Jornal dos Desportos

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Reportagens

O Rei do futebol e atleta do século

26 de Dezembro, 2011

Edson Abrantes do Nascimento, o Pelé

Fotografia: AFP

Falar de Edson Abrantes do Nascimento, o Pelé, é falar não somente do melhor jogador de futebol de todos os tempos, mas também do maior desportista do século. Em qualquer parte do planeta é reconhecido e venerado por aficionados do futebol. Reis, príncipes, chefes de estado e até o Papa, conhecem suas extraordinárias qualidades de desportista e ser humano. Pelé não foi somente um jogador excepcional, para o povo brasileiro Pelé é um deus.

Em 1994 - 36 anos depois de aparecer frente aos olhos do mundo, conquistando pelo Brasil o primeiro dos seus três Campeonatos do Mundo, na Suécia em 1958 -, o “Rei” foi ratificado por todo o continente europeu como o melhor jogador da história do futebol, título que antes já havia sido dada a ele por toda a América. Mas quase 20 anos antes, em 1973, Pelé havia recebido a indicação de “Atleta do Século”, o qual foi outorgado em Paris, superando outras lendas do desporto como Juan Manuel Fangio e Mohammed Ali.

Ninguém foi como Pelé, ganhou três dos quatro Campeonatos do Mundo que participou: Suécia (58), Chile (62) e no México em 70. A única que lhe faltou foi a da Inglaterra em 1966, húngaros e portugueses tiraram o Brasil da Copa. No total vestiu a camisa verde e amarela 111 vezes (92 em jogos oficiais e 19 em partidas não oficiais), somando 95 golos, 77 deles em partidas oficiais. Na sua carreira marcou 1.285 golos, em 1.321 partidas que jogou entre o amador e profissional.

Com a equipe do coração, o lendário Santos, de 1956 a 1974 também ganhou todas: duas Copas Intercontinental de clubes, duas Libertadores, cinco Campeonatos do Brasil, uma Taça de Prata e 10 Campeonatos Paulista. Pelé também conquistou o título de liga nos Estados Unidos, com o já desfeito Cosmos de Nova Iorque. Somadas a essas conquistas desportivas, Pelé tem quase todas as condecorações do mundo, desde a legião de Honra que concedeu o General Charles de Gaulle, até a ordem de Lênin.

Edson Arantes do Nascimento é de Três Corações, uma pequena cidade mineira, onde nasceu a 23 de Outubro de 1940. A sua percepção total do jogo, sempre caracterizou e permitiu saber o que fazer com a bola em qualquer instante. Tinha força, resistência, salto, coragem e o controle sublime do toque na bola. “Pensa, decide e executa” foi sempre o seu lema, aprendido com o seu melhor amigo, o seu pai, Dondinho. “O futebol é o mais simples do mundo, só é preciso jogar”, afirmaria Pelé mais tarde, imortalizando essa frase. Diz o ditado que um bom jogador não se faz, nasce, e Pelé é o melhor exemplo que existe. Sendo muito pequeno quando a família mudou-se para Bauru, no interior de São Paulo, foi ai onde mais aprendeu, e onde apareceu a arte que tinha para jogar futebol.

Sua carreira no futebol começou cedo. Depois de jogar alguns anos em equipas amadoras, como Baquinhor 7 de Setembro, foi descoberto pelo jogador Waldemar de Britto com 11 anos, quando jogava numa equipe chamada Ameriquinha. Brito convidou-o para formar parte da equipa que estava organizando, o Clube Atlético de Bauru. Em 1956, quando tinha 15 anos, levou-o para o Santos.Quando chegou ao clube santista com o garoto, Waldemar de Brito disse: “esse menino vai ser o melhor jogador de futebol do mundo”. Previsão que logo se começaria a tornar realidade. Em 7 de Setembro do mesmo ano, chegaria seu primeiro “show” quando entrou na partida e marcou o sexto golo da vitória de 7-1 de Santos sobre o Corinthians de Santo André.

