Jornal dos Desportos

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Reportagens

O jogador da carreira quase perfeita

13 de Junho, 2011

Michel Platini venceu campeonatos e taças dos países onde jogou.

Fotografia: AFP

Considerado pela generalidade do mundo futebolístico como o melhor jogador francês de todos os tempos, Michel Platini é hoje um dos nomes mais fortes do dirigismo europeu. Como futebolista era elegante, inteligente e com uma “frieza assassina” quando de frente para o golo. Foi vencedor da Taça das Taças, Taça dos Campeões Europeus, Supertaça Europeia e Taça Intercontinental. Foi eleito por três vezes consecutivas melhor jogador da Europa e por duas do Mundo. Fez 72 jogos pela selecção de França, 49 dos quais como capitão e apontou 41 golos. Foi o melhor marcador francês de sempre. Venceu ainda um Campeonato da Europa. Faltou-lhe apenas o Campeonato do Mundo para ter uma carreira perfeita. Ainda assim, impressionante!

Origens e início
Michel Platini nasceu a 21 de Junho de 1955 em Joeuf, uma localidade no leste de França. Como tantos outros grandes nomes ligados ao desporto francês é descendente de imigrantes. O seu avô era italiano e foi para França em busca de uma vida melhor. Mais tarde, Michel haveria de unir a França e a Itália a seus pés. Despertou para o futebol aos 17 anos quando o Nancy o foi contratar ao modesto AS Joeuf onde Michel se formou. Quatro anos depois era convocado para os Jogos Olímpicos de Montreal como a grande esperança gaulesa. Não foi além do quinto lugar mas nesse mesmo ano estreou-se na selecção A frente à Checoslováquia. Estávamos em 1976 e Michel contava apenas 21 anos.

A afirmação
Em 1978, já com Platini como figura de proa da equipa, o Nancy vencia a Taça de França. Nesse mesmo ano a França apurou-se para a fase final do Mundial a disputar na Argentina graças a um golo decisivo de Platini frente à Bulgária. Haveria de repetir a façanha quatro anos depois frente à Holanda e oito mais tarde frente à Jugoslávia. Na Argentina, o sorteio não foi favorável e juntou a França aos colossos Itália e Argentina, equipa anfitriã onde brilhava Mário Kempes e que viria a sagrar-se Campeã do Mundo. Platini ainda marcou ante os alvi-celestes mas a França saiu após a primeira fase. Findo o Mundial, Platini jogou mais uma época no Nancy até ser transferido para o Saint-Étienne. Por lá permaneceu três épocas tendo vencido o campeonato Francês em 1980/81. Em 82 é ele de novo que qualifica a França para a fase final de um novo Mundial, que viria a ser disputado na vizinha Espanha.

Caminho para o estrelato
Uma campanha sensacional em Espanha levou a França pela segunda vez na sua história às meias-finais de um Campeonato do Mundo. Platini era o seu organizador de jogo e ao mesmo tempo o seu principal goleador. Antes, frente à Bélgica, numa exibição memorável, facturou uma série perfeita de três golos. Um de pé direito, um de pé esquerdo e o outro de cabeça. Era um jogador completo pronto a explodir e a atingir o estrelato. A passagem à final jogava-se em Sevilha frente à poderosa RFA. Num jogo tanto emocionante quanto trágico, os gauleses não aguentaram a vantagem de dois golos a apenas 22 minutos do final do prolongamento e após consentirem o empate, sucumbiram nas grandes penalidades.

Perderam o jogo, a final e Patrick Battiston, que, vítima de uma entrada bárbara do controverso guarda-redes germânico Harald Shummacher, saiu do campo em maca, inconsciente, com Platini a segurar a sua mão. Nunca os franceses haviam chorado tanto nem se sentiram tão injustiçados como no final daquela partida. No jogo seguinte a Polónia iria tirar o terceiro lugar a uma selecção já destroçada pela desilusão. Platini deixou o Mundial com nove golos apontados em cinco partidas e uma paixão italiana: a Juventus ofereceu-lhe um contrato que o fez rumar a Turim.

No topo do Mundo
A entrada na Juventus foi fulminante. No fim da primeira época em Turim Platini coleccionava já uma Taça de Itália, o troféu de melhor marcador do campeonato e ainda a distinção de melhor jogador europeu do ano de 1983. Se a primeira época foi boa, a segunda seria de sonho. Venceu o primeiro de três campeonatos italianos consecutivos, sagrando-se de novo o melhor marcador da prova. Ganhou ainda a eleição para a Bola de Ouro para o melhor jogador do Mundo no ano de 1984 e chegou à final da Taça das Taças onde teve o seu primeiro encontro com os portugueses.

O seu adversário foi o FC Porto, que havia surpreendido toda a Europa do futebol ao chegar à primeira final da sua história. O jogo foi deveras polémico com o FC Porto a queixar-se bastante da arbitragem e o árbitro da partida a ser mesmo posto de parte pela UEFA em consequência de tão desastrosa arbitragem. Venceu a Juventus por 2-1 com golos de Vignola e Boniek com Platini em grande plano.
Foram tantas as vitórias e prémios que podemos considerar a sua carreira quase perfeita..