Jornal dos Desportos

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Reportagens

"O nosso futebol precisa de criar um programa de desenvolvimento"

João Francisco, On-line - 21 de Junho, 2013

O antigo atleta de alta competição em várias modalidades desportivas

Fotografia: Jornal dos Desportos

É dos raros desportistas que já passou por muitas modalidades desportivas, desde o judo, hóquei em patins e basquetebol, mas foi no “desporto rei” que ficou mais tempo e, onde agora, como dirigente, ocupa o cargo de director para o associativismo no Petro Atlético de Luanda. Estamos a falar de Amaral António Aleixo, 48 anos, ou simplesmente Amaral Aleixo.

“Fiz muitas tentativas, com o beneplácito do meu pai, Sr. José António Aleixo, desde o judo no então Judo Clube de Angola, com o mestre Barata, até ao hóquei em Patins no Benfica de Luanda, tendo como treinador o Mito, mas o responsável era o Domingos Marinho. Depois, por influência de um colega da escola Alda Lara, o Alfredo “Mamoeiro” e do Manuel Sousa “Necas” que estudava na escola Ngangula, mudei para o basquetebol, tal como o Jacob Manuel David Júnior “Juninho” e o Diamantino dos Santos Matos. Em 1980, pelas mãos do meu irmão mais velho, Mário Ruy, fui jogar para a Textang, voltando ao Petro logo no ano seguinte por ‘imposição’ do Mário Palma”. Foi assim que Amaral Aleixo começou por definir a sua trajectória desportiva.

Este desportista polivalente, como todos os exímios atletas, teve bons e maus momentos. Por exemplo: foi campeão africano júnior de basquetebol em 1982, ainda juvenil, com José Carlos Guimarães, que na sua  opinião é o melhor basquetebolista angolano do pós independência, com o falecido Fernando Gonçalves “Kayaya”, Armando João “Lapa”, grande “play marker”, o Jean-Jacques, que trouxe consigo outra magia ao basquete, Agostinho Costa, grande poste e Quim Covilhã.
Depois do basquetebol, passou para o futebol, que Amaral Aleixo considerou “outra aventura”.

“O Mário Palma, o Artur Barros e o Goykozec influenciaram toda a minha carreira desportiva e de algum modo a minha forma de ser e estar na vida”, enfatizou o antigo craque.
O antigo número 13 do Petro Atlético recorda-se do dia em que vestiu pela primeira vez aquela camisola na equipa de basquetebol como um dos momentos mais emocionantes da sua carreira.

“Outro momento importante da minha vida foi tornar-me campeão africano de basquetebol. Ou ainda em 1991, quando recebi o troféu de melhor jogador de futebol e 3º melhor desportista angolano do ano, atrás da Palmira Barbosa e do Jean-Jacques, acompanhado da minha mãe peixeira. Não menos importante foi o primeiro de quatro títulos de campeão nacional de futebol em 1993”, recordou.


FAMÍLIA
José Franco foi craque
no Ferroviário de Luanda


O  facto de Amaral Aleixo ter outros familiares que praticam desporto também pode ter influenciado a sua carreira desportiva.
“A minha irmã mais velha, Teresa Pedro, jogou futebol e era extremo esquerdo. O meu irmão Domingos Pedro “Simbandula” jogou futebol nos Dínamos do Rangel com Quim Ribeiro e Manuel Vicente. Mas houve na minha família o craque maior, o meu tio José Joaquim Franco, extremo-esquerdo do Ferroviário de Luanda. Mais tarde o filho dele, o meu primo Paíto ou Franco, se quiserem deu cartas nos anos 70/80 tanto no Ferroviário como no Sporting, ambos de Luanda “, assinalou. 

Curiosamente, Amaral Aleixo, não se revê na pele de dirigente desportiva. “Sinceramente não gosto de estar neste papel, pois sei que a maioria só quer tirar vantagem dos feitos dos atletas e treinadores. Aliás, estou de passagem, penso o que meu tempo esgotou. Vim parar a este “navio” por “culpa” de um senhor que seduziu e encantou-me com a sua visão sobre o desporto. Joaquim Duarte David de seu nome”, revelou.
Na opinião de Amaral Aleixo, um dos pontos fortes do nosso futebol, passa por ter muita paixão, muita matéria-prima, num verdadeiro contraste com as poucas e boas infra-estruturas que existem no país. 

Outro dos contrataste apontados pelo dirigentes passa pela “má ou baixa qualificação técnica da maior parte dos agentes, desde atletas, técnicos, juízes, monitores… Dos dirigentes, então, é melhor não falar”.
Para Amaral Aleixo, “é um permanente sonho ser praticante”, embora as funções actuais que exerce “cativam e permitem-me tentar corrigir todos os processos pelo qual passámos, acarinhando e modelando os atletas actuais”, reconheceu.
“O nosso futebol precisa de criar e desenvolver um programa de desenvolvimento geral, semelhante, mas salvaguardando as épocas, ao do basquetebol”, sublinhou.


