Jornal dos Desportos

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Reportagens

Perito desconfia de fundos dos clubes portugueses

24 de Novembro, 2011

O desporto-rei é um negócio de clientes.

Fotografia: AFP

O perito em consultoria financeira britânico Dan Jones apresenta reservas face aos fundos de investimento externos para a “compra” de futebolistas por parte dos clubes portugueses e aconselha-os a olharem mais pelos seus “clientes”, os sócios e adeptos.
Em entrevista à agência Lusa, o director da divisão de desporto da consultora Deloitte afirmou que “Portugal, um país que tem sido muito bom a produzir grandes jogadores, enfrenta muitas das mesmas questões de outras indústrias do futebol e de outros desportos”.

“A coisa que me preocupa um pouco no futebol português é a influência de partes exteriores, investidores externos, com fundos de jogadores. Gostaria de ver mais controlo e o retorno e benefícios económicos de desenvolver grandes jogadores a ficarem no futebol português e nos clubes portugueses”, disse. Benfica e Sporting têm este tipo de fundos de investimento, além de a alienação de parte dos direitos desportivos (“passes”) de jogadores a investidores externos ser uma prática constante de diversos clubes lusos, designadamente o campeão, FC Porto.

“Sei que os tempos não estão fáceis e que as pessoas têm de arranjar dinheiro onde puderem, mas a longo prazo isso (ausência de investidores externos) seria mais benéfico para o futebol português”, continuou.

Negócios de clientes
Para Jones, o “desporto-rei” é “um negócio de clientes”, mas “eles não gostam de ser chamados assim, são fãs, adeptos, muito mais ávidos do que um cliente normal” e “os clubes têm de os ouvir e dar-lhes o que eles pedem”. “Esses adeptos locais são de onde vêm a maior parte das receitas. Ir à procura de fãs do outro lado do oceano, do outro lado do Mundo, dá muito trabalho e não dará assim tanto lucro”, afirmou.

O perito considerou que “a internacionalização, para a vasta maioria dos clubes, faz-se muito melhor de forma colectiva, juntando-se a outros clubes”, já que esses esforços executados de forma isolada são, quase sempre, contraproducentes. “É muito difícil. Ter uma Liga competitiva é a chave, mas uma Liga mais pequena pode não ser a resposta mais correcta.

É também uma questão política, porque não se está a partir de uma folha em branco. As mudanças têm sempre de ser explicadas e bem, e as pessoas têm de concordar. Não é assim tão simples”, concluiu, sobre a falta de competitividade do campeonato português e a possibilidade de redução de equipas no primeiro escalão.

Chegou a Lei Bosman
das transmissões de TV

O Tribunal de Justiça da União Europeia (TJEU) deu razão a Karen Murphy, no processo instaurado pela Premier League contra a proprietária do bar “Red, White & Blue”, numa decisão que pode revolucionar o futebol da mesma forma que a Lei Bosman. A instância europeia determinou a liberalização da transmissão pública dos jogos da liga inglesa de futebol, permitindo que os adeptos britânicos possam vê-los através de canais de qualquer outro país da União Europeia.

“Toda a legislação que impeça a importação, venda ou utilização de cartões descodificadores estrangeiros é contrária à livre prestação de serviços e não pode ser justificada pela protecção dos direitos de propriedade intelectual ou pelo objectivo de encorajar a ida do público aos estádios”, deliberou o Tribunal Europeu sobre o caso, explicando que a Football Association Premier League (FAPL) “não pode impedir que as pessoas procurem ofertas mais baratas no estrangeiro”.

Até aqui, os direitos de transmissão ao vivo dos jogos do campeonato inglês pertenciam quase em exclusivo à rede Sky, que dividia algumas partidas com a ESPN. Karen Murphy, dona do “Red, White & Blue”, em Portsmouth, sofreu multas sucessivas da FAPL, que detém o exclusivo das transmissões dos jogos do campeonato para Inglaterra, por recorrer a um descodificador grego, mais barato.

Em Inglaterra, os estabelecimentos comerciais pagam entre 750 e 1500 libras mensais (entre 870 e 1740 euros) pela assinatura da Sky. A Nova, o operador televisivo grego a que recorreu Murphy, tem uma assinatura muito mais barata - cerca de 800 libras por ano (925 euros).

Baixa de preços
Ao perder a exclusividade territorial dos direitos televisivos, a Sky pode ser obrigada a baixar os preços que cobra por cada jogo e, como é óbvio, os preços que paga aos clubes da Premier League. A Premier League negociou o triénio de 2010 a 2013 por cerca de 3900 milhões de euros, sendo que “apenas” 1500 foram pagos por operadores estrangeiros. A Sky implementa, e pode vir a fazê-lo em maior quantidade, os seus próprios hinos, gráficos, vídeos de abertura de jogos e outros conteúdos protegidos.

Estes continuam a necessitar de autorização por parte dos estabelecimentos comerciais, mesmo sendo fornecidos por um operador estrangeiro, por se tratar de uma “comunicação para o público”. No entanto, esta regra não se aplica em transmissões domésticas, pelo que quem comprar um descodificador estrangeiro pode utilizar o serviço em sua casa, sem nenhuma oposição.

Real Madrid com
receitas milionárias

O Real Madrid encerrou a temporada de 2010/2011 com receitas de 480,2 milhões de euros, o que representa um aumento de 8,6 por cento em relação ao balanço anterior, indicam dados divulgados pelo clube. O clube madrileno, que apresentou os dados aos sócios numa Assembleia-Geral, comunicou que o seu lucro ascende a 31,6 milhões de euros, dado que indica um aumento de 31,7 por cento em relação à época anterior.

O resultado de exploração, depois de amortizações, subiu 5,9 por cento, para 46,9 milhões de euros, e o benefício antes de impostos atinge os 46,8 milhões de euros, o que representa um crescimento de 51,2 por cento.

O lucro líquido ascendeu a 31,6 milhões de euros, 31,7 por cento em relação ao exercício passado, e o património líquido cresceu 14,3 por cento alcançando os 251,1 milhões de euros. O Real Madrid, cuja equipa de futebol é orientada por José Mourinho e na qual alinham os internacionais portugueses Cristiano Ronaldo, Pepe, Ricardo Carvalho e Fábio Coentrão, foi a entidade desportiva que mais receitas gerou em todo o mundo.

Mundiais de 2018
e 2022 rendem milhões À FIFA

A empresa Match Hospitality, que já assegura este serviço há 30 anos, comprou por 300 milhões de euros os direitos para a comercialização dos bilhetes para os Mundiais de 2018 e 2022, valor que entra directamente nos cofres da FIFA. Além dos dois campeonatos do Mundo, neste acordo entram também as edições de 2017 e 2021 da Taça das Confederações, e os Mundiais femininos de 2019 e 2023. Aquando do Mundial da África do Sul, a empresa reconheceu perdas na ordem dos 50 milhões de euros, valor que espera agora recuperar na edição de 2014, no Brasil.