Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Reportagens

Os ganhos da paz no desporto

Mário Eugénio - 04 de Abril, 2012

Benefícios têm sido múltiplos, com o registo de vários ganhos

Fotografia: Jornal dos Desportos

O país comemora hoje dez anos desde que as armas se calaram definitivamente para dar lugar à paz. De lá para cá os benefícios têm sido múltiplos, com o registo de vários ganhos nos mais variados domínios. Na política, na economia, na cultura e no desporto são visíveis os ganhos com o alcance da paz efectiva. A nível do desporto, os maiores proventos residem sem sombra de dúvidas nas infra-estruturas, embora no campo desportivo as realizações não possam, de modo algum, ser ignoradas.

Em dez anos, Angola construiu e reconstruiu várias infra-estruturas, com destaque para os quatro estádios que acolheram os jogos do CAN-2010 e os quatro pavilhões multiusos que albergaram os campeonatos africanos de basquetebol e andebol. A realização pela primeira vez no país da fase final de um CAN, há dois anos, originou a construção de quatro modernos estádios de futebol nas províncias de Luanda, Cabinda, Benguela e Huíla. A província de Luanda ganhou o maior de todos eles, com capacidade para 50 mil espectadores, seguido do de Benguela com 35 mil, e os de Cabinda e da Huíla foram construídos com capacidade para 20 mil espectadores.

Quanto aos pavilhões multiusos, construídos em 2007, cinco anos depois do alcance da paz, por ocasião da organização do Afrobasket naquele ano e dos CAN de Andebol masculino e feminino, um ano mais tarde, as províncias beneficiadas foram Benguela, Huíla, Huambo e Cabinda. Com capacidade para duas mil pessoas, os referidos pavilhões foram construídos com a incorporação de lojas, salas de conferência, centros de imprensa e balneários públicos, constituindo-se em valores acrescentados para as modalidades de sala nestas paragens.

Se em termos de infra-estruturas os estádios e os pavilhões foram as acções mais visíveis, em termos desportivos a primeira participação de Angola no Mundial da Alemanha, em 2006, a realização dos “africanos” de basquetebol e andebol em 2007 e 2008 e a organização do CAN de futebol em 2010 foram os grandes destaques das obras do Executivo. Angola, de 2002 a 2012 conquistou cinco novos títulos africanos de andebol, perfazendo 11 conquistas, o último alcançado em Janeiro em Marrocos. A juntar à proeza das campeoníssimas africanas está também a equipa feminina do Petro de Luanda que neste período também somou muitas conquistas, com mais de 20 títulos coleccionados.

No basquetebol, o país também coleccionou vários triunfos nos últimos dez anos, subindo ao pódio em 2003, 2005, 2007 e 2009, deixando escapar o quinto título consecutivo no ano passado em Madagáscar. Os angolanos conservam o estatuto de “campeão dos campeões” com dez campeonatos ganhos a nível dos seniores masculinos.Depois de vários sinais, o basquetebol feminino deu também o ar da sua graça e chegou ao pódio com a conquista do primeiro título africano, o ano passado, no Mali, abrindo caminho para a primeira participação nos Jogos Olímpicos, a maior cimeira do desporto mundial. 

Mas as conquistas no desporto em tempo de paz não se resumem ao futebol, basquetebol e andebol. Em todas as outras modalidades, com mais relevância de umas sobre outras, houve resultados que muito engrandeceram o nome de Angola e elevaram bem alto a bandeira nacional. O desporto paralímpico, a canoagem, a natação, o judo, a ginástica são exemplos do quanto Angola foi capaz de mostrar lá fora através do desporto com a conquista da paz efectiva e duradoura. O Jornal dos Desportos traz hoje à estampa um pequeno resumo dos principais lucros obtidos no desporto com a conquista da paz.

Presença na Alemanha
deixou o país em festa

Angola marcou presença pela primeira vez na festa do desporto-rei no mundo e terminou na 23ª posição à frente de nove selecções. A qualificação da Selecção Nacional de futebol de honras para o Campeonato do Mundo de 2006, disputado na Alemanha, constitui o grande ganho de Angola, futebolisticamente falando, nos dez anos de conquista da paz. A qualidade futebolística apresentada pelos Palancas Negras, na altura orientados pelo angolano Luís de Oliveira Gonçalves, actual vice-presidente para o futebol do Santos FC, surpreendeu o mundo. Surpresa essa que ficou confirmada no dia 8 de Outubro de 2005, em Kigali, quando a Selecção Nacional venceu a sua congénere do Ruanda, por uma bola a zero.

