Jornal dos Desportos

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Reportagens

Pretendemos que o projecto comece pequeno mas seguro"

Avelino Umba - 10 de Fevereiro, 2010

Sebastião Bento, presidente de direcção da Académica Social Escola

Fotografia: Jornal dos Desportos

Tomou recentemente posse como presidente de direcção do Académica Social Escola. Qual é o objectivo do elenco que encabeça?
Em primeiro lugar, é relançar o Escola do Zangado, clube que foi o mais popular nos anos 60 e 70, quando em Luanda alguém quisesse falar de futebol. É neste âmbito que, em 2009, reunimos várias sensibilidades, tais como empresários e pessoas singulares, com destaque para os mais velhos, que no passado foram grandes jogadores do Escola, para fazer parte da Comissão Instaladora.

O que tem na sua agenda para os quatro anos que vai ficar à frente do clube?
Consta um leque de projectos que, ao longo do tempo e conforme as nossas necessidades, vamos implementar. Temos pela frente quatro anos de mandato, de muito trabalho. Traçamos um programa em que temos 2010 como o ano de relançamento das infra-estruturas e de preparação das condições logísticas. Quando falamos de infra-estruturas, temo-las na escola Ngola Mbandi, no município do Rangel, precisamente no bairro do Zangado, de onde surgiu o Escola. Para tal, fizemos alguns contactos com a Administração Municipal do Rangel, bem como com a direcção da escola do Ngola Mbandi e fomos bem sucedidos.

O que pretendiam, de facto, com esses contactos?
Queríamos um espaço. Foi-nos permitido utilizar o recinto desportivo adjacente à escola para iniciarmos o nosso projecto. Para quem conhece a escola Ngola Mbandi, dentro da mesma há um recinto onde, aos fins-de-semana, os jovens fazem a sua perninha e, ao lado, há um campo de basquetebol com algumas tabelas, que estão já em estado de degradação. Com algum esforço, vamos melhorá-las.

São passos importantes...
Pretendemos que o nosso projecto comece pequeno, mas seguro. Sendo assim, a nossa intenção é utilizar o espaço adjacente à escola e daí começarmos a utilizar quer a parte do futebol quer a do basquetebol. Como é óbvio, na quadra de basquetebol vão ser também praticadas outras modalidades, tais como andebol e futebol de salão.  
 
É uma utilização a título provisório...
Ainda na tomada de posse, dissemos que o nosso objectivo era começarmos a trabalhar com crianças com idades compreendidas entre os nove e 11 anos. Aquele espaço será apenas para começar. Depois, lá mais para a frente, e na eventualidade de a escola Ngola Mbandi não poder corresponder às nossas necessidades, vamos pensar como continuar o projecto. 

Orçamento vai ser elaborado em Março

A eficiência dos programas depende de valores financeiros. Quais serão as vossas fontes de financiamento? 
Em princípio, sabemos que as quotas dos associados não são suficientes para dar vazão a um projecto desta envergadura. Desde o início da comissão instaladora, debruçamo-nos acerca disso. Daí, surgiu a ideia de contactarmos algumas empresas e individualidades do município do Rangel. Parte delas comprometeu-se a abraçar o projecto e, dentro das suas possibilidades financeiras, poderão participar na fase de arranque. Vamos primeiro contar com essa boa gente, com essas sensibilidades, e depois, mais lá para a frente, ver de que forma podemos continuar a conduzir o projecto.

Qual é o orçamento necessário para a execução do programa agendado?
Ainda não temos um orçamento exacto. Temos estado a reunir para estes e outros acertos. Temos em agenda, para o dia 7 de Março do corrente, fazer um balanço do programa de trabalho e orçamentos de cada área adstrita ao nosso programa. A partir daí, poderemos saber o que vamos precisar.

