Jornal dos Desportos

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Reportagens

Os saltos e tropeos de um campeo

23 de Janeiro, 2012

Depois de uma infncia atribulada Mike

Fotografia: AFP

Michael Gerard Tyson, ou simplesmente Mike Tyson, é considerado por muitos o maior lutador de boxe de todos os tempos. Aos 12 anos, pesava mais de 80 kg, com musculatura bem avantajada para um garoto. Aos 15, já era um peso pesado veloz e demolidor. Aos 18, nem mesmo o seu treinador ficava de pé.

Aos 20 anos, tornou-se campeão mundial, o mais jovem peso pesado a conseguir esse feito. Tamanha performance num período tão curto de tempo trouxe consequências. Assim, quando Tyson completou 30 anos, já era possível perceber que também estava a perder o seu vigor físico, a devastadora temporada de KOs e títulos mundiais chegava ao fim para Mike Tyson.

Mike Gerard Tyson teve uma infância difícil depois de o pai abandonar o lar quando ele tinha apenas dois anos. A sua juventude ficou marcada pelo internamento, aos 11 anos, num reformatório para jovens delinquentes, onde se iniciou no boxe, motivado pelo director da instituição, que era um antigo pugilista. Aos 13 anos, foi descoberto pelo treinador Sílvio Freitas, que passou a ser o responsável pela sua carreira. No entanto, no ano seguinte, Mike Tyson passou a ser orientado por Jan Vojik e foi campeão mundial olímpico dos pesos médios aos 14 anos de idade.

Em 1981, com 15 anos, tornou-se campeão juvenil de boxe dos Estados Unidos para, no ano seguinte, alcançar o título mundial do mesmo escalão etário. Em 1983, zangou-se com Atlas e voltou a trabalhar com Sílvio Freitas e foi sob a orientação deste, que em 1985, deu-se a sua passagem para o boxe profissional. Logo no primeiro ano, ganhou os 15 combates em que participou, 11 deles por KO (knock-out) no primeiro round.

Em 1986, Tyson impôs-se em definitivo como campeão e ficou conhecido em todo o mundo. A mais importante das 13 vitórias do ano aconteceu a 22 de Novembro quando, ao derrotar Trevor Berbick, conquistou o título mundial de pesos pesados do Conselho Mundial de Boxe (WBC). Com 20 anos, foi o mais jovem pugilista a alcançar esse feito. No ano seguinte, conquistou também os títulos mundiais da Federação Internacional de Boxe e da Associação Mundial de Boxe e em 1988 venceu três combates contra pugilistas de renome, todos por KO antes do quarto assalto.

Mulheres e problemas

Ainda em 1988, casou com a actriz e modelo Robin Givens que, no ano seguinte, pediu o divórcio. Num programa de televisão, alegou que Tyson era maníaco-depressivo. Estes problemas afectaram a carreira do pugilista, que só combateu por duas vezes em 1989, embora tenha vencido os dois desafios. O mau momento ficou confirmado em 1990, quando, a 11 de Fevereiro, foi batido no Japão por Buster Douglas por KO ao 10º assalto, perdendo os seus três títulos mundiais.

Em 1990 e 1991, venceu os quatro combates em que participou e desafiou para um combate o novo campeão mundial Evander Holyfield, também norte-americano. Em Julho de 1991, fez parte do júri do concurso Miss América, mas acabou acusado de violação por uma das participantes. Enquanto aguardava o julgamento, continuou a treinar, mas lesionou-se e teve de adiar o combate com Holyfield.

Em Março de 1992, Mike Tyson foi condenado a seis anos de prisão, mas devido ao bom comportamento, só cumpriu metade da pena. Saiu da prisão em Março de 1995 e cinco meses depois voltou a combater, no dia 19 de Agosto de 1995, no MGM Grand Garden, para derrotar um desconhecido pugilista irlandês Peter McNeeley, auto-apelidado de “O Furacão Irlandês”, aos 89 segundos do primeiro assalto. Pela vitória, Tyson recebeu 25 milhões de dólares, e McNeeley levou 700 mil dólares.


A dentada

Em 1996, voltou a combater e a vencer, o que o levou a desafiar de novo Holyfield. A 9 de Novembro desse ano, o combate teve lugar e Holyfield ganhou, mas Tyson pediu logo a desforra. Os dois pugilistas voltaram a encontrar-se em 28 de Junho de 1997 para o que chegou a ser chamado de “combate do século”. Mas, a 40 segundos do final do terceiro round, deu-se o inesperado: Tyson mordeu a orelha de Holyfield, o que levou à interrupção do combate. Reatado o duelo, Tyson voltou a morder a orelha do oponente e acabou por ser desclassificado.

Ele afirmou que só fez aquilo em resposta a repetidas cabeçadas que vinha recebendo de Holyfield (no primeiro confronto entre os dois Mike também havia reclamado sobre as cabeçadas de Holyfield), gerando uma luta no ringue entre as equipas de apoio dos dois pugilistas. Tyson perdeu o combate e foi banido da competição por um ano. Após cumprido o castigo, o pugilista nova-iorquino voltou a combater e a vencer, mas já muito longe da melhor forma.