O golo apontado pelo capitão Fabrice Maieco “Akwá”, após magistral jogada em que intervieram igualmente Pedro Mantorras e Zé Kalanga, deixou o país em “estado de loucura”, quando vivia apenas quatro anos, seis meses e quatro dias desde o alcance da paz, a 4 de Abril de 2002, após assinatura do acordo para o fim da guerra, entre as Forças Armadas Angolanas (FAA) e as FALA, extinto braço armado da UNITA.

O apuramento da selecção angolana para o mundial da Alemanha não foi uma aposta apenas da equipa técnica, dos jogadores e da direcção da Federação Angolana de Futebol (FAF), na época liderada por Justino Fernandes. Ela resultou igualmente da confiança do próprio Governo, liderado pelo Presidente José Eduardo dos Santos, que desde o “arranque” das eliminatórias acreditou na capacidade dos jogadores e na liderança do técnico Luís de Oliveira Gonçalves.

Uma confiança a que os Palancas Negras souberam dar resposta, para alegria dos angolanos que se mobilizaram em torno da sua selecção, desde o apuramento ao Campeonato do Mundo. Aliás, desde o governante ao deputado, passando pelo vendedor ambulante, zungueira ou militar, ninguém ficou indiferente ao feito do grupo às ordens de Oliveira Gonçalves. 

BOA PRESENÇA
 O inédito apuramento de Angola originou que a lusofonia fosse, pela primeira vez, representada por três selecções – Brasil e Portugal foram as outras – num Mundial de Futebol.A Selecção Nacional, que se classificou em 23º lugar, numa competição com 32 participantes, estreou com derrota (0-1) diante de Portugal, tendo empatado nos jogos seguintes frente às congéneres do México (0-0) e Irão (1-1), respectivamente. O antigo futebolista do Petro de Luanda, na altura em defesa do Al Ahly do Egipto, Flávio Amado, marcou o primeiro e único de Angola em campeonatos do Mundo.


REALIZAÇÃO
Quatro modernos estádios maravilham o continente


Os dez anos de paz que Angola vive desde 4 de Abril de 2002 permitiram conhecer avanços também no campo desportivo, em termos de infra-estruturas. A construção de quatro modernos estádios nas províncias de Luanda, Benguela, Huíla e Cabinda, que serviram a disputa da 27ª edição da Taça Africana das Nações Orange 2010, que o nosso país acolheu, entre 10 e 31 de Janeiro, demonstra a determinação do Executivo angolano na preparação de condições para que os jovens tenham meios à altura para a prática desportiva. 

O esforço financeiro feito pelo Executivo angolano, em pouco tempo de paz e estabilidade, foi compensado com a excelente organização da Taça Africana das Nações Orange. Aliás, o empenho das autoridades angolanas acabou por ser reconhecido por todos quanto participaram na festa – jogadores, dirigentes, convidados e turistas.

A construção dos quatro estádios, numa altura em que o país tinha enormes desafios pela frente, assim como a excelente organização do “africano”, correspondeu igualmente ao repto lançado pelo Presidente José Eduardo dos Santos, por altura da confirmação pela Confederação Africana de Futebol (CAF) de Angola como país organizador da competição, de que se devia trabalhar para a realização de um “CAN exemplar”.

Com capacidade para 50 mil espectadores, o Estádio Nacional 11 de Novembro, localizado em Camama, Distrito de Kilamba Kiaxi, é, entre os quatro, o de maior dimensão. A referida infra-estrutura acolheu as cerimónias de abertura e encerramento do CAN 2010. O Estádio Nacional de Ombaka, em Benguela, com 35 mil lugares, vem a seguir ao de Luanda. Chiazi e Tundavala, ambos com 20 mil, são as restantes “pérolas” do futebol nacional. O esforço feito pelo Executivo angolano não se restringiu à construção dos quatro estádios.Alguns campos e estádios existentes nas províncias que acolheram o CAN 2010, nomeadamente Benguela, Cabinda, Huíla e Luanda, beneficiaram de obras de requalificação, o que lhes conferiu maior dignidade. Pedro Augusto


Selecção Nacional brilhou

Dos cinco Campeonatos Africanos das Nações de Basquetebol em seniores masculinos, vulgo Afrobasket, que a Selecção Nacional disputou em dez anos de Paz efectiva, o cinco nacional conseguiu arrebatar quatro “anéis” continentais, tendo perdido apenas um, situação que vai obrigar o conjunto angolano a discutir o passe para os Jogos Olímpicos de Londres, no Torneio Pré-Olímpico da Venezuela.

