Jornal dos Desportos

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Reportagens

O melhor ciclista da actualidade

Simão Kibondo - 04 de Abril, 2013

Isabel da Graça Gonçalves é actualmente o nome mais sonante do ciclismo angolano

Fotografia: Jornal dos Desportos

A ciclista Isabel da Graça Gonçalves é actualmente o nome mais sonante do ciclismo angolano que muitas vezes por falta de concorrentes no escalão foi forçada a pedalar com masculinos.

Isabel Gonçalves praticamente não tem tido concorrente nas poucas competições realizadas pela Federação Angolana de Ciclismo (FACI) desde 2009, altura  da oficialização da modalidade  no escalão feminino.

Esta ciclista chamou a atenção do amantes da modalidades quando em 2011 tomou parte das pedaladas Luanda/ Malange e Luanda/Huambo, por ter sido a única participante do escalão feminino a tomar parte e a terminar com êxito o desafio.

O reconhecimento dos amantes da modalidades nesta iniciativa deveu-se ao facto de não ser hábito a participação de ciclistas femininos em actividades onde os ciclistas enfrentam algumas situações duras, como distâncias longas, montanhas, curvas e contra-curvas e condições climatéricas adversas, como enxurradas, entre outras dificuldades provocadas pela natureza.

“Participei nas pedaladas Malange/ Luanda e Huambo/ Luanda para saudar efemérides como o 4 de Fevereiro, início da Luta Armada e 11 de Novembro, aniversário da Independência Nacional, uma em 2011 e outra por ocasião do 11 de Novembro de 2012, que serviram para mostrar à sociedade que a mulher angolana também está envolvida na prática de desportos usualmente atribuídos aos homens”, confirmou.


COMPETIÇÕES OFICIAIS

Em Março de 2011foi oficializada a prática da modalidade no escalão feminino

Isabel Gonçalves foi uma das protagonistas na oficialização da prática federada do ciclismo feminino a 08 de Março de 2011, tendo vencido a prova que a Federação Angolana de Ciclismo (FACI) organizou com o patrocínio da Organização da Mulher Angolano (OMA), realizada no circuito do Grupo Rádio Nacional (RNA).

“A corrida Março Mulher de 2011 serviu praticamente para oficializar a prática do ciclismo feminino federado em Angola, onde apesar do apelo lançado pela FACI, até agora as outras províncias ainda não corresponderam para começarmos ter de facto um desenvolvimento na massificação da modalidade no escalão”, disse.


PING PONG

“Fui a única ciclista feminina na pedalada Luanda/Malange”


Jornal dos Desportos: Quer comentar a sua participação nas pedaladas em que participou?
Isabel Gonçalves: Na pedalada Luanda/Malange eu fui a única concorrente feminina, isto por si só diz tudo. E fiz as mesmas distâncias que estavam estabelecidas para o Capitão “Certeza”, ciclista veterano, e reservada aos cadetes e juvenis.

No final fui elogiada por todos por ter cumprido os objectivos que a minha equipa, a Escola David Ricardo, do treinador com o mesmo nome, se propunha atingir com a minha participação.  
 
JD: Como está o ciclismo angolano, em particular o feminino?
IG: O ciclismo duma maneira geral necessita de patrocínios, pois não basta a nossa vontade de como amantes da modalidade continuarmos a trabalhar mesmo sem apoios.

JD: Quais as dificuldades que enfrenta para praticar o ciclismo?

IG: Para começar, necessito de um meio (bicicleta). Eu não tenho possibilidades de adquirir pelos parcos recursos que consigo através das minhas outras actividades.

JD: Quer deixar uma mensagem para as amantes do ciclismo feminino?

IG: Quero que mais senhoras ou praticantes do escalão feminino de todas as idades pratiquem ou aprendam a andar de bicicleta, porque será uma forma de atraírem mais praticantes da modalidade ao desporto federado.


MOMENTOS

Maratona Huambo/
Luanda me marcaram


A participação de Isabel Gonçalves na pedalada Luanda/Malange atraiu mais colegas para a maratona Luanda/Huambo, que aconteceu logo a seguir, em que alinhou também a Sónia Justina, tendo desistido a Catova.

“Numa das etapas da pedalada do Huambo, quando estavam quase a chegar ao destino, nós as meninas estávamos cheias de sede, pedimos água e o resto do pelotão disse-nos que não havia água para ninguém e que tínhamos que continuar até à área reservada para o abastecimento líquido de todos os participantes.”
“Tivemos que sofrer mais alguns quilómetros para beneficiar daquele apoio e foi de facto uma experiência que nos fez sentir que quem fizer ciclismo está sujeito a vários sacrifícios”, concluiu.


POR DENTRO

Nome completo: Isabel da Graça Francisco Gonçalves
Filiação: Francisco Gonçalves e Domingas Manuel Fernandes Gonçalves
Local e Data de Nascimento: Malange, aos 10 de Janeiro de 1992.
Estado civil: Solteira
Filhos: Não tenho
Altura: 1,65 m
Peso: 52 kg
Calçado: 39
Tempos Livres: Literatura
Prato: Cabidela
Bebida: Água
Carro Próprio: Tenho
Casa: Também. Sou uma das beneficiárias das tendas do Benfica
Perfume: Toda a linha para mulher
Recorre a mentiras: Às vezes
Clube do coração: Petro Atlético de Luanda. A nível internacional, o Barcelona
País de sonho: Angola
Ídolo: Em Angola, o treinador David Ricardo. Ainda os ciclistas Igor Silva, Dário António e o Epalanga. No estrangeiro o ciclista espanhol Alberto Contador
Sonho: Quero participar no Tour de França, de Espanha, nos Jogos Panafricanos, Campeonatos africanos em representação de Angola e no continente africano.