 1974, quando o Brasil não mostrou um futebol comparável ao de 1970, a selecção brasileira conquistou um honroso quarto lugar, classificação que as selecções de 82, 86, 1990, 2006 e 2010 nem de perto alcançaram.

Jair ficou no Botafogo até Dezembro de1974, quando foi vendido ao Olympique de Marselha. Voltou ao futebol brasileiro após pouco mais de um ano e foi campeão da Libertadores em 1976 pelo Cruzeiro. Em 2006, foi homenageado pelo Botafogo com o lançamento de uma camisola comemorativa com a sua assinatura em dourado, o seu nome e o número sete nas costas.

Futebol

Sócrates fez história fora do campo e na selecção

Formado em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira começou a carreira de jogador de futebol no Botafogo-SP, clube em que também se revelou o irmão do ex-jogador Raí, campeão do mundo em 1992 e 1993 pelo São Paulo, no ano de 1974, depois de terminar o curso de graduação. Com a camisola tricolor no interior, Sócrates mostrou um enorme talento, especialmente na troca de passes. Sem muita velocidade e explosão, o ex-meio-campista notabilizou o toque de calcanhar e a categoria com a bola nos pés. No Botafogo-SP, a principal campanha ocorreu em 1977, quando terminou como melhor marcador da competição.

A boa passagem durante os quatro anos pelo clube do interior proporcionou a transferência para o Parque São Jorge em 1978, quando se firmou no cenário nacional, conquistando espaço, inclusive, na selecção brasileira. Com a camisola alvinegra, o “Doutor”, como ficou conhecido no mundo do futebol devido à formação académica, disputou 298 jogos e assinalou 172 golos – ocupa a oitava posição no ranking de marcadores da história do clube. Além das conquistas individuais, consagrou-se ao vencer os Campeonatos Paulistas de 1979, 1982, 1983.

Além das conquistas desportivas com o Corinthians, Sócrates também teve um papel fundamental na política do clube, atingindo até um nível nacional. O ex-meio-campista acabou por ser um dos líderes da Democracia Corintiana, um movimento de cunho ideológico que transformou o ambiente normal do dia-a-dia de um clube. Os jogadores, anteriormente submissos às decisões da comissão técnica, passaram a também participar das decisões, como em caso de concentrações, viagens, entre outros.

As atitudes da equipa modificaram a hierarquia dentro do Corinthians. Sob o período da democracia, o voto do presidente numa decisão interna tinha o mesmo peso da opção de um roupeiro. Com tamanha politização fora dos relvados, o ex-jogador tornou-se um símbolo, inclusive, da luta contra a ditadura militar, que acabou em 1985. O movimento criado internamente no clube estendeu-se ao público, especialmente quando o Corinthians vestiu uma camisola com o “patrocínio” das “Directas Já”, variando para frases como “Dia 15, vote”, por conta da eleição directa para o governo de São Paulo e “Eu quero votar para presidente”.

Um dos atletas mais influentes dentro do grupo, Sócrates nunca escondeu a insatisfação em relação à ditadura e fazia a liderança dentro da equipa com opiniões fortes num dos períodos mais tensos da história recente do Brasil. Tal movimento não atrapalhou o desempenho da equipa alvinegra dentro dos relvados. Durante o período da “Democracia”, o Corinthians venceu o campeonato paulista duas vezes (1982 e 1983), numa das formações mais exaltadas pela claque. O desempenho de Sócrates, inclusive, rendeu ao meio-campista a convocação para o Mundial de 1982, quando o Brasil perdeu com a Itália nos quartos-de-final.

Dono de um estilo elegante dentro de campo, Sócrates deixou o Corinthians em 1984 e transferiu-se para a Fiorentina, da Itália. No futebol europeu, o ex-jogador não apresentou o mesmo nível de jogo e regressou ao seu país um ano depois, para defender o Flamengo. No Rio de Janeiro, foi convocado para o Mundial de 1986.

Automobilismo

O piloto recordista
dos prémios da F-1


Para alguns representou a inteligência ao volante. Para outros era o candidato ideal para igualar e superar o recorde de cinco campeonatos mundiais do argentino Juan Manuel Fangio. Para o mundo automobilístico, a saída do francês Alain Prost em 1993, depois de conquistar o seu quarto título mundial, encerrou a página de um dos melhores pilotos da história da Fórmula 1. Em 13 anos de carreira na categoria máxima, o francês Alain Prost conquistou quatro campeonatos mundiais, em 1985, 1986, 1989 e 1993, e entre os seus recordes estavam 51 vitórias em 199 Grandes Prémios, com um total de 798.5 pontos.

Alain Marie Pascal Prost, conhecido como “O Professor”, nasceu a 24 de Fevereiro de 1955 no Loire, localidade perto de Saint-Chamond, França. Em 1973 ganhou o Campeonato French Junior Karting e o European Junior Karting, além de terminar em 14º lugar no campeonato mundial de kart, especialidade onde o francês iniciou a sua carreira desportiva. Depois dos seus campeonatos na Fórmula Renault e na Fórmula 3 Europeia, Prost estreou-se na Fórmula 1 a 13 de Janeiro de 1980, com um sexto lugar no Grande Prémio da Argentina, com a escuderia da McLaren, entre figuras como Alan Jones, Gilles Villeneuve, Jacques Laffite e Elio de Angelis. Na temporada seguinte, mudou para a escuderia da Renault e conseguiu a sua primeira vitória no circuito de Dijon, no Grande Prémio da França, em 7 de Maio de 1981.

Em 1983, o seu último pela Renault, Alain alcançou o sub-campeonato na última campanha da era Turbo, antes de voltar para a escuderia McLaren e começar a dinastia da equipa de Ron Dennis na década de 80. Prost subiu sete vezes ao lugar mais alto do pódio, para dominar a temporada de 1984 com o austríaco Niki Lauda, que ganhou o título mundial. Mas, no Grande Prémio de Mónaco, Alain conheceu debaixo da chuva de Montecarlo a qualidade de um jovem piloto brasileiro, Ayrton Senna da Silva, que se tornou, anos mais tarde, seu companheiro de equipa e, acima de tudo, o seu principal rival nas pistas. Com o seu estilo pessoal de fazer corridas inteligentes, Prost ganhou os campeonatos mundiais de 1985 e 1986 que o colocaram como um dos melhores pilotos daquele momento, mas Prost tinha pela frente a prova mais difícil da sua carreira: Senna.

Depois de três anos com a Lotus, Senna, chegou à McLaren sob a sombra do bicampeão Prost. Alain ganhou sete vezes e a McLaren teve uma temporada quase perfeita impondo-se em 15 das 16 competições. Naquele ano, consideravam-se apenas os 11 melhores Grande Prémios e Senna conquistou o seu primeiro campeonato, com 90 pontos, ainda que no total dos resultados Prost tenha obtido mais pontos que o seu colega de equipa.

Em 1989, Prost ganhou o terceiro campeonato numa das corridas de Fórmula 1 mais polémicas da história. Prost e Senna bateram, na última volta do circuito de Suzuka. Enquanto Alain desceu do carro, Senna foi empurrado e voltou à corrida, mas foi desclassificado por essa manobra. Em 1990, Prost vai para a Ferrari e em 1992 decide não participar no mundial. A escuderia Williams oferece-lhe uma vaga e, em 94, regressa para ganhar o seu quarto e último campeonato, antes de anunciar a sua saída definitiva como piloto. A partir de 1997, Prost começou uma nova aventura na Fórmula 1 ao criar a sua própria escuderia, com o propósito de continuar à procura de mais recordes no mundo da velocidade.