Jornal dos Desportos

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Reportagens

O resgate do Kiyu

José Chaves, no Kuito - 22 de Julho, 2010

Clube Okinawa pretende abrir núcleos em todos os municípios de Bié

Fotografia: Jornal dos Desportos

Apesar da falta de apoios  das entidades administrativas  locais, os clubes e as academias  estão determinados a continuar a revitalizar e massificar o Karaté-dó. Actualmente, várias academias e  núcleos promovem-na, dos quais sobressaem as equipas do Clube Okinawa, Centro do Bié de  Karaté-dó (CBK), Anjo Negro  e o núcleo do Kunje, todos do município do Kuito. No interior da província, é praticado nos municípios do Andulo, Chinguar, Chitembo, Katabola e Kamacupa. Fernando Aurélio, mais conhecido nas lides desportivas por Mestre Cubi, técnico e atleta do Clube Okinawa, disse ao `Jornal dos Desportos´ que o estado da modalidade na província é “bastante preocupante” atendendo a "gritante falta de apoios"."O Karaté-Dó atravessa uma fase difícil. São necessários apoios para se inverter o quadro sombrio", afirmou Mestre Cubi. Entre os apoios em falta, Fernando Aurélio descreveu os financeiros que inviabilizam os projectos de massificação para revitalizar a modalidade. O técnico clama aos órgãos de direito, mormente, à Direcção Provincial da Juventude e Desportos e à Federação Angolana de Karaté-Dó para que apoiem as escolas com vista à massificação em toda a província. Expansão doClube Okinawa O Clube Okinawa, fundado a 27 de Abril de 2003, pretende expandir o Karaté-Dó em toda a extensão desta região do Centro-Sul do país, de acordo com Fernando Aurélio."É nossa intenção abrir diferentes núcleos em toda a extensão do Bié para  revitalizar e massificar o Karaté-Dó. A nossa agremiação desportiva possui um total de 87 atletas desde os escalões de iniciados, juvenis, juniores e seniores", disse. Okinawa é um clube com várias participações nos campeonatos nacionais. Por falta de um recinto próprio para a prática, a academia realiza as sessões de treinamento na Escola anexa nº 314, conhecida também por Escola de Formação de Professores dos Irmãos Maristas `São José´.Os objectivos que norteiam a criação da Okinawa foram a promoção e incentivar a prática do desporto no seio da juventude, cuja paixão maior é o Karaté-Dó; participar nos campeonatos provinciais e nacionais promovidos pela Associação local e Federação Angolana de Karaté-Dó. Okinawa está a preparar-se para futuros compromissos. Dificuldades do CBK O Clube de Karaté-Dó do Bié (CBK) é uma das muitas colectividades que atravessa grandes dificuldades. Em conversa mantida com o treinador do clube, Lucas Mandavela, também conhecido por "Capitão", da categoria de 1º Kiyu, reconheceu que recebe algum apoio da Direcção Provincial da Juventude e Desportos, mas que é insuficiente a julgar pela imensidão de dificuldades. O responsável afirmou que apesar dessas vicissitudes, a academia vai continuar a apostar na massificação do Karaté-Dó. O treinamento dos jovens ocorre na Escola do ex-Liceu Nacional. Incentivos à modalidadeO Mestre do CBK Lucas Mandavela  solicita apoios financeiros e moral para incentivar a prática do desporto na província do Bié. Capitão pede ajuda do Governo provincial através da Direcção local da Juventude e Desportos, dos empresários e de outras pessoas singulares. Com as ajudas indispensáveis, o Karaté-Dó no Bié pode conhecer novo rumo, visando o seu desenvolvimento em toda a extensão, segundo Mandavela. "A modalidade precisa de apoios financeiros e também de apoio moral visando o incentivo aos jovens nessa zona do país", realçou. Ginásios estão degradadosA falta de infra-estruturas adequadas à prática do Karaté-dó está a condicionar o desenvolvimento. As palavras são do presidente da Associação Provincial de Karaté-Dó  do Bié (APKB), Fidel Castro Yovula. O dirigente assegura-se nos locais de treinamento e nos equipamentos indispensáveis. Actualmente, a modalidade é praticada em recintos escolares sem o equipamento apropriado. Há falta de tapetes de combate, quimones (roupa de luta), cintos, luvas, sapatilhas, caneleiras e um recinto próprio para treinos.A Associação Provincial de Karaté-Dó do Bié controla quatro academias na cidade do Kuito, designadamente, Clube Okinawa, CBK, Anjo Negro e a do Kunje, que congregam mais de 150 atletas divididos em diversos escalões. Os atletas bienos carecem de ritmo competitivo motivado por dificuldades de vária ordem. Os diversos núcleos não participam regularmente nas competições oficiais.A falta de ginásios na província do Bié é o grande "Calcanhar de Aquiles", o que contribui negativamente no desenvolvimento de Karaté-Dó. Os ginásios existentes apresentam-se em avançado estado de degradação, como consequência da guerra