Jornal dos Desportos

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Reportagens

"Qualificao para os Jogos da Juventude foi merecida"

Textos: Augusto Panzo - 28 de Abril, 2010

Ngalula Kanka, andebolista da Seleco de Cadetes de Angola

Fotografia: Machangongo

O que diz sobre o apuramento da Selecção Feminina de Cadetes aos Jogos Olímpicos da Juventude, a decorrer em Singapura?
Foi uma qualificação merecida e demonstra o quanto o andebol feminino angolano tem evoluído. Aliás, é sabido que em Angola se pratica um andebol evoluído, em comparação com outros países da África. Tivemos uma excelente participação.

A julgar pelos resultados alancados, a conquista do título foi fácil?
Foi muito difícil, na medida em que os adversários também queriam mostrar que não estavam a participar na prova por acaso e perseguiam o mesmo objectivo que nós. Felizmente, fomos melhores e conseguimos arrebatar o título do torneio.

Depois desse apuramento aos Jogos Olímpicos da Juventude, o que vem a seguir?
Acho que daqui para frente temos de nos empenhar mais no trabalho para ver se chegamos aos Jogos Olímpicos da Juventude com muita garra e capacidade para fazer boa figura. Precisamos de manter ou melhorar os nossos níveis competitivos para alcançarmos os nossos objectivos na prova.

Acha que o andebol angolano tem capacidade para se manter por muito tempo ainda no topo continental?
Tem. O nosso andebol é dos melhores de África. Acho que depois do andebol que se pratica na região do Magrebe, onde a Tunísia e o Marrocos são os mais cotados, a seguir vem o nosso, isso em masculinos. Em femininos, não temos adversários no continente. As jogadoras angolanas praticam um andebol de alta qualidade. São fortes tecnicamente e jogam na verdadeira acepção da palavra. Acredito que vamos conseguir manter essa hegemonia ainda por muito tempo.

Quais são as grandes diferenças entre o nosso andebol e outros países africanos?
Apesar do andebol de outras selecções estarem a subir de nível, ainda se nota muita diferença entre aquele que praticamos e o que se pratica noutros países de África, sobretudo na região Oeste do continente. Ainda assim, é preciso mantermos a nossa postura para não sermos facilmente alcançadas pelas concorrentes.

Selecção de honras
é questão de tempo

Acredita na possibilidade de um dia integrar a selecção nacional de seniores?
Sim. Trabalho e vou continuar a trabalhar no sentido de melhorar cada vez mais as minhas capacidades, quer técnicas quer físicas, para ver se consigo convencer a equipa técnica da selecção nacional. É apenas uma questão de tempo.

Que projectos pessoais tem em carteira?
O meu grande objectivo é formar-me em Medicina. Neste momento, estou a seguir a formação em Ciências Exactas e, como gosto da Medicina, vou lutar para ver se consigo atingir o meu sonho. Esse tem sido o meu grande sonho, mas também penso um dia trabalhar na TAAG.

"Quero ser uma referência mundial"

O facto do seu pai (Kanka Vemba, antigo guarda-redes do ASA) ter sido futebolista influenciou-a a enveredar pela carreira desportiva?
Exactamente, embora isso tenha sido de minha livre vontade.

Em quem se inspira?
Inspirei-me na Nair Almeida. Ela é o meu ídolo. Gosto muito da maneira dela jogar. Joga muito bem e inspira-me bastante.

Alguma vez recebeu propostas para se transferir para outras equipas de Luanda ou mesmo estrangeiras?
Não. Ainda não recebi qualquer proposta, nem de uma equipa angolana nem de outro país. Isso pode um dia isso ocorrer, mas não tão cedo assim, porque primeiro tenho de honrar o meu compromisso e alcançar os objectivos que tenho com o ASA.

Que objectivos são esses?
Tenho contrato com o ASA e acho que a primeira coisa a fazer, antes de mudar do clube, é terminar o contrato com a equipa.
Fale sobre as condições de trabalho no seu clube....São boas. Permitem que trabalhemos sem grandes constrangimentos.

Que objectivos persegue na sua carreira desportiva?
Em primeiro lugar, o meu grande objectivo é tornar-me numa referência mundial. E, um dia, se as coisas permitirem, tornar-me numa treinadora de andebol.

O que precisa de fazer para que isso se torne realidade?
Acho que isso exige muito trabalho, treinos, disciplina e humildade. Enfim, é preciso uma série de factores combinados para se conseguir isso.

A realidade das infra-estruturas para a prática de andebol condiz com a sua afirmação segundo a qual Angola ainda tem capacidade de se manter por muito tempo no topo africano?
Nem tanto. É necessário que haja mais investimento nesse capítulo. É preciso melhorar-se muita coisa. Tenho fé de que Angola melhore muito, pois existem muitos projectos virados para esta vertente.

Segredo está no trabalho
de base


Que andebol teremos nos próximos anos em Angola?
Vamos ter um andebol mais evoluído, pois o nível nos escalões de juniores e de cadetes tem vindo a subir a cada ano que passa.

Alguma razão específica para se manter o nível competitivo?
Penso que a existência de escolas de formação de andebol com alta capacidade, em Luanda, é um dos factores que ajuda na elevação dos níveis da modalidade. Temos aqui grandes escolas como a do Petro de Luanda, do ASA, do Interclube, do 1º de Agosto, do Maculusso e do Ferroviário. Estas têm sido os grandes viveiros que alimentam o mercado andebolístico do país.

O trabalho que se faz nas referidas escolas é suficiente para garantir a continuidade no topo continental?
Até agora, tudo indica que sim. As escolas que referi são e continuam a ser a base da solidez do andebol nacional. Vejamos, por exemplo, o Petro de Luanda: é uma equipa com vários títulos conquistados, tanto nas competições nacionais, quanto em provas internacionais. Acho que a escola desse clube realiza um excelente trabalho. Isso também acontece nas escolas do ASA, do 1º de Agosto e do Ferroviário que, em tempos idos, foram a grande base da selecção nacional masculina.

Recebe ensinamentos ou conselhos de antigas andebolistas?
Muitos. Tenho a agradecer às senhoras Ivone Mufuca e Gina, pelos seus ensinamentos. Os mesmos têm sido muito úteis para mim. Elas exigem-me muita paciência e concentração.

O que lhe ensinam de concreto?
Ensinam-me a não vacilar no trabalho. Pedem-me para me aplicar seriamente nos treinos e a não desistir. Encorajam-me, dizendo que, pouco a pouco, vou chegar lá. Também me aconselham a não aderir à vida de ilusão, como ir constantemente às festas, dormir fora de casa, perder noites, enfim, não levar uma má vida.

» Perfil
Nome: Ngalula Kanka
Filiação: Kanka Vemba e Marta Silva Amby
Data de Nascimento: 26 de Junho de 1992
Local do Nascimento: Luanda
Clube: Atlético Sport Aviação (ASA)
Posição: Meia-distância
Peso: 62 kg
Calçado: 42
Cor: Azul
Altura: 1,72m
Nacionalidade: Angolana
Modalidade: Andebol
Tabaco: Não
Bebida: Sumo
Prato preferido: Cozido
Hobby: Ouvir música, estudar e trabalhar no computador
Perfume: Escada
Filmes: Acção e comédia
Música: Rap americano
Droga: Contra
País: Canadá
Cidade: Luanda