Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Reportagens

Os milionários da Premier League

14 de Julho, 2011

Offshores e milionários com a febre do futebol

Fotografia: AFP

Em tempo de crise, não faltam contratações milionárias em Inglaterra. O segredo? Offshores e milionários com a febre do futebol. Cristiano Ronaldo assumiu que podia estar a ganhar o dobro do seu ordenado anual no Real Madrid. A proposta foi pública: o Sheikh Mansour Bin Zayed al Nahyan, dono do Manchester City, estava disposto a pagar-lhe perto de 20 milhões de euros por ano e ao Real Madrid 150 milhões pelo passe. O negócio não avançou, mas entretanto outro dos milionários do futebol inglês entrou em jogo.

Roman Abramovich foi ao Porto para levar André Villas-Boas por 15 milhões de euros, um recorde mundial entre treinadores, a ida de Falcao – cláusula de 30 milhões de euros – e de Moutinho – cláusula de 40 milhões – parecem estar em cima da mesa e mesmo Hulk, protegido pela cláusula de rescisão mais elevada do futebol nacional (100 milhões de euros), não parece estar posto de parte.

No total, Abramovich, cuja fortuna foi feita através de negócios na área do petróleo entre o final da década de 80 e a primeira metade dos anos 90, já injectou perto de 850 milhões de euros no clube de que detém a totalidade do capital. Um valor impressionante, mas que nem por isso destoa muito da soma investida pelo excêntrico Sheikh Mansour Bin Zayed, de 40 anos, que através de uma empresa registada nos Emirados Árabes Unidos, a Abu Dhabi United Group, investiu 565 milhões de euros no Manchester City, que comprou no final de 2008.

Mas o City está longe de ser o único clube sustentado por empresas sedeadas em paraísos fiscais. O Tottenham está nas mãos da Enic International Limited, de Joe Lewis, com sede nas Bahamas; 95 por cento do Bolton Wandereres pertencem a Edwin Davies, residente na Ilha da Man e 95 por cento do Birmingham são de Carson Yeung e da sua Brimingham International Holdings, com sede nas Ilhas Caimão.

Clubes espanhóis devem quatro mil milhões

Barcelona e Real Madrid dividem entre si os melhores jogadores e, além dos títulos nacionais, lutam pela Liga dos Campeões e pelo estatuto de melhor equipa do Mundo. No entanto, o cenário das ligas espanholas profissionais de futebol é bem distante dos universos de Ronaldo e Messi. Entre a primeira e a segunda divisão, 21 já pediram ajuda para recuperar as contas, mas nem assim as finanças do futebol espanhol conseguem acompanhar o ritmo praticado nos relvados. As dívidas totais já ascendem a quatro mil milhões de euros e cerca de 300 futebolistas apresentaram queixa por ordenados em atraso.

À margem desta crise, Barcelona e Real Madrid continuam a viver à parte da realidade. Campeões em campo, nas receitas de bilheteira e nos direitos televisivos, os dois clubes são também campeões nas dívidas. O clube de Madrid tem dívidas acumuladas a rondar os mil milhões de euros enquanto as dos seus rivais da Catalunha ultrapassam os 500 milhões.

Em Espanha, fala-se em bancarrota no futebol – um sector que emprega 85 mil pessoas e é responsável por um por cento do PIB do país vizinho – e os clubes reclamam maior apoio do Estado. Em campo, a bola ainda não parou de rolar, mas as ameaças de greve são cada vez mais sérias. No passado mês de Fevereiro, foram os direitos televisivos que quase pararam La Liga. Agora, pode ser a falência.

Jogadores com salários em atraso

O futebol espanhol atravessa graves problemas económicos e a crise, que ameaça instalar-se, alastra-se pelos dois escalões profissionais. Segundo o diário “Marca”, a dívida calculada dos clubes ronda os quatro mil milhões de euros e mais de 300 jogadores já denunciaram terem salários por receber, tanto na I como na II divisão.
A situação não afecta apenas o futebol, que tem 21 equipas sujeitas à “Ley Concursal”, uma nova legislação sobre insolvência que agiliza processos e evita o recurso aos tribunais.
O problema é tão delicado que uma greve dos futebolistas é, agora, uma ameaça real. Para já, afigura-se como inevitável que algumas equipas da Segunda B desçam de divisão, por não conseguirem pagar as dívidas. Sem acordo entre as partes interessadas, segundo a Ley Concursal os futebolistas podem perder metade dos salários. Daí a greve iminente.
A crise não se circunscreve ao futebol. No basquetebol, Estudiantes, Joventut, Menorca, Valhadolid e Granada não têm pago salários e o Alicante estará muito perto de desaparecer. No ciclismo, o calendário profissional cada vez tem menos provas e no andebol até o Ciudad Real, cinco vezes campeão de 2003/04 e 2009/10 e três vezes campeão europeu, está em dificuldades. No voleibol são apenas cinco as equipas inscritas.

Comité
Olímpico
Imternacional
sobe reservas

As reservas financeiras do Comité Olímpico Internacional (COI) subiram para 592 milhões de dólares, anunciou o presidente deste organismo, o suíço Jacques Rogge, em Durban, na África do Sul.
Comparativamente a 2010, aquelas reservas cresceram 29 milhões de dólares. Segundo Rogge, o aumento está associado a um bom desempenho dos contratos de patrocínio e à venda de direitos televisivos e representa um valor base para assegurar a sobrevivência da actividade do COI durante quatro anos, em caso de cancelamento de jogos.
Durante o actual ciclo olímpico – de Vancouver 2010, no Canadá (Inverno) a Londres 2012, em Inglaterra (Verão) - a venda de direitos de televisão rendeu 3.900 milhões de dólares, enquanto para o ciclo seguinte - de Soche 2014, na Rússia, a Rio de Janeiro 2016, no Brasil - estão já garantidos 3.200 milhões de dólares, esclareceu Rogge.