Jornal dos Desportos

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Reportagens

Porto e Benfica além do Udinese são os reis do investimento

29 de Março, 2012

O Atlético de Madrid pagou 40 milhões por Falcao

Fotografia: AFP

Não é novidade que o FC Porto leva quase duas décadas a fazer bons negócios com jogadores; nem tão-pouco que o Benfica, sobretudo neste século, tem sabido interpretar bem esse modelo de comprar barato, tirar um bom rendimento desportivo e vender caro. Colocar a Udinese, actual quinto classificada da Série A e que nunca conquistou qualquer campeonato italiano, no mesmo patamar dos dois grandes de Portugal é que pode soar diferente. Sobretudo se esse paralelismo for estabelecido por um espanhol, por acaso especialista no mercado de transferências de futebolistas.

Esteve Calzada nasceu em Lérida há 46 anos, é licenciado em Ciências Económicas e Empresariais e fundador e director-executivo da Prime Time Sports, empresa que gere carreiras desportivas. O espanhol é ainda agente FIFA desde 2007, ano em que saiu do Barcelona, onde tinha desempenhado as funções de director comercial, de marketing e comunicação nos cinco anos anteriores. Foi este vasto e significativo currículo que justificou o convite do jornal “Sport”, de Barcelona, para participar num fórum pela Internet com leitores. E foi aí que, questionado sobre qual o clube europeu que melhor contrata, Esteve Calzada distinguiu FC Porto, Benfica e Udinese.

“Antes de mais, deixem-me dizer qual a minha definição de contratar bem. Trata-se de conseguir jogadores de (bom) rendimento desportivo, por um lado, e com possibilidade de venda com mais-valia, por outro. Nesse sentido, creio que as três equipas que reúnem ambos os requisitos na actualidade são o FC Porto, o Benfica e a Udinese”, afirmou. O especialista incluiu ainda o Arsenal, embora, como explicou, numa “perspectiva a dez anos”. A título de exemplo, pegue-se nos mais caros de cada um neste período: o Atlético de Madrid pagou 40 milhões por Falcao, o Real Madrid deu 33 milhões por Di María e o Barcelona 26 milhões por Alexis Sánchez. As mais-valias geradas, ainda que não tenham entrado na totalidade nos cofres dos respectivos clubes, foram de 35 milhões no caso do colombiano e 25 milhões no do argentino e do chileno.


TRANSFERÊNCIA
Abramovich quer Guardiola

O milionário russo, Roman Abramovich, proprietário dos blues, está disposto a desembolsar cerca de 10 milhões de euros anuais, para convencer o treinador do Barcelona a ir para Londres. De acordo com o jornal britânico, Abramovich vai avançar com uma proposta de contrato a Guardiola com a duração de quatro anos, algo que o treinador espanhol não “aprecia”, já que no Barça o técnico tem assinado vínculos com a duração de, no máximo, duas temporadas. Para alimentar ainda mais a especulação da saída de Guardiola do Barça, o “The Sun” fala da demora do espanhol em aceitar a proposta de renovação com o actual campeão espanhol. O Chelsea também tem o Inter de Milão na luta pela contratação do treinador.

Barça espreita David Luiz
O Barcelona está de olho no defesa David Luiz para a próxima temporada. Os catalães podem pagar até 42 milhões de euro pelo defesa do Chelsea. O clube inglês corre o perigo de ficar fora da próxima Liga dos Campeões, salvo se conseguir conquistar o torneio este ano. O Barça já tem a baixa de Abidal, que vai fazer um transplante de fígado. A chegada de David Luiz era uma solução imediata para a defesa catalã. Outro brasileiro que está na mira do pessoal do Camp Nou é Thiago Silva. O preço dele é dez milhões de euros, mais barato do que o jogador do Chelsea.


UEFA
Clubes europeus recebem milhões em 2012

Os clubes europeus vão receber uma verba de 100 milhões de euros provenientes das receitas do Euro 2012 de futebol, aumentando essa quantia para 150 milhões no Euro2016, anunciou a UEFA no seu 36º Congresso Ordinário, em Istambul. Este anúncio faz parte do Memorando de Entendimento assinado pelos presidentes da UEFA, Michel Platini, e da Associação Europeia de Clubes (ECA), Karl-Heinz Rummenigge. O acordo, válido de 2012 a 2018, demonstra “a excelente relação laboral com os clubes e representa um verdadeiro sucesso na tentativa de fortalecer ainda mais a união da família do futebol”, disse Michel Platini.

Para Rummenigge, com a assinatura do memorando, a “UEFA reconhece claramente a importância dos clubes e a contribuição significativa que eles têm para o consequente sucesso do futebol de selecções”. Mais três pontos importantes reclamados anteriormente pelos clubes passam também a ser salvaguardados por este documento: A participação dos clubes nos processos de decisão das competições da UEFA, o estabelecimento de um seguro que cubra as lesões dos jogadores das equipas europeias ao serviço das respectivas selecções e a existência de um calendário internacional com nove jornadas duplas durante dois anos, sem jogos particulares isolados e com remoção da data de Agosto para amigáveis.


Fair-play financeiro
Clubes não podem gastar mais do que ganham

O princípio do fair-play financeiro dos clubes de futebol aprovado pela UEFA recebeu o apoio do vice-presidente da Comissão Europeia e Comissário da Concorrência, Joaquin Almunia, revelou o organismo. “Apoio plenamente os objectivos da UEFA no que concerne ao princípio do fair-play financeiro, porque acredito que é essencial para os clubes de futebol ter uma base financeira sólida”, defendeu Joaquin Almunia, em comunicado divulgado pela UEFA.

As regras sugeridas pela UEFA vão proteger os interesses não só dos clubes como dos jogadores, defendeu ainda, ao mesmo tempo que felicitou o presidente do organismo que tutela o futebol europeu, Michel Platini, pela forma como liderou este processo. Platini adianta no mesmo comunicado ter ficado “muito satisfeito por a UEFA e a Comissão Europeia terem dado um passo decisivo comum no sentido de assegurar de um futuro estável e próspero para o futebol europeu e para a comunidade futebolística em geral”.A regra do fair-play financeiro, que entra em vigar na época 2013/2014, é simples e, basicamente, determina que um clube não pode gastar mais do que ganha e impõe sanções que podem variar de multas a exclusão das competições europeias da UEFA.