Jornal dos Desportos

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Reportagens

Pilares da economia

05 de Janeiro, 2012

Academia do Sporting é hoje uma das mais conceituadas academias mundiais

Fotografia: AFP

Embora com problemas estruturais evidentes e referenciados, muitos deles partilhados por algumas das maiores ligas europeias de futebol, os clubes portugueses conseguem, ainda assim, apresentar algumas soluções de destaque, no que diz respeito à capacidade em gerar receitas. Como em muitas ligas, a transferência de jogadores é a maior fonte de receitas dos clubes, com relação directa e dependente de três factores; formação, prospecção e capacidade de negociação. Por outro lado, os adeptos são o alimento base de todos dos clubes.

O associativismo, em conjunto com a venda de bilhetes e de lugares anuais, é decisivo para o equilíbrio financeiro dos clubes. Deixamos aqui exemplos de sucesso, em termos de angariação de receitas praticados por clubes portugueses. Enquanto destes exemplos são modelos de destaque a nível internacional, servindo mesmo de “case study” a muitos dos grandes clubes europeus.

Formação e prospecção
A Academia do Sporting é hoje uma das mais conceituadas academias mundiais no que diz respeito à formação de jovens jogadores. Há já algumas décadas que a formação do Sporting produz alguns dos melhores futebolistas do mundo: Futre, Figo, Simão, Quaresma, Cristiano Ronaldo, Nani, etc… Nas últimas décadas, o clube tem obtido benefícios financeiros da venda dos seus melhores jogadores e com a implementação pela FIFA do sistema de compensação a clubes formadores, o clube tem continuado a gerar receitas nas transferências entre outros clubes de jogadores formados em Alvalade.

Negociação e transferência
A capacidade de negociação dos clubes é determinante após estarem garantidos os dois pontos anteriores (formação e prospecção). Hoje, qualquer grande clube europeu que deseja reforçar o seu plantel, tem a Liga Portuguesa como uma das melhores montras mundiais de jogadores. No aspecto da negociação e venda de jogadores, o FC Porto destaca-se, tendo gerado através deste meio mais de 380 milhões de euros nos últimos 10 anos, constituindo, desta forma, um recorde a nível mundial. No patamar dos clubes com menos recursos, mas também digno de referência, está o excelente trabalho dos dirigentes do SC Braga, que nos últimos cinco anos geraram cerca de 25 milhões de Euros na venda de jogadores.

Sócios e adeptos
Portugal é o país da Europa com maiores tradições no que diz respeito ao associativismo, conseguindo colocar os seus três maiores clubes entre os 10 clubes do mundo com maior número de associados. A campanha “Kit Novo Sócio”, realizada pelo Benfica, além de levar o clube ao topo da lista mundial de clubes com mais associados, ultrapassando o colosso FC Barcelona, foi um exemplo do modelo a adoptar no que diz respeito a cativar simpatizantes do clube para o associativismo. Com cerca de 190 mil sócios pagantes, o Benfica consegue gerar cerca de 10 milhões de euros neste tipo de receita. Quanto aos clubes com menos massa adepta, o destaque vai para o Vitória de Guimarães, que através de diversas acções junto dos seus simpatizantes, ultrapassa hoje os 35 mil associados.

Bilheteira e lugares anuais
Além de estar relacionada com os resultados desportivos, a venda de bilhetes está relacionada com o número de adeptos do clube e com as formas de marketing utilizadas para angariar mais adeptos. Numa liga onde a capacidade dos estádios não está em questão, pois as percentagens de ocupação dos estádios são muito baixas, o Benfica destaca-se com médias de assistência entre os 45 mil e os 50 mil espectadores. Fora da esfera dos três grandes nacionais, o V. Guimarães é referência como o quarto clube português em termos de assistências nos estádios, com uma média de cerca de 15 mil espectadores.

