Jornal dos Desportos

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Reportagens

Pepino prepara novo desafio

João Francisco - 27 de Outubro, 2013

Entre as grandes conquistas, a família do veterano Alberto da Silva

Fotografia: Jornal dos Desportos

Envolto em alegria pelo matrimónio de Alberto da Silva “Pepino”, Igor Silva, melhor ciclista angolano da actualidade, ressalta o apoio a todas as iniciativas do seu pai, um homem que vai completar 91 anos de idade. O jovem campeão nacional, de 29 anos, assegura que as iniciativas em prol das causas nobres, como maratonas de bicicleta de uma cidade para outra, deixam satisfeito qualquer ciclista.

Igor Silva socorre-se da experiência anterior do seu pai para destacar a nobreza da iniciativa a que se propõe a    família. A entrega de uma correspondência ao Presidente da República, José Eduardo dos Santos, em 2007, serviu de mola impulsionadora do ciclismo nacional.

“O meu pai faz as pedaladas há muito tempo e só temos de apoiar as suas iniciativas; é uma alegria para mim saber que mais uma está na forja”, disse. A intenção de uma nova aventura na estrada foi dada a conhecer à família numa reunião que juntou os filhos, netos, primos e outros parentes. O ciclista de 90 de anos quer efectuar a aventura antes do fim do ano e o desejo está a merecer avaliação. Igor Silva informou que a escolha da data exacta depende dos exames em curso sobre a capacidade física e mental de um atleta veterano.

FONTE DE INSPIRAÇÃO
A carreira desportiva de Igor Silva é inspirada no pai, Alberto da Silva “Pepino”. O campeão da Volta ao Cacau ganhou o gosto pelas pedaladas aos cinco anos de idade, depois de ter sido brindado com uma bicicleta. A primeira oferta de Pepino a Igor Silva abriu outras tantas.

“Só recebia bicicletas atrás de bicicletas, porque o meu pai nunca teve a oportunidade de nos dar uma mota”, disse. Igor Silva justificou que o atleta   veterano “sempre” os agradou “com bicicletas e outros brinquedos”, porque foi o gesto que encontrou para os filhos. Diz o adágio popular que “filho de peixe é peixe”. Hoje, Igor Silva coloca ao “peito” a bicicleta.

“O ciclismo está no nosso sangue e vou tentar acompanhar os passos do meu pai e dar o meu máximo até onde der”, revelou. O campeão nacional esclareceu que o seu pai teve possibilidades de premiar os filhos com motorizadas, mas privilegiou as bicicletas para perpetuar o ciclismo na família. Além de ofertar, Pepino fez-se acompanhar dos filhos nos eventos de ciclismo.


CAMPEÃO NACIONAL
“Desportos individuais dão mais alegria”


O campeão nacional de ciclismo de estrada de Angola, Igor Silva, considerou de “bastante oportuna” a mensagem do Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, sobre o Estado da Nação.

“O Presidente da República tem-nos dado muito apoio e isso ficou demonstrado no seu discurso. Agradecemos por Angola ter um Presidente que sabe dirigir os destinos do país”, disse.

Igor Silva diz que se deve pegar nas linhas gerais sobre o desporto proferidas pelo Chefe de Estado, olhando para as modalidades, como a de ciclismo, para elevar o mérito de Angola nas competições continentais.

“O basquetebol e o andebol têm o mérito de ganhar em África, mas acredito que as modalidades individuais podem trazer muito mais êxitos ao país”, disse.

O campeão da Volta ao Cacau ressalta que “o futebol só traz tristeza aos angolanos nos últimos anos, mas gasta muito dinheiro do erário”. Para o atleta, “se as modalidades como ciclismo, atletismo, judo, xadrez e jiu-jutsi, só para citar essas, tivessem apenas cinco por cento do valor atribuído ao futebol, Angola tinha muitos títulos nas competições internacionais por mérito próprio”.

