Jornal dos Desportos

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Reportagens

População local festeja subida do FC de Cabinda ao Girabola

em Cabinda - 28 de Novembro, 2009

Futebol Clube de Cabinda regressar à 1ª Divisão

Fotografia: Jornal dos Desportos

O sonho do Futebol Clube de Cabinda regressar à 1ª Divisão foi conseguido no Torneio de Liguilha. Os “dragões do norte” tiveram três vitórias (diante do Petro do Huambo, por 3-2, do 1º de Maio, por 1-0, com a Académica do Lobito, por 3-0 e uma derrota frente ao Kabuscorp, por 0-1). A população da província mostra-se regozijada pela subida do seu maior emblema à fina - for do futebol nacional.
Alguns populares, por nós contactados, mostram-se satisfeitos com o feito e, segundo eles, mostra que o desporto na região evoluiu bastante, a par da construção de várias infra-estruturas desportivas pelo governo da província.
O jovem Beníncio Sambo, 25 anos, disse que seria injusto se o FC de Cabinda não subisse de divisão, dado ao investimento feito pelo governo local. Referiu que o Governo de Cabinda gastou muito dinheiro para colocar os “dragões do norte” no Girabola.
“Estamos satisfeitos com o apoio do Governo da Província de Cabinda, pois contribuiu para o sucesso do clube no Zonal de Apuramento ao Girabola. Quero pedir à direcção do clube para trabalhar seriamente na procura de apoios para o sustento da agremiação”, disse.
De acordo com o Afonso Mabiala, adepto de gema da equipa, caso a província não tivesse uma equipa na 1ª Divisão, seria uma tristeza enorme, porquanto, no próximo ano, Cabinda vai acolher o Grupo B do Campeonato Africano das Nações de Futebol. 
“A população de Cabinda está contente pela subida do Futebol Clube de Cabinda ao Girabola. Todos devemos estar unidos para que esta agremiação tenha sucesso na prova”, precisou.
Mateus Mavungo, 28 anos, referiu que a população de Cabinda, de Miconge ao Yema, está satisfeita com o efeito alcançado e dignificou o nome da província na rena futebolística nacional.
A população local organizou uma passeata para comemorar o regresso dos “azul e branco” ao Girabola. A mesma percorreu a rua Duque de Chiazi, largo de ambiente, rua de Macau, avenida Dr. Agostinho Neto, rua da Televisão Pública de Angola, rua do comércio e o Largo do Cabassango.
O técnico André Binda, que pela terceira vez colocou o FC de Cabinda na 1ª Divisão, lamentou o facto de, na fase regular da competição, o clube não conseguir concretizar o objectivo. Realça que a equipa técnica, jogadores e dirigentes acreditaram em Deus, facto que tornou realidade os planos dos “dragões do norte”.
“Só Deus sabe!”, disse, acrescentando que “foi uma liguilha difícil, porquanto jogamos com equipas que competiram na 1ª Divisão. Valeu por termos ganho os dois primeiros jogos”.
Com lágrimas nos olhos, o professor André Binda confessou que se fosse um outro clube não aceitaria treinar o FC de Cabinda. O facto de ser um filho da agremiação e por alguns jogadores terem sido formados por ele, teve peso na decisão favorável.
“O futebol é uma ciência inexacta. Nunca se sabe o que vai acontecer. O nosso pensamento foi positivo e conseguimos subir de divisão”, explica.

Jogadores prometem muito trabalho

Com a subida do FC de Cabinda ao Girabola-2010, os seus jogadores prometem muito trabalho e colocarem a equipa entre as cinco primeiras classificados da prova.
O ponta-de-lança Humberto garante que vai dar todo o máximo para ajudar a equipa a permanecer na prova. Referiu que vão trabalhar arduamente para competirem de igual com as outras formações e estarem entre as cinco primeiros da prova.
Já o defesa Nelito, irmão mais novo do central Jamba, do ASA, diz que espera trabalhar mais no próximo ano para ter um desempenho acima da média.
O experiente Nsuka, com 32 anos, antigo futebolista do Petro de Luanda e ASA agradece a Deus, à direcção do clube e ao professor Djalma Cavalcante, “que também contribuiu para a concretização do sonho”.
Michel (brasileiro), contratado este ano, manifestou a sua satisfação pelo grande feito.
“Lutamos, batalhamos e conseguimos. Apesar de não termos conseguido na fase regular, fizemo-lo na liguilha”,
Para Luciano, outro brasileiro da equipa, “o grupo está de parabéns por aquilo que fez durante a competição”. Quanto a sua continuação, diz que vai permanecer até Dezembro de 2010.

Clube procura patrocinador 

O Futebol Clube de Cabinda procura um patrocinador oficial para suportar os encargos do Girabola. O objectivo é não defraudar os objectivos definidos para a competição que se avizinha.
De acordo com o seu presidente de direcção, Faustino Lelo, subir de divisão é muito difícil e complicado, mas descer é fácil. Diz não ser isso o que se quer para o FC de Cabinda e, por este facto, pede todo o apoio do Governo da Província de Cabinda, no sentido de ajudar a criar condições que permitam ganhar recursos financeiros para a auto-sustentação da agremiação durante o Girabola.  Realça que não querem ser pedintes e que não faz sentido o maior clube da região não possuir um patrocinador oficial.
“A história deste clube prova que sempre teve pessoas muito sérias e responsáveis na gestão dos escassos recursos que foram alocados, garante. pela, no entanto, a todos os adeptos, simpatizantes e aqueles que têm amor ao clube que se filiem e regularizam as suas quotas.

Aníbal Rocha valoriza feito

O ex-governador de Cabinda, José Aníbal Rocha, durante o tempo em que esteve à frente da província, apostou seriamente no desenvolvimento do desporto. Hoje, Cabinda conta com muitas infra-estruturas desportivas que permite o crescimento e a expansão da prática de diversas modalidades.
Aníbal Rocha foi também um dos percursores para que Cabinda conseguisse ter duas formações na próxima edição do Campeonato Nacional de Futebol da Iª Divisão, que começa a 20 de Fevereiro do próximo ano.
Em dois anos consecutivos, Rocha apostou na subida do Sporting de Cabinda ao Girabola e no Futebol Clube local. O objectivo foi cumprido.
“Valeu a esperança que tínhamos. Em anos anteriores, outras formações também mereceram. Outros clubes como Benfica, Lândana Clube e o Sporting de Cabinda também merecerão o apoio do governo provincial”, disse”, valoriza.
Ao que diz, Aníbal Rocha, a direcção do Cabinda, a equipa técnica e os atletas trabalharam arduamente para que este propósito fosse concretizado, por isso todo o esforço será feito para a equipa tenha uma preparação condigna para a prova.
Refere que enquanto o clube não arranjar um patrocinador oficial não irá ficar órfão. “Ficou demonstrado que o Cabinda é o maior clube da província, com uma massa associativa grande. Por isso, não podemos deixar esta agremiação à sua sorte. Vamos procurar reflectir  e criar forças, pois não queremos que a equipa volta a descer de divisão. A direcção do clube trabalhou bem e soube, de facto, aplicar todos os apoios que demos. Por isso, merecem mais para continuarem no Girabola”, concluiu.