Por outro lado, a venda de lugares anuais está dependente dos resultados desportivos do ano anterior. O recorde de venda de lugares anuais teve como origem no Sporting, que em anos anteriores conseguiu vender cerca de 35 mil lugares anuais, gerando mais de 7,5 milhões de Euros neste tipo de receita. De salientar também os mais de 20 mil lugares anuais vendidos pelo V.Guimarães, que embora com números inferiores aos lugares anuais vendidos por Benfica e Porto, destaca-se devido à reduzida quantidade de adeptos e associados em relação aos clubes anteriores.

UEFA atribui largos milhões
aos clubes da Liga Europa


Na temporada de 2010/11, a UEFA distribuiu um total de 150,3 milhões de euros aos 56 clubes que participaram na Liga Europa. O maior valor foi entregue aos espanhóis do Villarreal CF com cerca de nove milhões de euros, enquanto o valor mais baixo, (excluídos dos clubes provenientes da fase de grupos da Champions) foi para o FC Lausanne, com 1,1 milhões de euros. A exemplo do FC Barcelona na Liga dos Campeões, o FC Porto, como vencedor da Liga Europa, não foi o clube que maiores prémios arrecadou (7,8 milhões de euros), devido ao incompreensível critério de atribuição das receitas de transmissão televisivas, ou Market-Pool.

Do total de 904.3 milhões de euros que a UEFA reuniu para distribuir pelos clubes participantes em ambas as competições europeias, 83,4 por cento foram distribuídos pelos 32 clubes da “Champions”, enquanto os 56 clubes da Liga Europa repartiram os restantes 16,6 por cento, uma proporção de um para cinco.

Jogos da Liga Sagres
vendidos à TVI

O canal de televisão Português TVI adquiriu à Olivedesportos, detentora da totalidade dos direitos de transmissão televisivos dos clubes Portugueses, o direito de transmissão televisiva de 60 jogos da Liga Sagres das próximas duas temporadas (30 jogos por temporada). Este pacote de jogos não inclui os dérbis entre os três maiores clubes: Benfica, FC Porto e Sporting, a serem transmitidos apenas em sinal fechado pela Sport TV. Não foi divulgado o valor do contrato, no entanto estima-se que o valor ronde os 20 milhões de Euros pelos 60 jogos, 10 milhões de euros por temporada. Nos últimos dois anos, a RTP havia adquirido o mesmo pacote de jogos por um total de 16 milhões de euros, cerca de oito  milhões de euros por temporada.

United à frente
nas receitas de transmissão

Na temporada de 2010/11, o Manchester United foi o clube que gerou mais receitas, cerca de 68,4 milhões de euros, através da partilha/distribuição das receitas da Premier League, oriundas da venda colectiva de direitos de transmissão televisiva. Esta distribuição de receitas provém da venda colectiva dos direitos de transmissão da liga Inglesa de 2010 a 2013, que gerou apenas no Reino Unido mais de dois mil milhões de euros, e em direitos internacionais mais de 1.600 milhões de euros. A receita obtida pelo actual campeão inglês, ultrapassou pela primeira vez a barreira dos 60 milhões, tendo o clube aumentado a sua receita TV em cerca de 9,2 milhões de euros, em relação à época de 2009/10.

Todas as equipas receberam uma fatia igual a 15,6 milhões de euros correspondentes à venda de direitos efectuada no Reino Unido e outra de 20,2 milhões de euros, referente às vendas efectuadas a países fora do Reino Unido. No total cada equipa arrecadou um valor igual a 35,9 milhões de euros. Por performance desportiva (classificação obtida na temporada 10/11), os clubes receberam um prize money de 856 mil euros por cada lugar obtido na tabela classificativa; assim o último classificado West Ham United recebeu 756 mil e o primeiro classificado Manchester United recebeu 20 vezes mais cerca de15,1 milhões euros. O restante montante foi distribuído consoante o número de jogos de cada clube que foi transmitido ao vivo. Assim, cada clube recebeu 549 mil euros por cada jogo transmitido ao vivo em que participou.