Jornal dos Desportos

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Reportagens

Pepino desafia e encanta nos EUA

Texto: Simão Kibondo, Califórnia | Fotos: Domiano Fernandes - 08 de Setembro, 2009

Dois anos depois de ter sido lançado o projecto “Desafio Pepino”,  cumpre agora a sua primeira etapa internacional, com a participação do seu principal protagonista, o ciclista angolano Alberto Silva  nos jogos nacionais seniores dos Estados Unidos 2009, de 1 a 15 de Agosto, disputados entre  a estrada Canada e o Colégio do mesmo nome, nos arredores de Palo Alto ( San Francisco da Califórnia), onde o nome da República de Angola foi condignamente representado .
Sem queimar etapas, a mesma equipa ou quase, já que alguns ficaram pelo caminho, que tem acompanhado o ciclista veterano, Alberto Silva “Pepino” nesta empreitada acreditou e chegou à conclusão que era possível içar bem alto a bandeira de Angola a nível internacional, numa das competições mais prestigiadas do escalão sénior mundial.
Da equipa inicial do projecto, não devemos esquecer o contributo dado pela norte americana Nancy Gottlied e também pelo jornalista João Carlos de Carvalho, que apesar de não terem acompanhado a caravana nesta deslocação aos Estados Unidos tiveram um papel muito importante na implementação desta fase do projecto que começa a ganhar corpo.
Foram assim lançados os primeiros pressupostos de um plano ambicioso, cuja meta será sem dúvida procurar atingir, a curto  e médio prazo os mesmos níveis organizativos e competitivos do desporto, no caso particular do ciclismo, praticado em Angola na terceira idade para inspirar os outros escalões a seguirem o mesmo exemplo.

Estado de Utah apadrinha Angola

O primeiro passo desta empreitada foi assegurar a inscrição do atleta angolano naquela prestigiada competição através do apadrinhamento de um Estado Americano, nomeadamente Utah, pois apesar de se tratar de uma aberta, o facto de disputar-se em território norte-americano exigia esta condição.
Como se não bastasse, houve ainda a necessidade de se desencadear um importante mecanismo de contactos  internacionais, que passou por Inglaterra, onde se encontra radicado o responsável pelas relações internacionais, Ricardo Câmara e Sousa, que a partir daí começou a convencer os organizadores do evento disputado de dois em dois anos nos Estados Unidos, a inscrever o atleta angolano nas quatro provas do programa de ciclismo, nomeadamente nos 5, 10 quilómetros  em contra-relógio e nos circuitos – fechados de 20 e 40 quilómetros.

Criação de website  
e o papel da Faci


Não faltaram outros suportes para uma estratégia bem montada, onde se destaca a criação de uma página na Internet (website), que apesar de ainda estar em formação já se pode divisar muitos dos aspectos que norteiam o projecto  e, o historial atlético passado e recente do próprio Alberto Silva “Pepino”, que naturalmente também  terá  contribuído sobremaneira para a sua aceitação  neste evento desportivo internacional.
Se no exterior foram desenvolvidos uma série de acções, internamente, no país, coube à Federação Angolana de Ciclismo (FACI) dar o seu aval positivo ao projecto desde a primeira hora, basta recordar que em 2007, o perfil técnico da maratona que culminou com a entrega da carta ao Presidente a Republica teve a participação e acompanhamento integral de uma equipa técnica do organismo reitor da modalidade em Angola.
Não é segredo para ninguém que a Federação Angolana de Ciclismo (FACI), inclui  a participação de Alberto Silva “Pepino” nos Jogos Nacionais seniores dos Estados Unidos, no seu programa quadrienal de 2009-2012, tendo inclusive delegado o seu Secretário-Geral, na qualidade de representante da FACI,  no Comité  Olímpico Angolano (COA) para acompanhamento e apoio integral.

 Dois anos de muita preparação
e apoio de amigos


Um dos membros do projecto que sempre esteve envolvido de corpo e alma, chegando ao ponto de ser confundido com a “alma” do próprio Pepino é o empresário Rui Câmara e Sousa, que trata de quase tudo. É em outras palavras o Manager. 
Na óptica de Rui Câmara e Sousa, a participação de Pepino nos Jogos seniores dos Estados Unidos da América “é o coroar  de êxito  de dois ou três anos de trabalho árduo, inspirado na maratona efectuada em 2007, quando Pepino saiu de bicicleta de Benguela  a Luanda para entregar uma carta ao Presidente da República, José Eduardo dos Santos,  na celebração do seu aniversário natalício”, disse.
Para acrescentar que,   `a partir daí, Pepino manifestou sempre interesse em fazer uma prova internacional  em Angola, no mesmo trajecto,   com cariz turístico e também competitivo para mostrar que há normalidade de circulação de pessoas e bens  nosso país e que Angola está a começar a ter de facto vias de comunicação de nível internacional.