ANTIGO CLUBE
“Fundámos Os Valentes FC do Bairro Popular“


Carlos da Veiga “Manzambe”, José João D. Neto “Pai”, Luís Braga Leopoldo, António Pascoal V. Carneiro, João (John), Sidrak Moniz e Joaquim M.D´Elvas Neto fundaram com Amaral Aleixo “Os Valentes FC” do Bairro Popular, actual Neves Bendinha, em Luanda.
“Falo e lembro-me ainda do Diógenes Silvestre e Belarmino Xavier “Russo”, meus colegas na escola Alda Lara e do judo ou ainda do Amorim, meu primeiro poste, do Celso, base do Petro B, o atleta mais disciplinado que encontrei na minha carreira, do Alfredo, um malangino de gema que vivia no Cruzeiro, os gémeos Tony e Zezinho, o Zé Guerra, Baganha, meu capitão de equipa e agora árbitro FIBA, do Ademar Barros, do Sebastião Martins “Sebas”, do Ângelo Nunes, do Kito Naval, do Victor (falecido recentemente) e Elvino Dias, Mayelá, Fernando Antas “Gito”, Galiano “Kabangu”, Manuel Narciso “Neco”, Manjolo, Júnior, Paulo Jorge, Zazá, Carlos Silva, Mário Alberto, Buda Aguinaldo, Serafim, Mário Octávio, Victor Almeida, Diogo Cruz “Didi”, António Guimarães, Euclides Rosa, Agostinho Matamba, Paulo Sucacuexe, Carlos Dinis, Manuel Sousa, Clemente Júnior “Nijó2, Domingos Pereira (falecido) Tó Ventura, João Koll, Nocas Ferreira”, referiu Amaral Aleixo.

No futebol nacional, Amaral Aleixo recorda-se do Mané Vieira Dias, Pedro Cardoso Vicente “Novato” (falecido), António Barbosa, Ndunguidi, Vieira Dias, Capeló, Degas, Tony Estraga, Barbosa, Nelito Kwanza, Nelo dos Passos (falecido), Ivo Traça, Carlos Altino, Rui Jorge, Mandinho, Orlando Brandão, Vilela, Melo N’suca, Nelson das Neves Baptista (falecido), Quintino, Pontes, Rui Paulino, Romano, Txibuabua, Joãozinho, Sekelé, Bukaka, Chicangala, Gema, e ainda “aqueles com quem privei em selecções jovens como Nhanga, Mizé, Mizer, Rui Nelson, Okalá, Nando Saturnino, Jorge do Lobito, entre outros”.

“Nas  selecções de honras fui companheiro de Nelson, Rasgado, Miguel, André Nzuzi, Sarmento, Lufemba, Saavedra, Abel Campos, Tó Zé, Bumba, David Dias, Miúdo Chico, Miúdo Neto, Quim Sebas, Minhonha, Quinzinho, Paulo Alves, Akwá, Paulito (falecido), Aurélio, Paulo Silva, Eugénio Fernandes “Kiss”, Oliveira, Bodunha, Jonas Romeu, Betinho, Cacharamba, Zico, Felito, Marito, Lúcio, Júnior, Carlos Pedro, Paulo Baptista, Túbia, Zito, João Ricardo, Lito Vidigal, Castela, entre outros”, acrescentou.

Entre os dirigentes desportivos e profissionais com que trabalhou directa ou indirectamente, Amaral Aleixo não quis deixar de referenciar Rui Lopes “Macau”, Totoy Monteiro, Botelho de Vasconcelhos, Miguel Bernardo, Ângelo Silva (falecido), Ganga Júnior e Noé Baltazar. Também expressou admiração pelo pessoal clínico, como “Tio” Zé Mudo, Ramiro José, o Dr. José Maria de Carvalho, assim como os jornalistas Ladislau Silva, Humberto Jorge, Mateus Gonçalves, Arlindo Macedo, Gustavo Costa, Luís Fernando, João Silva “Catanga”, Silva Candembo, Gil Tomás (falecido), Carlos Pacavira, Zeca Martins, António Rodrigues, Manuel Rabelais e Francisco Simons.


POR DENTRO

Nome completo:
Amaral António Aleixo
Data e local de Nascimento: 1 de Janeiro de 1965
Estado Civil: Casado
Filhos: 3
Altura: 1,78 cm
Calçado: 43
Prato preferido: Massa com bacalhau
Bebida: Vinho tinto
O que faz nos tempos livres: Leio ou vejo filmes
Clube preferido: Petro de Luanda
Cidade: Luanda/Lobito/Porto
País: Angola
Perfume: Zazá
Religião: Católico apostólico romano
Ídolo: A minha mãe
Sonho/desejo: Ver os meus filhos realizados