Jornal dos Desportos

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Reportagens

Os parentes famosos

31 de Maio, 2010

Bobby e Jack Charlton são irmãos que marcaram a história do futebol inglês

Fotografia: Internet

Bobby e Jack CharlonMais velho, Jack foi convocado pela primeira vez pouco antes do Campeonato do Mundo de 1966, que seria sediada pelos inventores do futebol.O jogador fez boa parceria com Bobby Moore na defesa e foi uma das peças chave para que a equipa inglesa comandada pelo técnico Alf Ramsey conquistasse o primeiro Mundial. Jack Charlton voltou a ser convocado em 1970, no qual actuou numa partida. Bobby era mais famoso que Jack Charlton. É o segundo jogador que mais vezes vestiu a camisola do Manchester United e já havia sido chamado para a selecção inglesa no Campeonato do Mundo de 1958 (mas não actuou) e foi titular nos Campeonatos do Mundo de 1962, 1966 e 1970. Era um dos donos do meio-campo inglês em 1966 e fez golos importantes, como os que decidiram a meia-final contra Portugal, quando a Inglaterra venceu por 2 a 1 e caminhava firme rumo ao primeiro título Mundial. Zezé e Aymoré Moreia Irmãos e técnicos, cada um contribuiu, directa ou indirectamente, para o início dos triunfos da selecção brasileira nos Campeonatos do Mundo. Apesar de mais jovem, Zezé chegou primeiro ao comando da selecção canarinha, em 1952.Foi o comandante da selecção no Campeonato do Mundo de 1954, derrotada pela fantástica Hungria de Puskas nos quartos-de-finais.Zezé era também o técnico do Botafogo, quando um certo Garrincha foi fazer testes no clube. O mesmo Garrincha que seria primordial na selecção bi-campeã mundial de 1962, comandada por Aymoré, que ainda voltaria a liderar o Brasil entre 1967 e 1968, quando convocou pela primeira vez talentos como Tostão e Rivellino. Domingos e Ademir da Guia Conhecido pelo estilo elegante de actuar na defesa, Domingos é aclamado como um dos melhores defesas brasileiros de todos os tempos. Com passagens por Flamengo, Vasco, Corinthians, Bangu e Boca Juniors, entre outros, o "Divino Mestre" foi titular durante toda a campanha brasileira no terceiro lugar no Campeonato do Mundo de 1938.Ademir herdou a classe e o apelido do pai. Contudo, actuava no meio-campo. Aclamado como um dos maiores ídolos da história do Palmeiras foi pouco aproveitado na selecção canarinha. No Brasil comandado por Zagallo, em 1974, entrou apenas na disputa do terceiro lugar contra a Polónia, perdida por 1 a 0. Cesare e Paolo Maldini Pai e filho, ambos são ícones do AC Milan. Pela Itália, Cesare fez apenas 15 jogos entre 1958 e 1963. Ainda assim, garantiu participação em duas partidas do Campeonato do Mundo de 1962, no qual a selecção italiana não passou da primeira fase.Paolo Maldini foi ainda mais longe que o pai com a mítica camisa tetra-campeã mundial.Com 126 partidas pela selecção nacional, o lateral e defesa foi titular absoluto nos Campeonatos do Mundo de 1990, 1994, 1998 e 2002.Mas para o seu azar, Maldini "!só"alcançaria uma meia-final, em 1990, e a final contra o Brasil, em 1994, vencida nos penalties pela equipa de Romário e companhia. Sem a presença de Paolo Maldini, a Itália voltou a ser campeã do Mundo, em 2006, após 24 anos de jejum. Gémeos cunham a história  A passagem de testemunho entre pais e filhos deixam recordações muitas vezes desagradáveis. Na família russa Ivanov, o filho encarregou-se de ajuizar 16 cartões na partida entre Portugal e Holanda no Campeonato do Mundo de 2006, enquanto o pai está registado como um dos grandes artilheiros dos Campeonatos do Mundo.A "Dinamáquina esteve recheada de talentos como irmãos Laudrup, enquanto a Holanda tinha os irmãos De Bóer, cujas performances marcaram uma época do futebol mundial. Jean e  Youri  Djorkaeff Outro caso de descendência directa em Campeonatos do Mundo. Jean era lateral direito com passagens por Lyon e Olympique de Marselha, quando foi convocado pela França para o Campeonato do Mundo de 1966. Titular da equipa comandada por Henri Guérin, não passou da primeira fase daquele torneio. Youri, o filho, foi mais feliz com a selecção francesa. Depois de 12 anos de ausência no principal torneio do futebol, a França sediou o Campeonato do Mundo de 1998, que coroaria a conquista do primeiro título Mundial. Das sete partidas da equipa, o meio-campista Youri Djorkaeff actuou em cinco, inclusive no épico 3 a 0 sobre o todo poderoso Brasil, na final disputada no Estádio Saint-Denis. Em 2002, porém, esteve na equipa que