O castelo que começou a ser construído na década de 80, período em que o país vivia uma guerra sangrenta, começou a ser fortalecido a partir de Abril de 2002, altura em que Angola passou a viver verdadeiramente num clima de paz efectiva. Com vários desafios pela frente, o Executivo, liderado por sua Excelência Engenheiro José Eduardo dos Santos, passou a investir cada vez mais no desporto angolano no geral e no basquetebol em particular, fundamentalmente nas infra-estruturas desportivas, o que permitiu que a Selecção Nacional, decacampeã africana, mantivesse o ciclo de vitórias a nível do continente berço da humanidade e não só.

A viver os primeiros meses de Paz efectiva, Angola conquistava no Egipto, isto em 2003, o primeiro título africano sem o roncar dos canhões. Neste mesmo Afrobasket, ganho num clima de Paz, os angolanos testemunhavam o adeus à Selecção Nacional de um dos melhores jogadores da história do basquetebol angolano e africano, no caso, Jean Jacques N`zadi Conceição, ou se preferirem, Jean Jacques da Conceição. Depois de ter brilhado no velho continente, com destaque para Portugal e França, o poste angolano deixaria o seu lugar para os mais novos.

Com a conquista do Campeonato Africano das Nações em 2003, Angola carimbava pela quarta vez consecutiva o passe para os Jogos Olímpicos de 2004, prova que foi disputada em Atenas, Grécia. Apesar de perder uma das maiores lendas da “bola ao cesto”, o cinco nacional, sob liderança do luso-guineense Mário Palma, com um conjunto rejuvenescido, a Selecção Nacional conquistava em Argel, isto em 2005, o segundo anel africano em tempo de Paz efectiva.

Carlos Morais, Olímpio Cipriano e Armando Costa, na altura bastante jovens, faziam a sua estreia na Selecção Nacional. A aposta do técnico Mário Palma nos atletas acima referenciados surtiu efeito devido e hoje são, sem sombras de dúvidas, os principais esteios do conjunto angolano.

Ainda em 2005, outra figura emblemática do basquetebol dizia adeus à Selecção Nacional. Trata-se de Ângelo Vitoriano. Sob liderança do técnico angolano Alberto de Carvalho “Ginguba”, a Selecção Nacional viria a estabelecer a melhor classificação de todos os tempos, em fases finais de um Campeonato do Mundo, ao classificar-se em nono lugar no mundial do Japão, em 2006.

Para além do honroso nono lugar, o combinado nacional deixou ainda a marca de ter sido a primeira selecção na história dos mundiais a impor três prolongamentos à forte selecção da Alemanha. Depois, seguiram-se as conquistas do Afrobasket de 2007, competição realizada em cinco cidades do país, Luanda, Cabinda, Benguela, Huíla e Huambo, e o Afrobasket da Líbia. Em 2011, em Antananarivo, capital do Madagáscar, Angola interrompia a série de vitórias. Melo Clemente


FEMININO
Senhoras conseguem feito inédito

No sector feminino, os dez anos de Paz que hoje se comemora ficam marcados sem sombra de dúvidas pela conquista do primeiro Campeonato Africano das Nações da “bola ao cesto”, prova disputada em Bamako, Mali, em 2011. Depois do brilharete nos Jogos Africanos de Maputo, a Selecção Nacional sénior feminina, sob liderança do técnico angolano Aníbal Moreira, ex-internacional, Angola conquistava o seu primeiro título africano e consequentemente o apuramento aos Jogos Olímpicos de Londres.

Pela primeira vez, a Selecção Nacional sénior feminina vai marcar presença na maior cimeira desportiva mundial. Apesar do brilhantismo a nível do continente africano, a nível doméstico, nem tudo tem sido um mar de rosas. A modalidade está mergulhada numa “crise” profunda, com a província de Luanda a ser praticamente a única cidade que movimenta com regularidade a disciplina.


DESPORTO ADAPTADO
Armando Sayovo surpreende o mundo

O atletismo paralímpico é talvez das modalidades que mais brilharam nos dez anos de Paz efectiva. Depois de ter dado os primeiros passos na década de 90, Angola viria a afirmar-se no contexto das grandes Nações em 2004, dois anos depois da assinatura do acordo de Paz. Vindo das FAPLA, onde perdeu a visão, ao serviço da Nação, José Armando Sayovo viria a surpreender o mundo com a conquista de três medalhas de ouro nos 100, 200, e 400 metros, nos Jogos Paralímpicos de Londres.