fratricida que assolou o país e, em particular, a província do Bié. Actualmente, a localidade não dispõe de ginásio a funcionar, aliado ao facto de os principais clubes não possuírem o Karaté-Dó entre as modalidades que movimentam.A falta de recinto apropriado cria constrangimentos às academias locais para levar avante a actividade de preparação de futuros praticantes e de atletas. Urge a necessidade de se criar locais apropriados e com condições condignas; estímulos, cursos e troca de experiência entre as várias academias e associações do país. Só assim poder-se-á dinamizar o processo de revitalização e massificação do Karaté –Dó nessa zona do território nacional. Por falta de ginásios, o Karaté-Dó está em risco na província do coração de Angola. O presidente da Associação local está preocupado com a evolução do desporto, uma vez que a região clama por mais investimentos no domínio de infra-estruturas desportivas, particularmente, nos desportos de combate.Apesar de algumas academias darem o ar da sua graça através de massificação e relançamento, Fidel Yuvula defende que o órgão reitor do desporto no país em parceria com o Governo local deveriam prestar mais atenção na reconstrução e recuperação dos ginásios já existentes, dado o facto de a prática do Karaté-Dó viver momentos difíceis. "As infra-estruturas locais clamam por obras de restauração urgentes", disse.Fidel alerta às entidades de direito: "Caso a actual situação prevaleça por mais tempo, as modalidades de combate correm sérios riscos de serem praticadas no Bié". Por essa razão, exortou as estruturas competentes a gizar projectos para contornar a situação, citando, a título de exemplo, a construção de um ginásio.Futuro é prometedor O homem forte da Associação local está esperançoso em dias melhores e contraria aqueles que vaticinam o fim do Karaté-Dó nos próximos anos, face às dificuldades do momento. Fidel Yuvula disse que o destino da modalidade está assegurado por acolher um elevado número de praticantes no âmbito do processo de massificação espalhado em várias academias. O sucesso do processo de massificação, de acordo com Fidel Yuvula, depende de apoios de todos os homens de bem. Os apoios de pessoas singulares, colectivas e, sobretudo, da classe empresarial são imperiosos.O responsável  máximo da associação local assegurou que o desenvolvimento do Karaté-Dó caminha a bom ritmo. A província realiza com frequência competições internas, designadamente, inter-municipal e inter-provincial. Fidel Yovula disse que, apesar das dificuldades, principalmente, a falta de apoios das entidades que gerem o desporto na província, a modalidade está no bom caminho."Realizámos com frequência as competições internas. Prova disso foi o Campeonato Provincial, no passado mês de Maio. Os agentes estão empenhados e, brevemente, vamos realizar uma maratona de demonstração desportiva, na qual prevemos movimentar a maior parte das academias e núcleos da província", frisou. Para Fidel Castro Yovula, esse facto demonstra a vontade dos agentes ligados ao Karaté-Dó em revitalizá-lo e massificá-lo em todos os cantos da província do Bié.Adesão de jovens em massa O cuidado com a manutenção física e a aprendizagem de técnicas de defesa pessoal conquista, nos últimos anos, muitos jovens no Bié. A adesão cresce vertiginosamente. Várias academias congregam atletas de ambos sexos. Apesar de todas as contrariedades, os núcleos e as academias locais trabalham todos os dias visando a revitalização e a massificação.Os jovens ávidos em praticá-lo estão empenhados na recuperação do tempo perdido e recolocar a província no verdadeiro lugar. Nas décadas de 70, 80 até princípio de 90 do século XX, vários clubes movimentavam o Karaté-Dó no Bié e eram "clientes" permanentes nas provas de índole provincial e nacional. CBK vence "províncial"A Academia Clube do Bié de Karaté-Dó (CBK) venceu o Campeonato Provincial sénior masculino disputado no passado mês de Maio, na cidade do Kuito. A competição contou com a participação das academias da Okinawa, Anjo Negro, Núcleo do Kunje, todos da cidade de Kuito, e representantes  dos municípios de Andulo e de Katabola, respectivamente. Em função do sucesso da realização do provincial, a Associação de Kartate-Dó local está à procura de apoios para que o Bié possa participar nas competições de índole “Nacional” de forma a modalidade ganhar um novo alento. "Nacional" com misto A equipa do  Misto do Bié participou no passado mês de Junho no Campeonato Nacional Seniores masculino que se realizou na província da Huíla. Em jeito de avaliação, o responsável local da modalidade afirmou que a participação da equipa provincial foi positiva, porquanto deu aos karatecas da província o cunho de ganhar rodagem competitiva e experiência.