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Reportagens

O "milagre" de Pavi no Imbondeiro da Estalagem

Sardinha Teixeira - 17 de Fevereiro, 2010

João Francisco Cabila Pavi, treinador de basquetebol

Fotografia: Jornal dos Desportos

"Pavi" começou a jogar basquetebol nos infantis do 1º de Agosto aos 9 anos de idade, no seu bairro. Posteriormente, transferiu-se para a Cuca, em 1983, onde permaneceu duas épocas. Em 1985, à procura de melhores condições, passou a integrar a equipa de basquetebol do Desportivo da Nocal. Como jogador, "Pavi" ajudou a equipa a ascender à primeira divisão. Nesse mesmo ano, passou a sénior e disputou o seu primeiro campeonato nacional, ao lado de equipas como 1º de Agosto, Petro, CDUA, que eram as mais temidas na época, com jogadores talentosos, como Américo, Betinho, Edson, Chico, Teixeira, entre outros.

Para o treinador, "o professor Vitorino Cunha, por quem tenho muito apreço, é um dos responsáveis pela evolução do basquetebol angolano. Já o malogrado Valdemiro Romeiro foi um dos responsáveis pela formação da maior parte dos jogadores angolanos". Ambos incutiram uma mentalidade ganhadora nos jogadores, que se está a espalhar por todos os que praticam o basquetebol, referiu.
Pavi afirmou que o basquetebol praticado hoje "exige muito mais dos atletas do que antigamente.

Por isso, é necessário um cuidado muito grande por parte dos atletas. Desde a alimentação, treinos, até o descanso. É uma vida na qual a pessoa tem de abdicar de vários hábitos normais, para se dedicar a uma vida extremamente sacrificante em busca do seu sonho". Referindo-se ao estado de espírito da equipa, o treinador sublinhou que as "críticas construtivas, feitas com sentido e no intuito de melhorarmos, aceito-as e tento evoluir no sentido das mesmas, quantas às críticas feitas só para deitar abaixo e provocar, nem perco tempo com elas".

 "O clube é de todos"

Como descreve o início da época dos seniores do Imbomdeiro?
O início foi incrível. Com alguns treinos fomos jogar, com a prata da casa e mais alguns. È incrível como um clube como este chegou ao estado a que chegou! A gestão do clube deve ser acompanhada, responsabilizada e inspeccionada. A bem dos jovens e do basquetebol e por muita gente que contribuiu para este clube, que deu parte da sua vida e por valores que me transmitiram, iniciámos a época, como é evidente, cheios de dificuldades em construir o plantel e pôr a formação a funcionar. Isso foi graças aos treinadores, a quem, por muitas críticas que lhes façam da forma mais injusta, só posso estar grato e solidário.

Quais as perspectivas para esta equipa em termos desportivos?
As nossas perspectivas no campeonato não eram por aí além, mas com uma vontade do tamanho do mundo e com o grupo possível, que se predispôs a avançar por amor ao clube e à modalidade, decidimos avançar e, em termos desportivos, de jogo a jogo, fomos discutindo o resultado, tentando dar o nosso melhor, mas tendo consciência das dificuldades reais na formação do plantel. Tomamos consciência de que este não é um grupo qualquer, são verdadeiros atletas e com potencial, capazes dos maiores sacrifícios.

Só me resta conduzir a  nau. Iremos até onde for possível. E tudo é possível, com o apoio de todos, com aquela maravilhosa claque que nos acompanha. Pode ser que, sem grandes investimentos, venha a ser possível colocar o Imbomdeiro no lugar que merece, a bem do clube e do basquetebol vianense. Todos ganharemos com isso.

Como descreve a situação do Inbomdeiro, como clube de basquetebol?
Quem quiser colaborar, a porta está aberta. O clube é de todos. Felizmente, vão sabendo das dificuldades que vivemos e temos encontrado solidariedade dos amigos, pais, atletas, sócios, simpatizantes, ex-praticantes, etc.

Vamos voltar um pouco atrás, como é que o basquetebol entrou na sua vida?
O basquetebol entrou na minha vida, em Luanda, na escola do 1º de Agosto, onde pontificavam jogadores que brilharam no nosso basquetebol nacional.

Quando sentiu o "chamamento" para ser treinador?
Comecei a dar os meus primeiros passos de treinador, como monitor no clube desportivo da Nocal, em 83, com uma equipa de iniciados que viria a ser campeã provincial.

Foi várias vezes abordado por outros clubes?
Umas fruto da juventude, outras por falta de auto-confiança e por dar demasiada importância à estabilidade familiar, nunca avancei. Mas tive algumas oportunidades, das quais tirei bastantes ilações e lições gratificantes, pois aprendi sempre a ser humilde para aprender, especialmente a ouvir. A experiência que tive à frente de algumas formações enche-me de alegria, sem me esquecer do mais importante, que são os "atletas".

Olhando à volta,  que jovens treinadores vê no município, com potencial para seguir "as suas pisadas" de sucesso?
R: Vejo poucos treinadores no município com futuro, mas peço desculpa por não citar nomes. Tenho de respeitar todos. Todos têm a importância que têm e todos não somos muitos.

Se tivesse de tomar uma decisão para melhorar o basquetebol, qual seria?
Gente com melhor formação intelectual desportiva, mas fundamentalmente cívica.

>> Por dentro
Nome completo:
João Francisco Cabila
Data de nascimento: 19/07/1970
Natural: Luanda
Estado Civil: Solteiro
Filhos: 03
Ocupação:
Treinador de basquetebol
Clube: Desportivo
do Inbomdeiro da Estalagem
Altura: 1,90 cm
Calçado: 46
Cor: Azul
Perfume: Desde que seja bom
e não muito activo
Casa própria: Sim
Carro: Sim
Prato preferido: Calulu
Bebida: Um bom vinho tinto
Defeito: Sou muito exigente
Virtude: Persistente
Fuma: Não
Pessoa que mais gosta: Gosto
de todos os que me rodeiam
Tempos Livres: Leitura e música
Sonho: Vencer um campeonato nacional sénior de basquetebol