Mais tarde, o velocista angolano passou a dominar o continente africano a par do seu companheiro de selecção, Octávio dos Santos. Em face das conquistas conseguidas quer a nível dos campeonatos africanos, quer a nível dos campeonatos do mundo, José Sayovo tornou-se numa marca do País. Em 2008, os paralímpicos voltaram a brilhar nos Jogos Paralímpicos de Pequim, onde mais uma vez Sayovo foi a grande figura, ao conquistar três medalhas de prata na especialidade dos 100, 200 e 400 metros. Em Março, Selecção Nacional de Atletismo brilhou no Meeting Internacional da Tunísia, onde conquistou cinco medalhas de ouro e outras tantas de bronze e prata. Uma participação airosa nos Jogos Paralímpicos de Londres augura-se.



TAÇA DOS CAMPEÕES
D`Agosto a dominar em tempo de Paz

A formação do 1º de Agosto em basquetebol sénior masculino lidera o ranking da Taça dos Clubes Campeões Africanos da “bola ao cesto”, com seis troféus arrebatados, sendo por isso a equipa mais titulada do continente africano. Os seis títulos do Clube Central das Forças Armadas Angolanas foram conseguidos em pleno período de Paz efectiva. Depois da assinatura do protocolo de entendimento a 4 de Abril de 2002, Luanda acolhia no fim do ano a fase final da Taça dos Clubes Campeões Africanos, com vitória a sorrir para a equipa militar. As vitórias a nível da Taça dos Clubes Campeões Africanos foram sucedendo até que o conjunto rubro e negro chegou a coleccionar seis anéis continentais. Neste período, o Petro de Luanda também arrebatou um título africano. Os militares perderam a hegemonia em Marrocos em 2011. No sector feminino, a formação do Interclube inscreveu pela primeira vez o seu nome com letras de ouro.


ANDEBOL FEMININO
Títulos engrandeceram o país

Disponibilização de mais recursos, troféus internacionais, a realização de campeonatos africanos e a ocupação de cargos de destaque são apontados como principais ganhos da paz. Os títulos africanos e os lugares de destaque ocupados por angolanos a nível internacional, nos últimos dez anos, são frutos do período pós-guerra que o país vive desde 2002 e contribuíram para o engrandecimento e melhoramento da imagem do país.

O desporto angolano conheceu ganhos significativos nos últimos dez anos. Apesar de ter a particularidade de conseguir conquistar troféus (títulos) africanos em cerca de 30 anos de guerra, o movimento desportivo no país conheceu um incremento a nível interno e externo, no que às competições diz respeito.

Esta situação é justificável com a estabilidade política e económica que o país vive. Se, por exemplo em 1982, o governo tinha de encaminhar grande parte dos recursos financeiros para a aquisição de material de guerra, o que obrigava a uma diminuição das verbas atribuídas ao desporto, hoje a realidade é completamente diferente. As diferentes modalidades passaram a gerir mais recursos financeiros e algumas conseguiram mesmo criar infra-estruturas para o melhoramento da prática.

Entretanto, estas modalidades debatem-se com o problema da exiguidade de meios financeiros, mas esta questão é alheia à guerra. Com mais recursos financeiros, as federações podem agora preparar melhor as selecções nacionais quando competem fora do país e os resultados estão à vista: Os títulos conquistados. Em dez anos, o andebol somou cinco títulos africanos por intermédio da selecção nacional sénior feminina em Marrocos 2002, Egipto-2004, Tunísia-2006, Angola-2008 e Egipto-2012.

Em juniores conquistou quatro títulos, sendo dois no Benin e dois na Cote d’Ivoire e no ano passado, no Burkina Faso, Angola perdeu o troféu de ouro mas ganhou-o pela segunda vez em cadetes (o primeiro foi alcançado na Cote d’Ivoire). Outra modalidade que emergiu nos últimos dez anos é a canoagem, cujo primeiro grande feito foi o apuramento às meias-finais dos Jogos Olímpicos de Beijing, em 2008. Antes disso, tinha já somado vitórias no campeonato africano do Senegal (medalha de prata) em 2005, no Quénia em 2008 (cinco medalhas) e na Cote d’Ivoire em 2009, onde alcançou 14 medalhas.

Não menos importantes foram as participações nos campeonatos africanos de Moçambique (em 2011), de onde trouxe cinco medalhas mais duas de ouro, uma de prata e duas de bronze nos Jogos Pan-africanos, realizados naquele país em Setembro de 2011. Estes últimos garantiram a qualificação de Angola aos Jogos Olímpicos, pela segunda vez consecutiva. A nível do xadrez há a destacar o título africano de juniores, conquistado em 2011, na África do Sul, por Erikson Soares e o de Amorin Agnelo nos Jogos Pan-africanos, competição em que foi considerado o melhor xadrezistas. Adérito Pedro continua a ser o angolano com maior elo, somando neste momento 2320 no ranking (elo) internacional.

