Jornal dos Desportos

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Reportagens

O rapaz que dormia com a bola nos braços

19 de Setembro, 2011

Dinamite usava com muita inteligência o corpo

Fotografia: AFP

Carlos Roberto Dinamite de Oliveira nasceu a 13 de Abril de 1954, em São Paulo. Logo cedo, Roberto (que naquela época era conhecido pelo apelido de Calu) começou a mostrar intimidade com a bola. Igual a muitas crianças apaixonadas pelo futebol, chegava a dormir com ela nos braços. Aos 12 anos, o pequeno Calu já era titular do principal clube do bairro, o Esporte Clube São Bento, onde se destacava como melhor marcador.

Nesses trumunos, tinha uma característica marcante: exigia dos seus companheiros que as jogadas de ataque passassem pelos seus pés. Contudo, quando recebia a bola, quase nunca a devolvia. Apesar do individualismo - era fã de Jairzinho, autor de golos em todas as partidas durante a conquista do tricampeonato mundial no México - já demonstrava toda a sua habilidade e precisão nos arremates de curta e longa distâncias.

Graças a isso, em 1969, foi convidado a treinar nas categorias de base do Vasco por Gradim, “olheiro” do clube, responsável por garimpar jovens talentos nos campos pelados espalhados pelo subúrbio do Rio de Janeiro. Em um ano de clube, Roberto ganhou 15 quilos, graças a um rigoroso trabalho muscular, tornando-se um dos jovens mais promissores do clube, recebendo constantes elogios de treinadores e dirigentes. Dessa forma, despertou a atenção do técnico da equipa principal, Mário Travaglini, que o relacionou para a disputa do Brasileirão de 1971. No mesmo ano, já era apontado como a mais nova esperança de golos da equipa.

Surge o dinamite

Roberto fez a sua primeira partida profissional contra o Bahia, a 14 de Novembro de 1971, com 17 anos. O Bahia vencia por 1-0 e o treinador colocou-o no lugar do meio campista Pastoril no intervalo da partida. Mas ainda não era hora do futuro ídolo. O Vasco acabou por perder o jogo pelo placar de 1-0.

Mesmo com a derrota, o Vasco estava classificado para a segunda fase do torneio, onde enfrentaria o Atlético Mineiro campeão da competição, o Santos de Pelé e o Internacional. Durante a semana que antecedeu o primeiro jogo, contra o Atlético. No jogo contra o Atlético Mineiro, Roberto não esteve bem e acabou por ser substituído. Houve uma grande decepção na torcida vascaína, que depositava muitas esperanças nele.

O jogo seguinte contra o Inter, no Maracanã, o Vasco vencia por 1-0, Admildo Chirol tirou Gilson e colocou Roberto. Na primeira bola que recebeu, Roberto fintou quatro jogadores e atirou a bola para o canto esquerdo da baliza, num belo golo, o seu primeiro no clube profissional.

O amor pelo vasco

A partir de então, começou a sua longa história de amor com os adeptos. O médio central actuou pela equipa profissional do Vasco de 1971 a 1980, quando se transferiu para o Barcelona, numa negociação que envolveu muito dinheiro. Voltou ao clube três meses depois, onde ficou até 1989, antes de ser negociado com a Portuguesa.

Seis meses depois, Dinamite estava de volta ao Vasco, para encerrar a sua brilhante carreira, em 1993, aos 39 anos de idade.Alto e forte, Dinamite usava com muita inteligência o corpo e era difícil perder a bola para um adversário, tornando-se um grande perigo na área adversária.

Ele conseguiu a média de 36 golos por temporada nos 22 anos de carreira - disputou 1.108 partidas. O seu melhor ano foi 1981, quando deixou por 62 vezes a sua marca, superando o recorde de Zico, o maior ídolo dos adeptos do clube rival, o Flamengo, que havia feito 45.As suas principais características dentro de campo eram o oportunismo, a competência e a sorte. Sabia cobrar faltas como poucos, além de desenvolver, ao longo da sua carreira, a capacidade de chutar com as duas pernas.

Participou na conquista de cinco campeonatos estaduais - 1977, 1982, 1987, 1988 e 1992. Em 1974, conquistou o título de campeão brasileiro, batendo o Cruzeiro na final por 2-1. Apesar de não ter marcado na decisão, Roberto Dinamite foi o melhor marcador da competição com 16 golos e maior responsável pelo inédito título.

O primeiro italiano a subir ao pódio

Klaus Dibiasi tinha 17 anos de idade quando ganhou a medalha de prata na plataforma de 10 metros nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 1964. Para a Itália, a medalha de Dibiasi representava muito. Pela primeira vez na história da disciplina, um italiano subia ao pódio, cedendo o lugar de honra por apenas 1,04 ponto.

Foi tão grande a repercussão pela obtenção dessa medalha que, ao regressar à localidade de Bolzano, as autoridades decidiram investir no desporto da nova estrela. Como a piscina que treinava Dibiasi era ao ar livre, optaram por cobri-la, para que o medalhista pudesse treinar durante o duro Inverno.

Assim, não veria diminuídas as suas chances de futuras vitórias. A manobra rendeu os seus frutos. Com o passar dos anos, Dibiasi deu à Itália três medalhas de ouro e duas de pratas em diferentes edições dos Jogos Olímpicos. Não é nada fácil manter-se no topo nesse desporto, onde a idade desempenha um papel fundamental frente às limitações físicas e coordenativas que o próprio corpo humano vai impondo, mas Dibiasi superou-as.

O destino quis que Dibiasi nascesse em Solbad Hall, Austrália, a 6 de Outubro de 1947. O seu passo para a galeria de atletas do século pode ser considerado lógico, já que o seu pai Carlo havia sido um campeão nacional na Itália de 1933 a 1936. Sempre sob as ordens dele, desde jovem Dibiasi foi moldando o seu estilo e a técnica que o caracterizaram, adquirindo também a disciplina necessária para a prática desportiva.

A capacidade de Dibiasi não se manifestou somente na obtenção de medalhas de ouro, mas também na grande diferença de pontos que conseguia em relação aos rivais. No México, em 68, o italiano venceu com pouco mais que 10 pontos o mexicano Álvaro Gaxiola; em Munique 72, voltou a impor-se, desta vez com quase 24 pontos, sobre o americano Richard Rydze.

Em Montreal, Dibiasi teve de se empenhar mais. Se queria o terceiro título consecutivo, devia arriscar tudo. A principal causa dessa pressão era representada por um novo talento, que como ele 12 anos antes, aspirava abrir caminho rumo ao ouro. Greg Louganis, dos Estados Unidos.

Apesar da pressão, Dibiasi conseguiu o seu terceiro título olímpico na plataforma e outra vez com uma margem cómoda de 23 pontos sobre o seu concorrente mais próximo, Louganis. O Trampolim não era o seu forte. Todavia, conseguiu uma medalha de prata nos Jogos Olímpicos do México, em 68. Assim entrou Dibiasi para o círculo dos atletas do século.