Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Reportagens

Plano de aco imediata para dinamizao da vela

20 de Maio, 2015

Elaborado por um grupo de velajadores

Fotografia: Jornal dos Desportos

Em Fevereiro de 1976, a vela angolana deu mostras de querer mudar de figura. Com o país em guerra, os velejadores acharam que o renascimento da modalidade a curto prazo era algo secundário, a o seu fomento de forma honesta a nível nacional implicaria o dispêndio de meios materiais e humanos.

Contudo, o alerta feito na altura,  indicava já os benefícios da sua prática, e que devido ao facto de ser praticada muitas vezes em situações atmosféricas difíceis, fomenta enormemente o espírito de entre-ajuda entre os diversos praticantes.

PLANO


Os velejadores interessados no desenvolvimento da vela, com outra roupagem, estabeleceram um plano de dinamização que compreendeu entre outros os seguintes pontos:

1-Criar com estatuto próprio e depois de um estudo profundo em colaboração com a Direcção Geral da Juventude e Desportos e sujeita à  linha política revolucionária do MPLA a Secretaria Nacional da  Vela.
2-Edificar vários postos náuticos em instalações que serão recuperadas pelos praticantes e monitores em estreita colaboração com as  comissões populares de bairro e de povoação com a ajuda da Direcção Geral da Juventude e Desportos.
Este projecto visa inicialmente a província e Luanda, e depois de analisada as condições de cada porto e abrigos, achamos por bem indicar os seguintes locais para  a instalação de postos náuticos:
Posto Náutico nº1-Escola de Vela da Ilha do Cabo.
Posto Náutico noº2-Clube Desportivo "Nun'Alvares.
Posto Náutico nº3-Casa do Desportista
Posto Náutico nº-4-Vila Cacuaco.
Posto Náutico nº-5-Zona da Corimba e Mussulo.
Cada posto náutico será composto por três secções. Alojamento, Escola e Cooperativa.

No alojamento será dado abrigo aos barcos dos velejadores que disponham de barco próprio e que por isso darão uma contribuição para ajudar a manutenção do posto.

Na escola, como o próprio nome o diz, realizam-se os cursos de vela.
A cooperativa de recuperação e de construção de barcos tem dois objectivos fundamentais: reparar os barcos no fim de cada curso, reparação essa feita pelos finalistas e pelos instrutores e construir através das vias cooperativistas, barcos que  garantam a continuidade a todos aqueles que desejam prosseguir a prática da vela .

CURSO

A ideia dos promotores desta iniciativa era abrir um  curdo para monitores de vela, antes de se pôr em funcionamento qualquer outro ramo da actividade.
Todos os velejadores maiores de 18 anos poderiam participar no curso, desde que se sentissem capacitados para tal, podendo, no entanto, ser eliminados, se se mostrasse sem o mínimo de conhecimentos práticos.

FIGURA
DIRIGENTE DESPORTIVO
TONY SOFRIMENTO


Tony Sofrimento é um nome que dispensa apresentação no nosso panorama desportivo. Homem do basquetebol preenche hoje o FIGURA do "Angola 40 Anos", expõe a sua visão sobre o percurso do nosso desporto nos 40 anos de independência. Reconhece que o desporto tem dado passos de desenvolvimento, mas faz-nos perceber, que em termos da população praticante nos finais dos anos 80 estivemos melhor em relação aos dias de hoje. Passemos à leitura.

Onde estava no dia 11 de Novembro de 1975?
Estava no Negage.

Que acontecimento desportivo mais o marcou nestes 40 anos de independência que o país vai assinalar?
Afrobasket 2007, uma das melhores competições de basquetebol do Mundo! E a melhor de todos os tempos a nível de África. Ganhámos na organização e na competição, além de ter deixado um legado de infra-estruturas e modelo de organização.

O que gostaria que tivesse acontecido no desportos nesses 40 anos, mas que no entanto não aconteceu?

Devíamos ter continuado o projecto desportivo iniciado em 1976/7. Com a generalização da prática desportiva em todos os extractos sociais e a todos os níveis e escalões. Por termos saído de um regime que segregava inclusive a prática desportiva, porque o elitizava, promovendo a inserção do nativo nos clubes em conformidade com uma acção selectiva. Por outro lado e até hoje,  não encontramos a forma de financiarmos o desporto dada a inquestionável mais-valia que trás a melhoria da qualidade de vida, consequentemente, a criação de cidadãos fortes, capazes de trabalhar em grupo e preparados para encarar as adversidades trabalhando sob pressão! O crime e a prostituição, o consumo de álcool de tabaco e das drogas não encontram muito espaço no seio dos desportistas e daí o contributo incalculável. Mas mesmo assim ainda não foi encontrada a fórmula para financiar todo o sistema. Durante os 40 anos devíamos ter conseguido evitar que não houvesse clubes e instalações desportivas depois da linha férrea. Os bairros mais populosos de Angola - Cazenga e Viana, não têm nenhum clube nem nenhuma instalação desportiva de referência e as que existiam tal como as da Nocal e Cuca foram transformadas em espaços fabris.

Como dirigente desportivo de referência como avalia o seu contributo no processo evolutivo do nosso desporto nos 40 anos?
Não devo ser eu a avaliar o meu desempenho, mas posso afirmar que tenho seguido a tocha que ao fundo alumia toda a motivação, que me trouxe até aqui. Resisti a todas as intempéries por que passou o desporto nacional, principalmente, aquelas que se referem ao financiamento e à definição da estratégia de desenvolvimento que continua preso e asfixiado nas gavetas de muitos dos gabinetes. Actuante e interventivo, me esforço em dar o pouco que posso para o desenvolvimento do desporto nacional. No entanto, sinto frustração por não poder ter dado e feito mais, pelo desporto! Frustrado por não ver voluntários a fazerem desporto. Não existem voluntários no desporto angolano! Os que se apresentam como tal, custam mais caro que os assalariados, pois querem transporte, alimentação, equipamento, super-estrutura de gestão e outros quesitos que encarecem a sua actuação. Desporto sem voluntariado fica caríssimo!

 A independência trouxe novos ventos para o país. Mas o passado é inesquecível. Sente-se gratificado por ajudar na reconstrução do país?
Eu sou da geração da Independência! Estávamos mais perto dela, do que aqueles que iniciaram o processo mais radical para o alcance da Independência. Pertenço à geração que teve contacto com o futuro, pois  via assumido naqueles, que se sacrificaram para a alcançar. Sentíamos a obrigação de estudar para servir a Nação, pois o tempo se apressava e não havia tempo a perder. Sentíamos o stress do regime. Na minha Damba querida, os caixões de militares do exército português aumentavam. Os suicídios avolumavam. Os contratados se rebelavam e desafiavam os patrões.