A estratégia virada para as modalidades colectivas não permite um boom ao desporto angolano, segundo Igor Silva. O campeão esclarece que “esses desportos gastam muito dinheiro e o país não está a ter êxitos noutros”. Para inverter o quadro, Igor Silva sugere que se preste mais atenção às modalidades individuais.

“Tenho fé de que os desportos individuais podem dar mais alegria ao povo que as modalidades colectivas”, realçou.
O campeão nacional tem um palmarés invejável no ciclismo de estrada em Angola, onde só é superado pelo “decano”, Justiniano Araújo, recordista nacional com 13 títulos. O jovem natural de Benguela tem sete títulos consecutivos de campeão nacional e considera-se “um cidadão feliz e normal”. JOÃO FRANCISCO


EM BENGUELA
Campeão aposta
na formação


Igor Silva aposta na formação de novos talentos de ciclismo na cidade de Benguela. A passagem de testemunho começou após o seu regresso da 75ª edição da Volta a Portugal Liberty Seguros, onde obteve uma experiência “bem vivida”.

“Tirei muito proveito daquela competição e hoje estou a passar algumas coisas que aprendi aos meus seguidores em formação”, disse. A formação da nova geração enquadra-se num processo de revitalização do ciclismo nas terras de Benguela. Com parcos recursos, Igor Silva aposta em oito adolescentes. O reduzido número de formandos tem a ver com a falta de dinheiro para custear as despesas ligadas ao material.

Com voz menos alegre, Igor Silva desabafa: “não tenho bicicletas, por exemplo”. A boa vontade pessoal da família Silva faz com que Benguela ainda assista a algumas provas de ciclismo. Na província de Benguela, o empresariado não tem a cultura de apoiar o desporto.

Entre o desejo e o futuro, Igor Silva colecciona lembranças de diferentes palcos e pistas. A oportunidade de correr ao lado dos melhores ciclistas do ranking mundial cravou na história pessoal. “Consegui dar o melhor de mim no meio dos melhores atletas do mundo; integrei a equipa luso-angolana Banco BIC Carmin e terminámos a Volta a Portugal, quando muitos cépticos apontaram o nosso fim (eu e Walter Silva), depois da terceira etapa”, disse.
JOÃO FRANCISCO


GRANDE PRÉMIO BENFICA
Walter da Silva
vence em Caxito


O vice-campeão nacional de ciclismo de estrada, Walter da Silva, venceu ontem, ao sprint, a I etapa do Grande Prémio em alusão ao 91º aniversário do Sport Luanda e Benfica. A prova partiu do Km 30 do município de Viana e terminou na cidade de Caxito, num percurso de 120 quilómetros. Walter da Silva cronometrou 3h16m42s e cortou a meta à frente do pelotão composto por quatro ciclistas do Benfica de Luanda, Mário de Carvalho, campeão nacional júnior, Bruno André “Armadilha”, Bruno Casimiro e Gabriel Cole.  A prova contou com a participação de mais de 30 concorrentes, em representação do Misto do Instituto Agrário do Kwanza-Norte, Escola David Ricardo, Núcleos do Rangel, Cazenga, Kilamba-Kiaxi, Escola Macovi e do anfitrião, SLB.

Depois do arranque, as equipas procuraram estar próximas uma das outras dificultadas pelo enorme grupo compacto de ciclistas. Na liderança, os atletas do Benfica de Luanda revezaram-se numa estratégia bem definida, mas sob a vigilância e perseguição dos adversários. Na passagem de Kifangondo, os encarnados de Luanda protagonizaram a fuga que lhes permitiu chegar à meta isolados. No momento da fuga, Mauro Ricardo, atleta da Escola David Ricardo, acompanhou as pedaladas dos benfiquistas, mas a pressão no Morro da Cal, arredores de Porto Quipiri, na província do Bengo, fê-lo desistir da perseguição.
JOÃO FRANCISCO | CAXITO