Jornal dos Desportos

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Reportagens

Pelé: o Rei do futebol

09 de Maio, 2011

Pelé, é falar não somente do melhor jogador de futebol de todos os tempos

Fotografia: AFP

Falar de Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, é falar não somente do melhor jogador de futebol de todos os tempos, mas também do maior desportista do século. Em qualquer parte do planeta é reconhecido e venerado por aficionados do futebol. Reis, príncipes, chefes de Estado e até o Papa, conhecem as suas extraordinárias qualidades de desportista e ser humano. Pelé não foi somente um jogador excepcional, para o povo brasileiro Pelé é um deus.

Em 1994 – 36 anos depois de aparecer aos olhos do mundo, conquistando, pelo Brasil, a primeiro dos seus três Campeonatos do Mundo, na Suécia em 1958 -, o “Rei” foi ratificado por todo o continente europeu como o melhor jogador da história do futebol, título que antes já lhe tinha sido dado em toda a América.

Mas, quase 20 anos antes, em 1973, Pelé tinha recebido a indicação de “Atleta do Século” o qual foi outorgado em Paris, superando outras lendas do desporto, como Juan Manuel Fangio e Mohammed Ali. Ninguém foi como Pelé. Ganhou três dos quatro Campeonatos do Mundo em que participou: Suécia (58), Chile (62) e México (70).

A única que lhe faltou foi a da Inglaterra, em 1966, húngaros e portugueses tiraram o Brasil do Mundial. No total, vestiu a camisola verde e amarela 111 vezes (92 em jogos oficiais e 19 em partidas não oficiais), somando 95 golos, 77 deles em partidas oficiais. Na sua carreira marcou 1.285 golos, em 1.321 partidas que jogou entre o amador e profissional.

Com a equipa do coração, o lendário Santos, de 1956 a 1974, também ganhou todos: duas Taças Intercontinental de clubes, duas Libertadores, cinco Taças do Brasil, uma Taça de Prata e 10 Campeonatos Paulista. Pelé também conquistou o título da liga nos Estados Unidos, com o já desfeito Cosmos de Nova Iorque.

Somadas a essas conquistas desportivas, Pelé tem quase todas as condecorações do mundo, desde a Legião de Honra que lhe concedeu Charles de Gaulle, até à ordem de Lenine. Edson Arantes do Nascimento é de Três Corações, uma pequena cidade mineira, onde nasceu em 23 de Outubro de 1940. A sua percepção total do jogo, sempre o caracterizou e permitiu-lhe saber o que fazer com a bola em qualquer momento. Tinha força, resistência, salto, coragem e o controlo sublime do toque na bola

. “Pensa, decide e executa” foi sempre o seu lema, aprendido com o seu melhor amigo, o pai, Dondinho. “O futebol é o mais simples do mundo, só é preciso jogar”, afirmaria mais tarde, imortalizando a frase. Diz o ditado que um bom jogador não se faz, nasce, e Pelé é o melhor exemplo que existe disso. Ainda muito pequeno quando a família se mudou para Bauru, no interior de São Paulo, foi aí onde mais aprendeu, e onde apareceu a arte que tinha para jogar futebol.

A sua carreira no futebol começou cedo. Depois de jogar alguns anos em equipas amadoras, como Baquinhor 7 de Setembro, foi descoberto pelo jogador Waldemar de Britto, com 11 anos, quando jogava numa equipa chamada Ameriquinha. Brito convidou-o para fazer parte da equipa que estava a organizar, o Clube Atlético de Bauru. Em 1956, quando tinha 15 anos, levou-o para o Santos.

Quando chegou ao clube santista com o garoto, Waldemar de Brito disse: “este menino vai ser o melhor jogador de futebol do mundo”. Previsão que logo começaria a tornar-se realidade. Em 7 de Setembro do mesmo ano, chegava o seu primeiro “espectáculo” quando entrou na partida e marcou o sexto golo da vitória de 7-1 de Santos sobre o Corinthians de Santo André.

Depois, na primeira partida do torneio regular, marcou quatro golos. Na campanha seguinte foi titular e transformou-se no maior avançado do campeonato Paulista. Em 7 de Julho de 1957 surgia a sua estreia na selecção, frente à Argentina. Os argentinos ganharam 2-1, mas Pelé marcou o golo brasileiro.

No Mundial da Suécia, em 1958, com apenas 17 anos, transformou-se no jogador mais jovem a ganhar um Campeonato do Mundo. Marcou dois golos na grande final contra os donos da casa, que derrotaram por 5-2. Ali o mundo conheceria a Pérola Negra. Foi assim que começou uma lenda que cresceria até se transformar em Pelé, o Rei do futebol e o atleta do século.