Jornal dos Desportos

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Reportagens

Os melhores negócios do mercado de verão que faltam concretizar

28 de Julho, 2011

Neymar, avançado da selecção brasileira que o Real de Mourinho pretende

Fotografia: Reuters

Exercer a cláusula de opção pelo sueco Zlatan Ibrahimovic custou ao Milan 24 milhões de euros e a transferência de Fábio Coentrão - que se estreou no Real Madrid com exibição elogiada por Mourinho e participação em dois golos ante o LA Galaxy (4-1) - colocou 30 milhões nos cofres do Benfica.

No entanto, continuam por concretizar-se as principais movimentações no mercado de Verão, incluindo a possibilidade de o portista Radamel Falcao ainda sair do Porto, apesar da renovação do contrato e do aumento da cláusula de rescisão: de 30 para 45 milhões de euros. E de o próprio Falcao ter declarado, antes de falhar um penalty e ser eliminado na Copa América pelo Peru, que o projecto desportivo portista o convenceu a ficar.

A transferência que mais agitação vem provocando parece ter quase tudo definido, após um encontro entre Florentino Pérez e o líder do Santos, Luís Álvaro de Oliveira, embora esteja agendada outra reunião: Neymar, o avançado da selecção brasileira, que o Real Madrid de Mourinho pretende, deve assinar por seis épocas, com um salário anual de cinco milhões de euros. O prodígio de 20 anos custa 45 milhões de euros e recebe metade do que gerar em publicidade.

Com os contratos publicitários que já assinou, Neymar garante 4,2 milhões de euros/ano vindos de empresas como Nike, Panasonic, Red Bull, Nextel e Baruel, repartindo a 50 por cento com o Real Madrid as verbas que chegarem além destas. Por exemplo, está quase assinado um outro contrato com o gigante radiofónico Claro. O único factor de eventual discussão é o momento da sua chegada à capital espanhola: jogador e Santos preferiam o final do ano, depois do Mundial de Clubes (isso podia reduzir em perto de cinco milhões os custos com o passe); o Real aposta no negócio para já.

O internacional argentino Sergio `Kun' Agüero não se cansa de dizer que o seu tempo no Atlético de Madrid terminou, faltando saber que destino vai escolher. Após o afastamento na Copa América pelo Uruguai, até podia ser o próprio Real Madrid a pagar os 45 milhões da cláusula de rescisão do genro de Maradona. Carlos Tevez, outro envolvido na eliminação dos argentinos - falhou a grande penalidade no desempate - também se perfila como candidato a grande negócio: a sua saída do Manchester City podia valer perto de 45 milhões aos ingleses, estando Corinthians e Juventus entre os interessados.


Clubes portugueses endividados

Os clubes portugueses de futebol profissional endividaram-se em 500 milhões de euros nas últimas dez épocas. Esta é a principal conclusão do estudo "Competição fora das quatro linhas", que uma equipa de peritos da Universidade Católica realizou para a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP). O documento diz que os clubes profissionais em Portugal tiveram prejuízos de 55 milhões de euros na época 2009/10, tendo as dívidas (sobretudo à banca) aumentado para 500 milhões de euros nas últimas temporadas.

O estudo, divulgado por Fernando Gomes, máximo dirigente da Liga, e por coordenadores do estudo, os professores Alberto Castro e Álvaro Nascimento, aponta ainda para mudanças num modelo de negócio que é incapaz de gerar fundos para remunerar os accionistas, embora tenha sido capaz de se regenerar com capitais alheios. Além disso, refere o estudo, os clubes conseguiram aumentar os proveitos em 300 milhões de euros, um quinto do que se regista em Espanha, com recurso a oportunidades de crescimento no mercado de exportação.


SAD do Sporting
angaria 150 milhões de euros

Em 13 anos de presença no mercado de capitais, a SAD do Sporting conseguiu angariar 150 milhões de euros e parte deste montante serviu para amortizar dívida anterior. A última operação de financiamento foi concretizada e correspondeu a um novo empréstimo obrigacionista de 20 milhões, com uma taxa de 9,25 por cento (contra os 19 por cento das Obrigações do Tesouro a três anos, emitidas pelo Estado português), o qual serve para amortizar o que termina este mês, no valor de 19 milhões.

A superação da oferta em 58 por cento, face aos quatro milhões de obrigações que estavam em jogo, foi motivo de regozijo pelo presidente do clube, Godinho Lopes. "Tratou-se de uma boa resposta dos subscritores e devo depreender que são pessoas que acreditam no projecto encabeçado por esta administração”, disse, na Euronext Lisboa, o líder sportinguista, na sessão especial de divulgação do resultado da Oferta Pública de Subscrição de obrigações. "Os quase 2.700 subscritores deste empréstimo reconhecem o trabalho transparente e os critérios de credibilidade defendidos no clube", sublinhou Godinho Lopes, aproveitando a oportunidade para deixar um recado à DECO: “Infelizmente, quem tem de preocupar-se com os consumidores não deixou de fazer chamadas de atenção de sinal vermelho, mas ainda bem que não conseguiu demover os ditos consumidores e a luz verde acabou por prevalecer."


Zeca e Panathinaikos
separados por 150 mil euros

O acordo entre Setúbal e Panathinaikos para a transferência de Zeca está quase limado. O clube sadino continua a insistir num valor próximo do meio milhão de euros pelo jogador mas os gregos só dão cerca de 350 mil. A diferença, de quase 150 mil euros, é o que separa Zeca de ser treinado por Jesualdo Ferreira, mas tal deve ser superado nas próximas horas. Uma das soluções em discussão passa por o Setúbal receber, no futuro, uma percentagem de uma transferência do jovem. Zeca já falou à imprensa grega com... optimismo. "Gosto do Panathinaikos e era um incentivo extra trabalhar com Jesualdo Ferreira", afirma o jovem. A saída de Zeca para a Grécia é também favorável ao Casa Pia. O clube tem direito a metade do encaixe sadino, mas foi negociada uma redução no valor, em troca de três empréstimos.