Jornal dos Desportos

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Reportagens

Paixo Baptista brilhou nos Cubazas

Sardinha Teixeira - 12 de Janeiro, 2010

Sobre Paixão foram já escritas centenas de histórias, talvez até milhares, umas verdadeiras, outras com um fundo de verdade, outras ainda fantasiadas. Temos, também, a certeza de que muitas ficaram (e ficarão) por contar. Paixão Baptista foi um jogador ímpar e de quem há muito não se fala na vertente do "futebol-futebol", como o próprio gostava de dizer quando se referia às quatro linhas.

Entre os que o acompanharam e ainda o podem testemunhar estão Antoninho e Barata, companheiros de caminhada. Eles consideram-no um grande avançado. "Não digo isto por amizade, mas porque o senti ao longo dos anos em que trabalhei no futebol. Muito à frente", disse Antoninho. Paixão foi um homem inteligente e perspicaz, dentro do campo, mas também no balneário.
 
"Vem aí o homem", diziam os companheiros quando o viam aproximar-se. Paixão Baptista defendia o grupo, mas com uma atitude que não dava azo a equívocos. Estava sempre ao lado do grupo de trabalho. Paixão Baptista falava no balneário como "lugar sagrado" e evitava a existência de grupinhos no seio do grupo.

Qualquer tentativa nesse sentido e lá estava ele para neutralizar o caso, logo à nascença. A existência de dois, três ou mais grupos dentro de um balneário é uma autêntica leucemia numa equipa de futebol. Se por lá se começa a germinar a supremacia de um grupinho em relação aos restantes elementos, está tudo estragado.

Paixão Baptista tinha o controlo absoluto de tudo quanto se passava à sua volta e da equipa. Não descurava os pormenores, dava a cara em todos os momentos. "O futebol é muito fácil. É o pão numa mão e o chicote na outra. A virtude é nunca usar o chicote" diz Paixão. E ele não precisava de o usar. Tinha um tipo de liderança que fazia com que todos gostassem dele.

Adorava telenovelas brasileiras - Gabriela, Casarão e O Astro foram as suas preferidas, não perdendo um episódio. Os seus pratos preferidos eram feijoada e calúlú. À noite, na cama, gostava de ler em voz alta.

Debruçando-se sobre o CAN, Paixão Baptista, disse que, " ninguém pode colocar em dúvida o facto de que as várias estruturas erguidas para esta grande festa do futebol continental possibilitou a entrada no mercado de emprego de muitos angolanos. Enfim, são, indiscutivelmente, imensos os ganhos que o País obteve com toda esta máquina organizativa para o CAN".

Paixão Baptista referiu que " estes ganhos que enchem de orgulho os angolanos, um povo que sofre nos momentos de dor e que rejubila nos de alegria, é o corolário do grau de maturidade dos membros do Governo e particularmente do Chefe de Estado, Engenheiro José Eduardo dos Santos, um dos obreiros desta máquina organizativa e que desde sempre manifestou apoio à causa do futebol e do desporto na sua plenitude".Por influência de amigos jogou durante duas épocas no ASA. Actualmente, é dirigente desportivo das Velhas Guardas das 500 casas, em Viana, Luanda.

- Por dentro

Estado civil:
Casado
Ocupação: Dirigente desportivo
Sonho: Ver Angola melhor e os seus filhos felizes
O que ganha dá para viver? Sim
Tem carro: Sim
... Casa? Sim
Acredita em forças ocultas? Sim. Mas a fé vence tudo
Alguma vez foi aliciado? Não me lembro
Onde passa as férias: Em Angola
Virtude: Cumpridor da minha palavra
Defeito: Duvidoso
Altura: 1, 70 Cm
Peso: 71Kg
Vício: Trabalhar
Uma boa companhia: a minha esposa
Sabe cozinhar: Sim
Deputado ou ministro, qual dos dois cargos escolhia: Ministro
Porquê? Criava condições para melhorar a minha área de serviço
O que acha da corrupção: Não cria desenvolvimento
Calçado: 41
Prato preferido: Calulu
Hoobys: Leitura e ver televisão