Jornal dos Desportos

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Reportagens

Os resultados do Benfica revelam uma aposta de risco

03 de Junho, 2010

As vendas de jogadores tiveram pouco impacto (2,1 milhões positivos)

Fotografia: REUTERS

As contas das Sociedades Anónimas Desportivas (SAD) dos três grandes clubes de Portugal são um "espelho" dos diferentes patamares de evolução financeira do seu futebol, com inevitáveis efeitos nos relvados.

Os primeiros nove meses do actual exercício - que começou na última pré-época - mostram que a gestão operacional da SAD do Futebol Clube do Porto tem custos e receitas estabilizadas em valores elevados: proveitos operacionais (bilheteira, direitos TV, venda de camisolas) de 47 milhões de euros, quase inalterados face à época anterior (ambas com contribuição da Champions), e custos operacionais estáveis em torno dos 50 milhões.

Com um nível salarial ligeiramente acima dos 30 milhões. Os proveitos com a negociação de jogadores (Lucho e Lisandro, sobretudo) deram lugar a um resultado operacional positivo de 13 milhões. O Benfica está a aproximar-se do FC Porto. Os proveitos operacionais dispararam 10 milhões de euros para 46,4 milhões (um reflexo do entusiasmo dos adeptos, já que não contou com receitas da Champions), suportados por um aumento de quase seis milhões dos custos operacionais (massa salarial em alta).

As vendas de jogadores tiveram pouco impacto (2,1 milhões positivos), pelo que assistiu-se a uma estabilização do prejuízo operacional nos 15,9 milhões. Número que traduzem uma aposta de risco, na perspectiva de capitalizar o rendimento desportivo.
Quanto ao Sporting, a estratégia afasta-se gradualmente da dos dois rivais: proveitos operacionais em queda (menos 10 milhões para 27,6 milhões de euros, efeito da ausência da Champions), redução de custos (-3 milhões para 30 milhões), o que se traduz num agravamento do prejuízo operacional de três para 12 milhões. Uma gestão financeira marcada por redução progressiva de despesa, com evidentes efeitos na obtenção de receitas.

Real acrescenta Drenthe no pacote por Di Maria

Royston Drenthe, 23 anos, internacional holandês, é uma das armas utilizadas pelo Real Madrid no sentido de baixar o valor em dinheiro a pagar pelo argentino Di María, apurou o jornal português “O JOGO”. Os merengues não estão dispostos a avançar com os 40 milhões de euros fixados na cláusula de rescisão de Angelito - é este o valor inicialmente pretendido pela SAD encarnada para libertar o camisola 20 - e nos últimos dias têm vindo a tentar encontrar outras soluções para viabilizar o negócio sem terem de despender tamanha soma.

A saída encontrada é a inclusão de jogadores na transferência, e o esquerdino está na linha da frente. Jorge Mendes, empresário do jogador e detentor de dez por cento do seu passe, prolongou a sua estada em Madrid depois da apresentação oficial de José Mourinho e, apesar de as negociações não estarem ainda fechadas, vão conhecendo avanços significativos. Segundo o "O JOGO", a proposta do Real Madrid passa nesta altura por uma verba na ordem dos 30 milhões de euros, mais a cedência de Drenthe a título definitivo. Contratado no Verão de 2007 por 13 milhões de euros, o holandês tem vindo a desvalorizar-se na equipa de Cristiano Ronaldo e seria agora avaliado em qualquer coisa como dez milhões de euros. Estariam assim atingidos os 40 milhões pretendidos pela sociedade anónima benfiquista. Na última época, o campeão europeu de sub-21 em 2007 participou apenas numa dezena de encontros dos merengues e foi apenas titular em quatro destes. Uma eventual vinda para a Luz significaria a chance de relançar a carreira.

O desejo dos madridistas de garantir Angelito é firme e, além de Drenthe, existe ainda a possibilidade - mais remota, diga-se - de serem Garay ou Marcelo os activos lançados como contrapartida para baixar o valor monetário do internacional argentino. Garay é defesa-central, tem a mesma idade (23 anos) de Drenthe e é também polivalente, podendo alinhar em qualquer posição da defesa.
O argentino não é, todavia, uma opção que, à partida, seja muito do agrado da SAD benfiquista. Marcelo despontou no Fluminense e chegou a Madrid em 2007; consegue cumprir, igualmente, várias posições pelo flanco esquerdo, mas, neste caso, o próprio José Mourinho já sublinhou recentemente que não pensa prescindir dos serviços do brasileiro.

Certo é que os responsáveis do clube se vão mantendo firmes na intenção de não desembolsar 40 milhões de euros por Di María - o próprio Mourinho já exerceu alguma pressão nesse sentido ao dizer que só aconselha a compra de Angelito por valores... não "absurdos" -, e o desfecho positivo da negociação vai passar, em grande parte, por Jorge Mendes. É o agente FIFA quem tem intermediado as conversações, sendo que é também parte interessada num desenlace feliz, ou não tivesse investido um milhão de euros na compra de dez por cento do passe do internacional argentino, que se prepara para ser titular às ordens de Maradona no Mundial da África do Sul.

Maniche quer um milhão
para assinar pelo Sporting

Um milhão de euros é quanto, segundo o jornal "O JOGO", o português Maniche pretende receber como prémio de assinatura, caso venha a ingressar no Sporting de Portugal. Além do montante compensatório pela formalização do vínculo contratual, o médio internacional luso deseja igualmente assinar um compromisso válido para as próximas três épocas, vontade que, em Alvalade, é questionada em função dos 32 anos que Maniche - que completa o 33º aniversário a 11 de Novembro. Os elevados encargos que a contratação de Maniche pode representar para os cofres dos emblema verde e branco não se esgotam por aqui, uma vez que o vencimento auferido pelo atleta na última temporada (2,4 milhões de euros por ano, ao serviço dos alemães do Colónia), são um indicador de que só a cedência económica do médio pode dar azo à viabilização do acordo.

A Sporting SAD tem vindo a encetar várias diligências para aproximar as suas possibilidades aos valores por que Maniche estaria disponível a ceder, algo que deve rondar um milhão de euros por ano, isto é, pouco menos de metade do montante pago pelo Colónia - recorde-se que Maniche rescindiu recentemente o contrato que expirava apenas no final da estação 2010/11. Se as dificuldades financeiras que a sociedade verde e branca enfrenta são limitativas no ataque ao mercado, inclusive de jogadores em final de contrato ou livres - situação que poderá sofrer alterações assim que sejam consumadas as transferências de alguns activos, nomeadamente Miguel Veloso ou João Moutinho, elementos cujo valor de mercado é susceptível de representar maior encaixe para os cofres leoninos .