Depois, na primeira partida do torneio regular marcou quatro golos. Na campanha seguinte foi titular e transformou-se no maior artilheiro do campeonato Paulista. Em 7 de Julho de 1957, viria a sua estreia na selecção, frente à Argentina. Os argentinos ganharam de 2-1, mas Pelé marcou o golo brasileiro. No mundial da Suécia, em 1958, com apenas 17 anos, se transformou no jogador mais jovem a ganhar um Campeonato do Mundo. Marcou dois golos na grande final contra os donos da casa, que derrotaram por 5-2.
Ali o mundo conheceria a Pérola Negra. Foi assim que começou uma lenda que cresceria até se transformar em Pelé, o Rei do futebol e o atleta do século.

Montana conquistou
quatro títulos


Joe Montana conquistou 4 títulos na liga norte-americana em quatro apresentações e se transformou no único jogador a ganhar três vezes o título de o melhor do Super Bowl. Não era excepcionalmente veloz, nem alto, nem tinha um braço muito rápido. O quarterback, ganhou por sua inteligência e graça, pelo seu estilo e suas reacções rápidas. Com a Universidade de Notre Dame e com o São Francisco 49’s, em meio a uma tempestade de gelo em Dallas e na humidade de Miami, Montana era “O Homem” do quarto período.

Lançou a bola em uma jogada que chegou a ser conhecida como “A Pegada”. Isso foi quando Montana, correndo rápido com três defesas do Dallas Cowboys atrás dele, mandou uma bola para Dwight Clark, que se encontrava nas diagonais. O passe de seis jardas, restando apenas 51 segundos para o término do jogo, deu a ele e aos 49’s uma vitória de 28-27 sobre Dallas no campeonato da liga norte-americana (NFL) de 1981.

Montana nasceu em Eagle, estado da Pensilvânia, no dia 11 de Junho de 1956, filho único de Joe e Thereza. Cresceu em Monongahela, um povoado próximo. A família vivia numa casa de madeira de dois quartos num bairro classe média e Joe, pai, estimulava o interesse do seu filho para os desportos. O jovem Joe jogava basebol e basquete (ofereceram até uma bolsa para a Universidade da Corolina do Norte), mas depois de se transformar num líder em campo Parade All- American no seu último ano de colegial, seguiu seu ídolo, Hanratty, para a Universidade de Notre Dame.

Montana foi seleccionado pelos 49’s na terceira selecção de 1979. Bill Walsh, o seu mentor e treinador em São Francisco, o desenvolveu de forma lenta e foi no final da sua segunda temporada que Montana se tornou titular. Em 1981, Montana já controlava totalmente a defensiva de Walsh, e liderou os seus 49’s para um recorde de 13 vitórias e apenas três derrotas. Ganharam o título norte-americano com “A Pegada” e derrotaram Cincinnati 26-21 no Super Bowl XVI (final do campeonato). No Super Bowl XIX, três anos depois contra o Miami Dolphins, Montana ofuscou Dan Mariano, que tinha estabelecido o recorde de 48 touchdowns (espécie de golo no futebol americano).

Passou para 331 jardas e três anotações numa vitória de 38-16 para São Francisco. Três anos depois, Montana conseguiu outro Super Bowl, em sua 23ª edição. Seu passe de 10 jardas a John Taylor deu aos 49’s uma vitória de 20-16 sobre Cincinnati. Na temporada seguinte, Montana levou o 49\'s a um recorde de 14-2. São Francisco ganhou seus jogos de pós-temporada por 27, 28 e até 45 pontos de diferença (55-10 contra Denver no Super Bowl XXIV), e Montana completou 78 por cento dos seus passes para 800 jardas, 11 anotações (cinco contra Denver) e nenhuma interceptação. Uma lesão no cotovelo fez com que Montana perdesse a temporada de 1991 e outras complicações o obrigaram a ficar afastado até partida final de 1992. Steve Young conquistou a posição de quarterback, Montana foi transferido para o Kansas City em 1993. Liderou a fase preliminar e os playoffs (etapa final) nas suas temporadas com a nova equipa, antes de decidir, aos 38 anos, que já estava cansado do jogo.