Jornal dos Desportos

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Reportagens

"O saber não tem limites"

Avelino Umba - 16 de Abril, 2010

Óscar Contreiras, treinador do Santos Futebol Clube

Fotografia: Jornal dos Desportos

O que diz acerca desta formação dada aos treinadores de futebol angolanos durante uma semana?
Como se costuma dizer, a aprendizagem ou o saber não tem limites. Foi uma reciclagem bem-vinda, porquanto tivemos um professor, brasileiro com vasta experiência na matéria por ele apresentada, o que contribuiu para a melhoria dos nossos conhecimentos.

É a primeira vez que a FIFA protagoniza uma acção do género...
Promovida pela FIFA, é a primeira. Sob égide da FAF, já beneficiei de três ou mais formações, com professores de várias nacionalidades. Estes refrescamentos deviam ser constantes, pois o treinador é como uma máquina, que precisa de manutenção constante, e que com falta de água, de combustível ou de óleo, pode ser o fim. Se o treinador não actualizar os seus conhecimentos, pode acabar a carreira a qualquer momento.

Que dificuldades atravessam? As mesmas foram abordadas na formação recém terminada?
Ao nível do futebol, existem dificuldades, mas, segundo o professor que ministrou a formação, tivemos um aproveitamento muito bom naquilo que aprendemos, o que significa que os treinadores nacionais estão no bom caminho. Todas as matérias dadas, já tínhamos aprendido em outras ocasiões.

Treinadores devem conversar mais

O que trouxe de novo esta formação?
Foi a organização na planificação do treinamento, pois a sabedoria diz que, no dia-a-dia, as coisas têm vindo a mudar, pelo que temos de continuar a estudar, na medida em que, a cada dia que passa, há coisas novas e a forma de planificar é diferente.  
 
A formação contínua é um dos antídotos para o melhoramento de qualidade do nosso futebol...
A formação do homem deve ser feita, necessariamente, em todos os momentos da vida. Quanto mais lermos, conversarmos sobre determinada matéria, mais aprendemos.

Fale dos critérios estabelecidos para a participação do curso...
O convite foi extensivo a todos os treinadores de futebol angolanos, desde os dos escalões de formação aos da primeira divisão. Hoje, urge a necessidade, principalmente para um técnico dos escalões de formação, de se dotar de conhecimentos, pois são os mais jovens que garantem o futuro.

Com o refrescamento, os técnicos angolanos estão mais bem preparados para os desafios que têm pela frente?
É necessário que as direcções dos clubes compreendam isso, que olhem para os técnicos angolanos como tal e não como seus funcionários. Com esta formação, deu para ver, mais uma vez, que os treinadores nacionais estão no bom caminho.

A Associação dos Treinadores de Futebol Angolanos é um órgão com pouca expressão. Concorda?
Para lhe ser honesto, desconheço a existência dessa associação. Ouvi falar dela no passado, na altura em que o falecido Smica ainda fazia alguma coisa. Foi nessa altura que se falava muito de tal associação. Hoje, sinceramente, não sei se ela ainda existe ou não. A meu ver, a associação deveria existir e ter um carácter jurídico, uma vez que os treinadores precisam de um órgão que defenda os seus interesses. Seria bom se reuníssemos e nos organizássemos, principalmente os que terminaram recentemente esta formação. evemos mudar o comportamento do passado, em que os treinadores não se falavam, não conversavam uns com os outros, como se de inimigos se tratassem. Isso tem de terminar. Temos de conversar mais.

Novo seleccionador merece apoio

O que diz sobre o novo técnico dos Palancas Negras?
É bem-vindo, uma vez que deu boa conta de si à frente da Selecção da Zâmbia. Acho que, a partir do momento em que a direcção da Federação Angolana de Futebol o contratou, nada mais temos a fazer se não dar-lhe o apoio necessário. Sendo ele jovem, acredito que ainda não conhece o futebol angolano, pelo que deve contar com o nosso amparo, na sua missão de contribuir para uma nova postura da Selecção Nacional.

Na apresentação do novo técnico, não se fez menção ao valor do contrato. Um comentário...
Se não se revelou o valor, admito ter havido cautela por parte da direcção da Federação, representada pela pessoa do seu presidente, o senhor Justino Fernandes. Na altura da divulgação do salário do antigo técnico, Manuel José, houve muitos comentários em torno do mesmo, razão que acho estar na base de não se fazer o mesmo com o novo treinador.

O facto de o técnico não falar o português terá influência no seu trabalho?
A língua local, naturalmente, sempre faz falta, mas, de qualquer maneira, não é um bicho-de-sete-cabeças. E exemplifico: já cá tivemos vários treinadores, em clubes como o Petro Atlético de Luanda e o 1º de Agosto, que não falavam português e foram campeões. Acredito que o facto de Hervé Renard não falar o português não constitui obstáculo, até porque existem tradutores. Agora, o que devemos fazer é, daqui para frente, apoiá-lo para que tenha sucesso no futebol angolano.

Qual deve ser o comportamento do público para com o novo seleccionador nacional?
Vamos procurar criticar menos; incentivar o treinador, puxar para a melhoria do futebol nacional, pois ele está a evoluir. Temos de pensar em ser grandes em África, isso é, estarmos ao nível dos Camarões, do Ghana, da Nigéria, do Egipto e outros colossos do futebol africano.

\"Equipas pequenas não estão a dormir\"

Ao cabo de seis jornadas, o Girabola´´ 0 está a surpreender pela positiva, na medida em que as equipas consideradas grandes estão a ser superadas pelas tidas pequenas.

O segredo está no seguinte: habituamo-nos a olhar apenas para as equipas grandes, o que é errado. No futebol, tudo depende duma certa organização e acredito que uma boa parte, para não dizer todas as equipas de Angola, hoje estão organizadas. Se reparamos, as chamadas pequenas já têm infra-estruturas próprias. Recentemente, o país organizou o CAN, o que levou à construção de novos campos, em quatro províncias, assim como a reabilitação de outros tantos.Outro grande problema que afecta as grandes equipas são as mudanças constantes dos treinadores, algo que não acontece com as pequenas, até porque carecem de condições financeiras para tal.

O que está a querer dizer?
Que as grandes devem preparar-se melhor, porquanto as pequenas não estão a dormir.

Perfil

Nome: Óscar Contreiras
Naturalidade: Golungo-Alto (Kuanza-Norte)
Nacionalidade: Angolana
Data de Nascimento:
 20.5.67
Estado civil: Casado
Peso: 78 quilogramas
Altura: 1,68 metro
Desporto ideal: Futebol
Prato preferido: Funji
Bebida: Vinho
Tabaco: Não usa
Princesa: A esposa
Perfume: Vários
Cor preferida: Azul
Religião: Metodista
Segue à moda? Não 
Calor ou cacimbo?
Cacimbo
Esplanada ou discoteca? Esplanada
Boleia ou volante: Volante
Droga: Um mal a combater