Jornal dos Desportos

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Reportagens

O melhor gurada-redes da actualidade

14 de Setembro, 2009

Aos 30 anos, ídolo no Brasil e na Itália, Júlio é tido como o melhor gurda-redes do mundo. Os elogios tornaram-se “corriqueiros” e quase repetitivos a cada jogo da seleção brasileira.
“É muito bom ter o Júlio César na minha equipa. Joguei muitas vezes contra ele no Inter de Milão e no Flamengo. Na arena internacional ele é visto como um dos melhores do mundo. Se houvesse eleição para a posição de guarda-redes seria o escolhido. A nossa defesa é uma das mais fortes do mundo em parte por ter um grande homem na baliza”, afirmou Kaká.
O prodígio dos escalõos de base do Flamengo subverteu a ordem de preferência a gurada-redes “experientes” e estreou-se como profissional aos  17 anos, aos 13 de Maio de 1997. Foi uma autêntica sombra ao então titular, Clemer, até o segundo semestre de 2000. Na posição mais “ingrata” e no clube com mais adeptos do Brasil, não sucumbiu à pressão.
Um dos heróis do tri-campeonato estadual de 2001, sofreu com épocas más nos Campeonatos Brasileiros, mas escapou das críticas. Com demonstrações de amor ao clube e defesas milagrosas, tornou-se ídolo e retribui o carinho até hoje.
Júlio aguentou a responsabilidade de ser o “goleiro” do Flamengo com muita tranquilidade. Aos 17 anos estreou-se e aos 21 tornou-se titular.
A sua saída não foi traumática. Deixou o clube da Gávea no fim de 2004 rumo ao Inter de Milão. Os seis primeiros meses na Itália foram diferentes daquilo a que estava habituado. Não houve pressão. Antes, fez uma espécie de estágio no Chievo, de Verona, na qual nem sequer entrou em campo.
Ainda assim, confiou no seu talento e desafiou a tradicional escola italiana de guarda-redes. De regresso a MIlão, não demorou a colocar Francesco Toldo, titular da selecção e “craque” da Eurotaça de 2004, no banco de suplentes. Apesar disso, não abandonou a camisola 12.
Nos dias que correm é um ídolo no futebol italiano, onde conseguiu o respeito de críticos e adeptos. Com o Inter, conquistou o tetra-campeonato nacional.

No Escrete Canarinho

Julio César começou a brilhar na Seleção Brasileira, em 2004. O título da Copa América consagrou-o. Foi um dos destaques da equipa comandada por Carlos Alberto Parreira e defendeu penaltis contra o Uruguai e a Argentina, na semi-final e na final, respectivamente. As actuações garantiram a titularidade no Mundial de 2006.
Depois do Campeonato do Mundo, Júlio passou a conquistar a confiança de Dunga. Antes, o seleccionador testou no mesmo lugar Gomes, Helton e Doni.
Uma actuação contra o Uruguai, no Estádio do Morumbi, foi marcante. O próprio gurada-redes considera a partida, vencida por 2 a 1 pelo Brasil, como um “divisor de águas” da sua passagem pela seleção.
Antes, sob olhares desconfiados e a pressão dos adeptos paulista para a convocação de Rogério Ceni, Julio César teve uma actuação brilhante  contra os uruguaios e acabou com a dúvida de quem teria a camisola nº 1.
Desde então foi somando exibições memoráveis pela seleção brasileira, tal como a diante do Equador, em Quito, em que fez sete defesas espetaculares. Passou então a ser visto pelos companheiros como um dos melhores “keepers” do mundo.
O “goleiro”, porém, declina o título de estrela, mas admite que cresceu de rendimento depois de ir para a Itália, em 2005, país que é tido como uma escola de guarda-redes.
“Não me considero o melhor do mundo. Venho mantendo a regularidade há uns três anos, o que faz com que algumas pessoas falem que sou o melhor. Mas fico orgulhoso de ser comparado a gurada-redes da Europa, como Buffon, Reina e Cech, muito respeitados – disse Julio César, recentemente.
Júlio Cesar jogou 29 vezes sob o comando de Dunga na seleção e sofreu apenas 16 golos. Participou em todos os jogos das eliminatórias para o Mundial -2010 da África do Sul. Não é à toa que o Brasil tem a melhor defesa da competição com apenas seis golos sofridos.
No seu currículo, Júlio apenas tem duas derrotas em 40 jogos pela seleção, curiosamente com o Paraguai.