amargou a volta precoce para casa, após a eliminação na fase de grupos. Sócrates e Rai Um dos líderes de "Democracia Corinthiana",o médico e meio-campista Sócrates era conhecido pela classe em campo e a forte posição ideológica fora dele.Fez parte do inesquecível Brasil de 1982, eliminado nos quartos-de-finais pela Itália de Rossi. Com uma selecção menos badalada, também esteve em todas as partidas de 1986, quando o Brasil caiu diante da França de Platini.O irmão Raí é um dos maiores ídolos da história do São Paulo e actuava como um meio-campista mais incisivo no ataque, comparado ao irmão. Distante da boa fase do São Paulo, bi-campeão mundial de 1992 e 1993, começou como titular da equipa de Alberto Parreira, em 1994, mas perdeu a posição para Mazinho nos oitavos-de-finais e terminou aquele Mundial como suplente. Ainda assim,comemorou o Campeonato do Mundo conquistado nos Estados Unidos da América, que parecia mais próximo do irmão mais velho. Tore ,Jostein e  avard Flo De má lembrança para o Brasil, os irmãos Tore e Jostein Flo estiveram em campo na primeira derrota brasileira no Campeonato do Mundo de 1998, quando a selecção canarinha foi derrotada por 2 a 1 pela Noruega – com direito a golo de Tore, o mais novo do trio-família, presente nos quatro jogos da equipa naquele Mundial.O atacante grandalhão jogou por Chelsea e Rangers, sendo o mais bem sucedido do clã Flo no futebol. Mais velho, Jorstein (outro atacante) disputou os três jogos da Noruega no Campeonato do Mundo de 1994, além de estar presente em 1998.Primo dos irmãos, Havard também era atacante e assim como Tore fez um golo no Campeonato do Mundo da França (contra a Escócia), marcando o nome da família Flo – que ainda tem outros jogadores de futebol – na história dos Campeonatos do Mundo. Brian e Michael Laudrup Presentes na lista Fifa 100 - elaborada por Pelé e destaca os principais jogadores vivos de todos os tempos – os irmãos Laudrup quase complicaram a vida da selecção brasileira nos quartos-de-final do Campeonato do Mundo de 1998. Mais velho, Michael esteve no Campeonato do Mundo de 1986 com a "Dinamáquina" – marcou na goleada por 6 a 1 contra o Uruguai - , que parou nos oitavos-de-final diante da Espanha. Em 1998, o ex-jogador de Juventus, Barcelona e Real Madrid anotou um tento na derrota contra a França, de penaltie. Autor de dois golos em 1998, Brian Laudrup infernizou a vida da defesa brasileira na disputa nos quartos-de-final. Além do passe para o primeiro golo, fez o golo de empate (2 a 2), em falha bisonha de Roberto Carlos – Rivaldo marcaria o tento da vitória. "Menos famoso" que Michael, o atacante já havia marcado naquele Mundial contra a Nigéria, nos oitavos-de-final. Frank e  Ronald de Boer Outro caso de gémeos holandeses nos Campeonatos do Mundo (os irmãos van der Kerkhof disputaram os Mundiais de 1974 e 1978), os irmãos De Boer formou um dos parentescos mais vitoriosos de todos os tempos. Além de vencerem juntos uma Liga de Campeões pelo Ajax, em 1995, também estiveram juntos com a Holanda nos Campeonatos do Mundo de 1994 e 1998 – eliminados pelo Brasil em ambas competições. O defesa Frank foi titular durante todo o Campeonato do Mundo de 1998 e jogou duas partidas da fase de grupos no Campeonato do Mundo anterior.O meio-campista Ronald também era peça importante da Holanda e foi o responsável directo pela eliminação daquela equipa no Mundial da França, quando desperdiçou o penaltie decisivo que levou o Brasil à final, defendido por Taffarel.Como irmão gémeo, Frank (que converteu a cobrança na abertura da série) foi o único no elenco holandês a cobrar Ronald. Valentin Alentin Kozmich Ivanov Valentinovich Um caso peculiar, onde pai e filho estiveram em lados distintos do campo. Atacante da extinta União Soviética, Ivanov pai defendeu a selecção soviética nos Campeonatos do Mundo de 1958 – enfrentou a selecção canarinha na derrota por 2 a 0 - e 1962, quando foi um dos artilheiros da Campeonato do Mundo disputado no Chile, com quatro golos.Ivanov filho é árbitro de futebol e ex-jogador. Mas ao contrário do pai, ficou marcado negativamente nos Campeonatos do Mundo. Sob o seu apito, aconteceu a partida com o maior número de cartões da história dos Mundiais, quando distribuiu 16 amarelos e quatro vermelhos na vitória de Portugal sobre a Holanda por 1 a 0, nos quartos-de-final do Campeonato do Mundo de 2006. Oportunamente, a actuação de Ivanov filho foi criticada até pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter.