Jornal dos Desportos

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Reportagens

Participação portuguesa no Mundial

15 de Julho, 2010

Presença portuguesa na África do Sul foi financeiramente negativa

Fotografia: Reuters

Federação vai perder 1 milhão de euros com participação de Portugal no Mundial 2010. Carlos Queiroz e jogadores vão receber 3 milhões de euros pela presença nos oitavos-de-final. O prémio de participação atribuído pela FIFA não chega para equilibrar os gastos da Federação Portuguesa no Mundial 2010.

A Federação Portuguesa de Futebol vai ter um prejuízo de cerca de 1 milhão de euros quando fechar a contabilidade referente à participação da selecção portuguesa no Mundial 2010. A FIFA vai dar a Portugal cerca de 7,2 milhões de euros, por ter atingido os oitavos-de-final do Mundial 2010, quantia que não chega para equilibrar os gastos totais da Federação portuguesa de futebol.
FPF vai pagar fortuna a Queiroz pelos oitavo-de-final De acordo com o diário Record, a Federação irá pagar mais de 3 milhões de euros em prémios à equipa técnica e jogadores. Carlos Queiroz vai receber cerca de 720 mil euros, quase o dobro do que recebeu Scolari pelo segundo lugar no Euro 2004, enquanto os jogadores (25) recebem cerca de 100 mil euros cada, Nani e Zé Castro inclusive.

No contrato do seleccionador nacional, com a Federação portuguesa de futebol, está estipulado que o técnico recebe 10 por cento da verba paga pela FIFA à entidade portuguesa pela participação de Portugal no Mundial. Carlos Queiroz vai receber da FPF cerca de 720 mil euros por ter levado Portugal aos oitavos-de-final do Mundial 2010. A Rádio Renascença adiantou que na discussão do contrato, Queiroz começou por exigir 15% à FPF, mas acabou por aceitar 10%, na conclusão do mais oneroso contrato de trabalho da história da instituição. De acordo com o Record, a Federação Portuguesa gastou cerca de 4 milhões de euros só em custos de preparação do Mundial 2010.

A entidade liderada por Gilberto Madaíl, utilizou dois hotéis durante o estágio na Covilhã, que durou três semanas, e teve a trabalhar no apoio à equipa a maior comitiva de sempre, contando com treinadores auxiliares sul-africanos, escolhidos pelo seleccionador nacional, assim como diferentes observadores de jogo. Na fase de apuramento para o Mundial 2010, entre Setembro de 2008 e Novembro de 2009, a Federação portuguesa gastou apenas cerca de 1,5 milhões de euros, verba inferior aos 4 milhões de euros gastos nos últimos 2 meses. Para que Federação portuguesa de futebol não entrasse em prejuízo, com a participação de Portugal no Mundial 2010, Portugal teria que chegar aos quartos-de-final da prova, patamar em que receberia da FIFA 14,4 milhões de euros.

O presidente do Sindicato de Jogadores, Joaquim Evangelista, citado pela Bola Branca, afirmou que é difícil de compreender a lógica dos prémios, naquele que é um acto de má gestão da FPF. O histórico dirigente Azevedo Félix, desde sempre um apoiante incondicional de Carlos Queiroz, não deixa de olhar para este prémio com desconfiança e perplexidade. Azevedo Félix entende que ultrapassa as marcas, ainda para mais, num país em crise profunda.

Benfica foi o mais beneficiado

Com a cedência de jogadores para o Mundial da África do Sul, o Benfica foi o clube português mais beneficiado, com um encaixe de 327 mil euros, num total de quase 854 mil para os emblemas lusos.Os clubes portugueses vão auferir um total de 854.860 euros em compensações da FIFA pela cedência de jogadores para o Mundial, em que só o Benfica recebe 327 mil euros, 38,4 por cento do total, avança o jornal Público esta manhã.O FC Porto é o segundo da lista, com 248 mil euros, seguindo-se o Sporting (127 mil euros). Também Nacional, Sporting de Braga, Leixões, União de Leiria e Vitória de Setúbal poderão receber parte desta verba, caso tenham enviado à FIFA um formulário.

Os jogadores uruguaios Maxi Pereira e Fucile, de Benfica e FC Porto, respectivamente, são os que mais vão render aos clubes, não só porque chegaram às meias-finais, e vão discutir o terceiro lugar do Mundial, mas também porque passaram as duas últimas temporadas na mesma equipa. Os valores a receber por cada clube são calculados sobre o número de dias que os jogadores estiveram ao serviço das selecções (contagem inicia-se duas semanas antes do Mundial e finaliza no dia seguinte ao da eliminação) a multiplicar por 1600 dólares.

No caso dos jogadores que estiveram em dois clubes nas duas últimas épocas (casos de Beto ou Coentrão, por exemplo), o montante será dividido entre os clubes. Por isso, neste caso, o Leixões receberá parte do valor de Beto, tal como Saragoça e Rio Ave por Coentrão ter representado os dois clubes na época 2008/09. O valor de cada jogador é igual, tenha ou não sido utilizado em jogos (casos de Bruno Alves, totalista, e Rolando, que nunca entrou em campo.