Pepino e Angola são
a atracão principal


Continuando, assegurou que foi com grande alegria que se viu a participação de Angola na edição de 2009 dos Jogos nacionais dos Estados Unidos, de tal maneira que o atleta angolano e a delegação que o acompanha se tornaram na atracção principal do evento.
“Todos os participantes, num ápice ficaram a saber  que estava em competição reservada aos desportistas estado-unidenses,   também um cidadão angolano (afro), como que o retroceder de uma história remota que esteve na origem do próprio Estados Unidos da América”, acrescentou.
“Em suma, a delegação angolana nos jogos seniores dos Estados Unidos da América ficou muito satisfeita com tudo isto, porquanto apesar do ciclista angolano Alberto Silva “Pepino”, nunca ter participado numa competição internacional representou condignamente o nosso país, Angola, onde com grande dignidade se bateu por uma medalha, tendo inclusive ficado a dois segundos da de bronze e a quatro da de prata”.

Como foram os
primeiros contactos

“Quando a equipa de trabalho do projecto fez a primeira pesquisa para o desiderato a que se propunham (trazer ciclistas estrangeiros da faixa etária dos 85 aos 89 anos a Angola), eis que somos surpreendidos com a existência de uma competição do género de uns “Jogos Olímpicos da terceira idade” que decorria nos Estados Unidos exactamente no mês de Agosto. Então, fizemos uma reflexão e, chegamos a conclusão que o primeiro passo seria a participação neste grande evento, até porque seria uma grande propaganda para o nosso projecto em particular e para o desporto angolano em geral.
Prosseguindo, Rui Câmara e Sousa, recordou que a organização da competição em causa  reúne anualmente 10.000 atletas, maioritariamente de todos os estados  dos Estados Unidos  da América, pois, a iniciativa de se realizar os Jogos Olímpicos seniores, nasce nos Estados Unidos da América, há cerca de 10- 12 anos e, que neste momento se está a transformar num verdadeiro movimento internacional, estando mesmo na fase embrionária da sua transformação, onde o Comité Olímpico Internacional reconhece-o com a mesmas exigências com que reconhece os Jogos olímpicos de verão( para jovens ) ou os Jogos olímpicos de Inverno.
Portanto, a organização dos Jogos seniores dos Estados Unidos tem feito um esforço muito grande para vir a internacionalizar este mesmo evento, cuja experiência também interessa-nos particularmente, até porque este tipo de organizações e realizações, fomento do desporto para todos (terceira idade) também é defendido pelo Governo Angolano, disse ainda o incansável Rui Câmara e Sousa.

Feitos são considerados extraordinários

Os feitos de Pepino, na óptica de Rui Câmara e Sousa são considerados extraordinários, “porque a primeira vez que é posto num evento da magnitude dos Jogos Nacionais seniores dos Estados Unidos, o que de melhor existe no mundo na categoria dos veteranos, no país mais desenvolvido do mundo, o ciclista angolano consegue mostrar que é o quarto melhor do mundo.
Foi tão extraordinário, que a maioria dos participantes do programa de ciclismo, num horizonte de aproximadamente quinhentos participantes estabeleceram uma grande ligação com o ciclista angolano de tal forma que no final, quando Pepino cortasse a meta todos vinham falar com ele.
As senhoras traziam abastecimentos líquidos (água com electrólitos) e sólidos, etç. De facto criou-se um grande carinho a volta da presença da delegação desportiva angolana nos Estados Unidos  que dignifica muito Angola que nos  jogos seniores dos Estados Unidos de 2009  surgiu como uma surpresa agradável.

Acreditar como
primeira condição


Naturalmente, ninguém acreditava que de África, no geral e de Angola, em particular viesse um ciclista octogenário (com mais de oitenta anos), que se tivermos em conta os apoios que os outros ciclistas tem permanentemente aos longo dos tempos, com acessos aos treinadores, nutricionistas, massagistas, médicos, etç., que nós não temos com a mesma regularidade, estivesse ao mesmo nível. É de facto uma obra para quem está a ganhar um lugar no contexto internacional, conclui.
Como resultado desta interessante experiência, perspectiva-se a assinatura de um  acordo de princípio de germinação entre Angola e a organização dos Jogos seniores dos Estados Unidos em que o nosso país se comprometera igualmente  em organizar no futuro Jogos nacionais seniores (da terceira idade) apurando de dois em dois anos representantes nas diversas disciplinas desportivas do Programas para este evento, invés de ser apadrinhado.
Está de pé o projecto, pois apenas poderá ser assinado um princípio, uma vez que a responsabilidade de um engajamento daquela envergadura foge a competência de qualquer dos elementos que integram a delegação angolana.