Estrela forjada no Flamengo  

Júlio César Soares Espíndola nasceu no Rio de Janeiro, a 3 de Setembro de 1979. É um guarda-redes brasileiro que joga no Inter de Milão. Foi descoberto nos escalões de formação do Flamengo e iniciou a carreira profissional em 1997, como suplente de Clemer. Porém, aos poucos, o jovem foi ganhando confiança e, em 2000, já era o titular absoluto.
César tornou-se ídolo dos “rubro-negros” pela raça, amor à camisa, e talento excepcional.
Conquistou dois Campeonatos Cariocas e uma Liga dos Campeões como titular, além de dois Estaduais e uma Taça Mercosul como suplente.
Convocado para disputar a Copa América de 2004, jogou como titular da Selecção Brasileira, que regressou de Peru com o título. Na competição, fez boas defesas, inclusive um penalti no jogo da final diante da Argentina.
A partir daí, veio o reconhecimento internacional e, em 2005, foi transferido para a Itália. No primeiro semestre, esteve no Chievo Verona e, a partir de Julho, passou a jogar no Inter de Milão.
Na sua primeira temporada no Inter, foi suplente de Toldo. Na época seguinte ganhou o voto de confiança do técnico Roberto Mancini e passou a ser o titular, deixando o idolatrado Toldo no banco.
Foi convocado para as eliminatórias do Mundial-2006 e, posteriormente, passou a ser o terceiro guarda-redes da Selecção Brasileira que disputou a referida prova.
Actualmente é considerado por muitos como o melhor guarda-redes do mundo. Recebeu, recentemente, o Prémio Futebol no Mundo como melhor jogador da temporada 2008/2009, oferecido pelos canais ESPN.

O elogio de Maradona

O técnico da selecção argentina, Diego Armando Maradona, elogiou Júlio César, guarda-redes do Inter de Milão e da Selecção Brasileira, e disse que, da mesma forma que gostaria de ter Kaká na sua equipa, Dunga não dispensaria Lionel Messi se pudesse o convocar.
O Brasil “tem grandes médios e o melhor guarda-redes do mundo, diferente de outras épocas em que punham dentro da baliza as bolas que iriam para fora”, brincou Maradona, reforçando que agora o Brasil tem “o melhor, Julio César”.
Depois de ter dito nos últimos dias que a Argentina venceria o Brasil porque tem melhores jogadores, Maradona evitou fazer prognósticos para a partida que se disputou no último dia 5, em Rosário, válida para as eliminatórias do Mundial-2010. E fez bem, pois a Argentina perdeu por 1-3.
 “Do Brasil gostaria de ter o Kaká, porque desequilibra, e se fosse o contrário, eles gostariam de ter Messi, com certeza”, opinou Maradona numa entrevista publicada no site da Fifa.
Maradona ressaltou que o Brasil tem “o futebol alegre e vistoso”, enquanto a sua equipa possui “garra e muito bons jogadores”.

Títulos ganhos

 Flamengo
• Campeonato Carioca: 1999, 2000, 2001, 2004
• Taça Mercosul - 1999
  
 Com o Inter de Milão
• Taça  da Itália: 2004-05, 2005-06
• Campeonato Italiano: 2005-06*, 2006-07, 2007-08, 2008-09
• Super-Taça da Itália: 2006, 2008
 
 Selecção Brasileira
• Copa  América: 2004
• Taça das Confederações: 2009

Informações pessoais1.

Nome completo Júlio César Soares Espíndola2. Adrian Sutil              
Data de nasc. 3 de Setembro de 1979 (30 anos)
Local de nasc. Rio de Janeiro, Brasil
Altura 1,86 m5.
Peso 79 Kg

Informações profissionais

Clube actual Inter de Milão
Número 12
Posição Guarda - redes

Clubes onde iniciou
Flamengo