No desporto automóvel há a destacar a participação de pilotos angolanos, em competições mundiais e na ginástica as 12 medalhas conquistadas no torneio internacional de Walvis Bay na Namíbia, sem nos esquecermos dos feitos do desporto adaptado (aqui destaca-se José Sayovo), natação, karaté  e outras modalidades. A nível interno podem ser apontados como ganhos da paz a realização de campeonatos nacionais em diversos pontos do país, o que nos anos que antecedem ao acordo de paz era impossível, por uma questão de segurança. Este facto, por si só fez que o número de praticantes, a nível do país conhecesse um aumento significativo.

A realização de campeonatos africanos no país, nomeadamente o Afrobasket/2007 em Luanda, Benguela, Cabinda, Huambo e Huíla, o Can de andebol em 2008, nas mesmas províncias e até mesmo o de futebol em 2010 contribuíram muito para o engrandecimento da imagem do país nas diferentes estruturas do desporto e até mesmo da política, a nível internacional. A diplomacia angolana desportiva também ganhou com a paz, pois existem mais angolanos a ocupar cargos relevantes em organizações continentais e mundiais do que anteriormente. Destes filhos da pátria pode-se citar os nomes de Gustavo da Conceição, na ACNOA, Toni Sofrimento, na Fiba África, Leonel Pinto, no Comité Paralímpico Africano, Pedro Godinho e Palmira Barbosa, na Confederação Africana de Andebol, Mário Augusto, na zona Austral, entre outros. Josefa Tomás



OS GANHOS DA PAZ
Infra-estruturas Estado mantém a prioridade

O destino quis que, depois de 27 anos de desencontros, a unidade nacional chegasse a cada um dos angolanos. A 4 de Abril de 2002, o Memorando de Luena deu corpo à estabilidade e à Paz em Angola. Com o calar das armas, as entidades competentes do Estado apostam na reconstrução nacional e o desporto mantém o espaço no programa de investimentos públicos. É assim que em dez anos de estabilidade político-social, o Executivo reconstruiu e constrói infra-estruturas desportivas nas principais capitais de província e nalgumas municipalidades. Os grandes investimentos em infra-estruturas desportivas assentam na construção dos Estádios de futebol. As cidades de Luanda, Benguela, Cabinda e Lubango acolhem estádios modernos para a prática de futebol.

São investimentos erguidos no quadro da realização do Campeonato Africano das Nações, que o país acolheu em Janeiro de 2010.O Estádio de Luanda, denominado 11 de Novembro, tem capacidade para 50 mil espectadores e foi o palco da cerimónia de abertura e encerramento do CAN’2010. Hoje, é uma das jóias do futebol nacional. Com a sua construção, o perímetro circundante consta do lote mais requisitado para a edificação de outras infra-estruturas que beneficiam os angolanos. O Estádio da Tundavala, na cidade de Lubango, com capacidade para 20 mil espectadores, impulsionou a construção de uma rede hoteleira que hoje contabiliza mais de 2.500 camas.

Na cidade de Benguela, o Estádio de Ombaka acolhe 20 mil espectadores e no espaço circundante nascem infra-estruturas que proporcionam emprego e bem-estar aos angolanos. Em Cabinda, o Estádio do Chiaze é o pioneiro de um grande investimento em curso. Novas urbanizações estão planificadas ao redor para dar outro estilo de vida aos angolanos. Para o êxito da competição, o Executivo reabilitou mais de dez campos nas respectivas cidades, o que desafogou os praticantes e os clubes. A título de exemplo, Benguela testemunhou a reabilitação de todos os campos pertencentes aos clubes.

OUTROS INVESTIMENTOS

Outros investimentos não menos importantes foram feitos para os desportos de sala. No âmbito dos Campeonatos Africanos de Basquetebol e de Andebol, que o país acolheu em 2007 e em 2008, as cidades do Huambo, Benguela, Huíla e Cabinda, com excepção da primeira, voltaram a beneficiar de outras infra-estruturas. Em cada uma foi erguido um pavilhão multiusos. O pavilhão Osvaldo Serra Van-Dúnen, na cidade do Huambo, constitui a mola impulsionadora do desporto de sala. Os jovens adoptaram o desporto como meio para se inserir na comunidade e promover a paz.