Jornal dos Desportos

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Reportagens

O homem que se forjou no futebol salão

Augusto Fernandes - 22 de Janeiro, 2012

Jorge Samuel veloz com a bola nos pés

Fotografia: Jornal dos Desportos

Foi uma vez vice campeão nacional pelo Nacional de Benguela em 1979. É contemporâneo de Arlindo Leitão, Nando Jordão, Pedro Garcia, Leandro, Quim, Luvambo, Lourenço, Pinto Leite, Quibo, Zagalo, Mendonça e outros. Em 1966, na escola de artes e ofícios do Moxico, aos 19 anos de idade, o jovem Samuel, começou a jogar futebol a sério, representando uma equipa de futebol de salão da referida escola.

Mas por força do serviço militar em 1971, Samuel deixou a sua terra natal e foi para o município da Bela Vista província de Silva Porto (hoje Bié). Na Bela Vista ingressou no Benfica Local onde jogou no campeonato intermunicipais, com Custodio, Fernandinho, Vasquito e outros.

Além do Benfica da Bela Vista faziam parte do campeonato, as equipas do Atlético do Andulo, Sporting de Silva Porto, Benfica De Nova Lisboa (actual Huambo), com Lutucuta, Henriques e outros. O Ferróvia com os manos Arlindo e Manecas Leitão e companhia e o Recreativo da Caála, com Carnaval, que foi um grande guarda-redes na época.

Em 1972, Samuel foi convidado a jogar pelo Sporting de Benguela, onde encontrou o Zagalo, Barros Júnior, Faz Tudo, Quibo, Nando Jordão, Mendonça, Rosário, Pascoal e outros. Samuel diz que, “ naquela época o Portugal de Benguela, com jogadores como Armindo, Batista, Calonguende, Silva Leandro, Garcia, Luvambo, e companhia, e o Sporting, eram as equipas mais fortes do distrito. “Até hoje sinto saudades dos derbys entre nós. E infelizmente, foi num destes derbys que o nosso treinador Miau, que por sinal já havia sido jogador e treinador do Portugal de Benguela (hoje Nacional de Benguela) perdeu a vida.

A dado momento do jogo nós estávamos em vantagem de uma bola a zero mas o Portugal fez o empate com um golo marcado com a mão e isso foi o suficiente para causar um enfarte terrível e assim perdemos o Miau”, explicou o atleta. Aos 25 de Abril de 1974 o campeonato distrital foi interrompido e Samuel resguardou-se no Porto Amboim. Um ano depois, regressou a Benguela, e fez parte da primeira equipa do 1º de Maio que antes era o Benfica local tendo jogado apenas seis meses.

A convite de Amílcar Silva, na época treinador do Nacional de Benguela, em 1976/77 ingressou na Nacional de Benguela onde viria a permanecer até 1988/89. Com o Nacional, Samuel foi uma vez vice campeão de Angola em 1979 tendo disputado a celebre final com o 1º de Agosto. Samuel recorda-se que, “ o 1º de Agosto era uma equipa muito forte, com Ndunguidi sendo o mais perigoso. Em 15 minutos de jogo nós já perdíamos por uma bola a zero e estávamos totalmente cansados devido a pressão imposta pelo adversário.

Mas com a chegada ao estádio do presidente da República o jogo teve de ser interrompido para alguns protocolos e ai recuperamos o fôlego e demos uma grande luta e perdemos o jogo já no fim. Em minha opinião o segundo golo do 1º de Agosto foi precedido de falta sobre o nosso guarda-redes. Mas o D’Agosto mereceu a vitoria”. Samuel terminou a sua carreira nos Gaiatos de Benguela em 1989/90. Actualmente é funcionário do ministério das pescas.

>> Quem é quem

Nome: Jorge Samuel da Cruz
Filiação: Samuel da Cruz e de Natércia João
Naturalidade: Moxico
Estado civil: Solteiro
Filhos: 07
Prato preferido: Fungi com Calulú
Bebida: Vinho
Musica: Semba e Tango
Cor: Azul
Número da camisola: 9
Pais de sonho: Itália
Cidade angolana: Benguela
Hooby: Leituras e ver TV
Calçado: 39
Calor ou frio: Frio
Momento mais marcante: A vitoria sobre os Palancas do Huambo por 8-0
Religião: Católica
Porque acredita em Deus: Porque vejo a mão de Deus em tudo o que nos rodeia