"Todo o apoio será bem-vindo"

Em 2011, a escola arranca com as camadas jovens. O que trazem de novo em comparação com as escolas já existentes em Luanda e noutras províncias?
As que existem, são escolas de jogadores de futebol, enquanto o nosso projecto visa o ressurgimento do Escola do Zangado, equipa que desapareceu há algumas décadas. É uma agremiação com muita responsabilidade, pois lá jogaram grandes futebolistas angolanos. Desta feita, temos de levar o projecto com maior cuidado e responsabilidade. Daí a razão de começarmos com as camadas jovens no próximo ano.

Que apoio esperam do Ministério da Juventude e Desportos?
O que estiver ao seu alcance. Vamos manter uma ligação com o Ministério, mantendo-o sempre informado. Tudo o que for necessário, o que o Ministério decidir fornecer a este projecto, que é de todos os angolanos, será bem-vindo. Muitos agentes desportivos

questionam a falta de futebolistas de qualidade em Angola. Um comentário...
Para mim, não é a falta de futebolistas à altura, mas sim de espaços para que os petizes pratiquem o futebol.
Recordo-me que, há 20 anos, quando éramos mais jovens, em qualquer bairro havia um espaço para a prática do futebol. Hoje, não temos essa possibilidade. Daí, o cenário que se assiste: meninos que podiam despontar no futebol, encaminham-se para a delinquência. 
 
Que estratégia vai adoptar para o sucesso do vosso projecto?
Somos habilidosos natos e, muitas vezes, pelo facto de termos habilidade e não sermos acompanhados por pessoas mais experientes, chegamos a meio do caminho e perdemos os nossos dotes. É por essa razão que temos os nossos mais velhos, com bastante experiência, para nos guiarem. Assim sendo, sempre que encontramos jovens com habilidade, procuramos acompanhá-los para não se perderem. A par disso, vamos acompanhar o seu nível escolar, pois um bom jogador, com a carreira escolar acompanhada, tem o futuro garantido.

Oitenta alunos para começar

O Escola do Zangado formou muitos atletas nas décadas de 60 e de 70. O que pensam fazer para resgatar a mística perdida?
Vamos envidar todos os esforços necessários para tal. Por isso, continuo a dizer que este é um projecto de grande responsabilidade, pois temos como referência a década de 70, em que jogavam grandes jogadores no Escola. 

Pensam trabalhar apenas com o futebol ou alargar o leque de modalidades?
Isto faz parte de uma das exigências do Ministério da Juventude e Desportos, que estipula que um clube não se deve representar apenas por uma modalidade. Embora o futebol seja o nosso forte, também vamos apostar no basquetebol, no andebol, no xadrez, entre outras modalidades.

Trabalhar com crianças é difícil. Estão preparados?
A grande dificuldade será exigir dos atletas que estudem. Se tivermos jovens a jogar à bola e dedicarem-se aos estudos, teremos tudo aquilo que o país precisa. Portanto, haverá da nossa parte a exigência de os atletas terem um nível académico aceitável, o que pensamos não ser fácil, mas também não ser impossível.

Com quantos petizes pensam começar?
Estamos a pensar num número entre 50 e 80 atletas, para permitir fazer, pelo menos, quatro equipas e, entre elas, dentro do Escola do Zangado, podermos fazer uma competição. A partir daí, a possibilidade de seleccionar os melhores e darmos outra atenção àqueles que acharmos que podemos iniciar o projecto.

Por dentro

Nome  Sebastião Bento
Naturalidade   
Marçal (Luanda)
Nacionalidade 
Angolana
Data de Nascimento
08.09.1956
Estado civil  
Casado
Peso
85 quilogramas
Altura         
1,68 m
Desporto de que gosta   
Futebol
Pratica-o para manutenção
Prato preferido
Calulú
Bebida
Vinho tinto
Princesa
A esposa
Perfume
Couros
Cor preferida
Azul
Religião
Católica
Segue à moda?
Nem tanto
Calor ou cacimbo?
Cacimbo
Boleia ou volante
Boleia
Droga
É contra