Jornal dos Desportos

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Reportagens

O xadrez mexe com a mente das pessoas

Álvaro Alexandre - 29 de Junho, 2010

Fotografia: Domingos Cadência

O gosto pelo xadrez começou através do seu irmão. “Inspirei-me através do meu irmão, no bairro Golfe I, na década de 90, onde reinava o amadorismo do xadrez. Sem vaidade, o Tião, meu mestre era um bom praticante, motivo que me galvanizou a praticar a modalidade”, sublinhou Casimiro António, xadrezista sénior do Grupo Desportivo da EPAL.Actualmente, Casimiro tem como mestre o árbitro António Xavier, figura incumbida de esboçar as opções técnico-tácticas, com a finalidade de aperfeiçoar o seu desempenho.O xadrezista referiu que o jogo ciência contribui para o engrandecimento do nível intelectual. “É uma modalidade que ajuda as pessoas a discernirem com facilidade as coisas e aumenta a capacidade de análise. É necessário levar o xadrez às escolas do ensino de base”, desabafou.O Atleta afirmou que Angola tem muito potencial. “O xadrez é uma modalidade que mexe com a mente das pessoas. Tem uma quota-parte na resolução das questões sociais. A sua eficácia passa por esforços conjugados entre os sectores de decisão do país e a contribuição individual e positiva do angolano. Essa é a chave do sucesso”, rematou.O mercado interno é a sua fonte predilecta para a aquisição de material desportivo. “No mercado interno pode-se encontrar todo o tipo de material para a prática de xadrez. Consigo adquirir localmente os relógios, livros e guias de estudo, programas de software e computadores. Os meus investimentos para o xadrez rondam anualmente os 1.500 dólares. Os gastos não têm tido retorno. Os rendimentos dos torneios são baixos, não cobrem os valores gastos”, revelou o xadrezista.Contudo, Casimiro António deixou uma mensagem aos mais jovens. “A prática do xadrez só produz benefícios. Para tal, os interessados devem procurar alguém com domínio na matéria para ensinar com exactidão. A integração na modalidade requer três horas de estudo diário e abster-se de alguns vícios”, finalizou.   Quem é quem ...Nome: Casimiro João AntónioData de Nascimento: 03/03/1983Naturalidade: LuandaNacionalidade: AngolanaAltura: 1,70 metrosPeso: 62 kgClube: EPALModalidade: XadrezTabaco: NãoBebida: SumosNúmero de calçado: 42Música: Soul MusicHobby: Leitura e xadrezCor Preferida: AzulReligião: AteuCalor ou Cacimbo: CacimboFilmes: DramaPaís: AngolaCidade: LuandaEstuda: SimClasse: 4º Ano de Gestão e Administração PúblicaInstituição: Faculdade de LetrasUm sonho a realizar: Concluir o doutoramento em gestãoTítulos conquistados: Campeão Nacional de Juniores (2003, Namibe), bicampeão de júnior de Luanda (2001/ 2002), penta-campeão provincial e nacional por equipas.Altos & BaixosXadrezista vitorioso "A conquista do Campeonato Nacional de Juniores de 2003, realizado na província do Namibe, foi um dos feitos mais importantes que enriqueceu o meu palmarés. Na mesma fase, fui convocado para a pré-selecção nacional de seniores, que disputou os Panafricanos da Nigéria. Fiquei em quarto lugar no Africano de Juniores, realizado no Botswana, em 2002 e também me sagrei vencedor do torneio SARPCCO Games de 2003, no Botswana".Falta de dinheiro "O meu afastamento do grupo escolhido para representar o país nos Panafricanos da Nigéria de 2003 marcou-me bastante. Por opção técnica, o malogrado professor Manuel Andrade colocou-me de fora. No Africano de Juniores, realizado na Líbia em 2003, mais uma vez fiquei em terra. A razão da minha desgraça foi o facto da Federação Angolana de Xadrez ter passado maus momentos, no capítulo financeiro".